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“Não estou nada Serena!”, por Vânia Grácio

Esta semana fiquei preocupada. Eu que me considero uma defensora dos direitos da mulher e da igualdade entre géneros, deparei-me com “certezas” de que se calhar não sou assim tão feminista. Então uma jogadora de ténis não cumpre as regras do jogo, é advertida, faz uma birra, chama nomes ao arbitro, desrespeita a adversária e o publico e quando é punida por isso é sexismo e racismo? Hum….devo andar com os conceitos baralhados. Eu chamo má educação e fraca capacidade para lidar com a frustração.

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Não percebo muito de desporto, até porque a prática desportiva é algo que a “mim não me assiste”, muito menos de ténis, mas do que li e ouvi na comunicação social, ao que parece o arbitro português agiu correctamente. O próprio treinador de Serena admitiu que lhe deu instruções, apesar de eu aceitar que ela pode não as ter recebido ou se ter apercebido disso. No entanto não deixou de acontecer e de o árbitro agiu como devia. Mais, chamou nomes ao árbitro e fez uma tremenda birra. Não queria ser punida? Ah e tal, mas os homens também fazem e não são punidos. Está mal, mas isso não quer dizer que ela o tenha de ser.

Depois vi movimentos feministas a tentarem desculpar o comportamento da jogadora alegando que foi vítima de sexismo e racismo. Mau, então mas agora por ser mulher e negra já pode fazer tudo? Resta acrescentar que é americana e jogava em casa. Bem, agora também eu vou ser acusada de outra coisa qualquer por isto.

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Também vi movimento feministas a “manipular” a entrevista do cartoonista que desenhou Serena em plena birra, e focar apenas algumas palavras do autor para reforçarem a sua teoria. Por acaso eu tinha visto a entrevista ao senhor no dia anterior, senão possivelmente teria acreditado no que vi. Para quem não sabe, uma caricatura não é um retrato. Foca as nossas características individuais (nariz grande, orelhas salientes, cor da pele, etc). Não vi nada de extraordinário na caricatura, a não ser o fiel retrato da birra que eu tinha assistido na televisão.

Bom, parece-me que os valores acabam por se perder e se confundir, e nós mulheres não temos de calar, não. Temos de lutar pelos nossos direitos, lutar para sermos vistas e tratadas como iguais, mas sem nunca perder a razão. Não podemos é permitir que algumas deitem por terra a luta de muitas mais. Que não se perca o foco, que não se perca a causa, porque é uma boa causa.

Vânia Grácio é Assistente Social e Mediadora Familiar e de Conflitos.
Licenciada em Serviço Social pelo Instituto Superior Bissaya Barreto e Mestre em Serviço Social pelo Instituto Superior Miguel Torga. Pós Graduada em Proteção de Menores pelo Centro de Direito da Família da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e em Gestão de Instituições de Ação Social pelo ISLA. Especializou-se na área da Mediação de Conflitos pelo Instituto Português de Mediação Familiar e de Conflitos.
Trabalha na área da Proteção dos Direitos da Criança e da Promoção da Parentalidade Positiva. Coloca um pouco de si em tudo o que faz e acredita que ainda é possível ver o mundo com “lentes cor-de-rosa”. Gosta de viajar e de partilhar momentos com a família e com os amigos (as). Escreve no mediotejo.net ao sábado.

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