“Não nascemos preconceituosos. Tornamo-nos preconceituosos”, por Vânia Grácio

Antes mesmo de nascermos, os nossos pais e a própria sociedade começam a definir aquilo que seremos no futuro. Os estereótipos e os costumes iniciam o processo de moldagem do ser humano que viremos a ser quando nascermos. Azul e carrinhos para meninos, rosa e bonecas para as meninas.

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Os nossos pais, influenciados pela educação, pelos valores, pela cultura e pela sociedade onde estão inseridos, iniciam a idealização daquilo que pretendem que os seus rebentos sejam enquanto homens e mulheres no futuro. O desejo da criança ser tolerante ou racistas, homo ou heterossexual, ser submissa ou autónoma, se vai usar ou não tatuagens, faz com que os pais moldem a educação que vão dar à sua criança, de acordo com aquilo que querem que ela venha a ser.

Depois, há casos em que os pais mesmo desejando um determinado ser/estar para os seus filhos, as crianças são, estão e pensam de outro modo, por influência do meio e das suas experiências de vida. Crescemos assim. Cada um a moldar-se aquilo por que é influenciado, e aquilo que vai vivendo.

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É por tudo isto que vamos criando estereótipos e preconceitos e que nos vamos tornando mais ou menos tolerantes aos outros. Cada um é livre disso mesmo. A consciência de que a nossa liberdade termina onde começa a do outro, nem sempre é um facto e isso faz com que as desigualdades sociais sejam aceites e toleradas.

Quem trabalha na área social, não pode no entanto deixar-se influenciar por estas questões. Ou tem a capacidade de se abstrair disto, ou não pode trabalhar em prol dos outros de forma isenta, de modo a promover a tolerância, a igualdade de oportunidades e a justiça social. Por isso, quando vemos profissionais da área social, a tecer considerações racistas, xenófobas, intolerantes, temos todo o direito de nos indignarmos. Não podemos permitir que estes profissionais, “fazedores de opinião” teçam comentários na televisão que provoquem alarme social e que promovam o racismo e a discriminação pelas minorias. Há criminosos e não criminosos em todos os grupos sociais, em todas as sociedades.

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A condição social, a etnia, a cultura ou a cor da pele não podem nunca ditar o carácter de uma pessoa ou de um grupo social. As diferentes profissões sociais têm códigos éticos e deontológicos que têm de ser respeitados. Quem não o faz, não deve exercer essa profissão, sob pena de estar (também) a promover um preconceito que irá caracterizar os restantes profissionais, injustamente. Ou estamos dentro, ou estamos fora.

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Vânia Grácio é Assistente Social e Mediadora Familiar e de Conflitos. Licenciada em Serviço Social pelo Instituto Superior Bissaya Barreto e Mestre em Serviço Social pelo Instituto Superior Miguel Torga. Pós Graduada em Proteção de Menores pelo Centro de Direito da Família da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e em Gestão de Instituições de Ação Social pelo ISLA. Especializou-se na área da Mediação de Conflitos pelo Instituto Português de Mediação Familiar e de Conflitos. Trabalha na área da Proteção dos Direitos da Criança e da Promoção da Parentalidade Positiva. Coloca um pouco de si em tudo o que faz e acredita que ainda é possível ver o mundo com “lentes cor-de-rosa”. Gosta de viajar e de partilhar momentos com a família e com os amigos (as). Escreve no mediotejo.net ao sábado.

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