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Quarta-feira, Julho 28, 2021

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Trincanela

“Neste Natal faça diferente. Dê um pouco de si”, por Vânia Grácio

Chegada esta época do ano, multiplicam-se os pedidos de apoio de Instituições de Solidariedade Social, mas também as “ofertas” do cidadão comum. Ao longo do ano, parecem não existir necessidades, ou pelo menos há menos vontade de ajudar. Então aproveitamos o Natal, para “lavar a alma” e para nos “redimirmos” das nossas falhas ao longo do ano. Queremos nesta altura fazer diferente e dar um pouco de nós, mas na verdade o que muitas vezes acaba por acontecer é a “caridadezinha”.

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É muito comum vermos anúncios e apelos ao arredondamento dos valores a pagar nas grandes superfícies comerciais, a campanhas de recolha de alimentos, roupas e brinquedos, livros e afins. O que me incomoda nisto é a necessidade de ser sublinhada a caridadezinha. O objetivo destas campanhas é sempre o de ajudar famílias ou pessoas CARENCIADAS. Hum…isto leva-me a recusar participar na maioria delas campanhas. O que significa ser “carenciado”? “Carenciado de quê”? O que não falta para aí são pessoas “carenciadas”, de dinheiro, de casa, de roupa, de alimentos, mas também de educação, de saber estar em sociedade, de afeto, de carinho, de amor… afinal a quem se destinam estas campanhas ditas de solidariedade. Eu gosto de saber para onde vai a minha ajuda!

Sendo Assistente Social de alma e profissão, não tolero muito bem o assistencialismo e muito menos a caridadezinha. As pessoas não precisam de ajuda só no Natal e muito menos precisam de caridade. Não entendo qual é o problema de dizermos que as campanhas revertem para pessoas com menos recursos económicos, por exemplo. Qual é a necessidade de passar uma imagem de “ajudar os coitadinhos”? A maioria das pessoas que precisa verdadeiramente de ajuda nada tem de “coitadinho”. São pessoas que merecem respeito. Que estão a passar por uma fase menos boa na vida e que este apoio nesta época poderá acalentar um pouco mais a sua vida, mas não resolvê-la. Estas pessoas precisam agora e durante todo o ano, que as empoderem, que as respeitem e que as ajudem a seguir em frente.

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Por isso neste Natal ofereça um abraço, ofereça cinco minutos de atenção a alguém, ofereça esperança. Dê um pouco de si. Será com certeza um Natal diferente, muito mais “rico”.

Vânia Grácio é Assistente Social e Mediadora Familiar e de Conflitos.
Licenciada em Serviço Social pelo Instituto Superior Bissaya Barreto e Mestre em Serviço Social pelo Instituto Superior Miguel Torga. Pós Graduada em Proteção de Menores pelo Centro de Direito da Família da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e em Gestão de Instituições de Ação Social pelo ISLA. Especializou-se na área da Mediação de Conflitos pelo Instituto Português de Mediação Familiar e de Conflitos.
Trabalha na área da Proteção dos Direitos da Criança e da Promoção da Parentalidade Positiva. Coloca um pouco de si em tudo o que faz e acredita que ainda é possível ver o mundo com “lentes cor-de-rosa”. Gosta de viajar e de partilhar momentos com a família e com os amigos (as). Escreve no mediotejo.net ao sábado.

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