NERSANT: Mira Amaral alerta para fim dos programas comunitários (c/vídeo)

O antigo ministro da Indústria e Energia, Luís Mira Amaral, esteve em Torres Novas no âmbito de um ciclo de debates da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), com o apoio da NERSANT – Associação Empresarial da Região de Santarém. Quarta-feira, 1 de junho, falou-se sobre “Política Industrial para o Século XXI” e nos desafios da reindustrialização, com Luís Mira Amaral a alertar logo à partida que o Portugal 2020 será eventualmente o último programa comunitário de apoio para Portugal.

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O agora investigador comentava os muitos pedidos que têm sido feitos per ministros e secretários de Estado para aceder aos novos fundos, pedidos esses que terão as suas limitações. “Daí a minha grande preocupação sob a execução do Portugal 2020, até porque ele é a última oportunidade que o país tem de fundos comunitários”, referiu, salientando os diversos problemas da União Europeia, tanto com os novos países aderentes como com os refugiados. “Obviamente que esta é a última oportunidade”.

foto mediotejo.net
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Num discurso focado nas novas industrias digitais e as suas potencialidades, Mira Amaral mostrou-se céptico com o real impacto das novas tecnologias, salientando que será sempre necessária a intervenção do homem. Discordando que se chame a esta evolução uma “4ª Revolução Industrial”, explicou que entende os avanços tecnológicos como um aprofundamento do que foi sendo descoberto ao longo das últimas décadas.

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Mira Amaral traçou um cenário de adaptabilidade das industrias tradicionais, como o vestuário ou das madeiras, salientando que Portugal deve apostar na qualidade e no conhecimento. “Não defendo o modelo de mão-de-obra barata”, uma vez que há sempre outros países que conseguem competir a esse nível. “Reindustrializar é aderir ao modelo da economia do conhecimento”, frisou.

Destacando que Portugal precisa de investimento estrangeiro mas também de atractividade, defendeu uma ligação cada vez maior das universidades às empresas, conjugando-se às necessidades. “Temos que ter mais doutorados nas empresas” e não na função pública, comentou, lamentando a diminuição destas especializações nas ciências e tecnologias na última década. Será com este conhecimento, sublinhou, que o país conseguirá competir lá fora.

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Mira Amaral terminou o seu discurso falando sobre a política laboral e de como é necessário um equilíbrio entre a defesa dos funcionários e as necessidades das empresas. Abordou ainda a redução dos custos da eletricidade, do gás natural e dos combustíveis, que em algumas empresas superam o custo laboral.

Antes do início da sessão, a presidente da direção da NERSANT, Maria Salomé Rafael, já referia que o “digital, a robótica, as tecnologias da informação” são cada vez mais produtos “solicitados à medida”. “É importante que as universidades possam trabalhar com as necessidades das empresas”, salientou, acreditando que a nova indústria vai criar empregos diferentes.

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