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Sábado, Julho 31, 2021

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“Não dê amor. Dê “um murro na mesa”, por Vânia Grácio

Esta semana circulou nas redes sociais que num canal de televisão nacional uma taróloga “recomendou” a uma senhora que a consultou, dar mimo e amor ao marido, mesmo quando este dá violência em troca. Não está em causa a profissão da senhora, antes a mensagem que é transmitida num canal de televisão aberto ao público em geral, e que até tem tentado sensibilizar a população para o fenómeno da violência doméstica. Pois “se não é com vinagre que se apanham moscas”, também não importa alimentar uma relação de violência. Importa sim, sair dela, e rapidamente.

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A nossa sociedade tem de começar a interiorizar que o que “é entre marido e mulher”, todos passaram a poder “meter a colher”, mas na perspetiva de acabar com os abusos e com a violência. Ora se uma pessoa é humilhada, privada dos seus direitos, é agredida física e emocionalmente, dá amor e carinho ao agressor? Chega a ser irónico. Presumo que o que se pretende (nesta perspetiva) deve ser uma forma de gratidão, pela violência que recebe.

A mensagem que estamos a passar ao/à agressor/a é de que estamos a gostar de ser agredidas/os. É que pode continuar a faze-lo porque está tudo bem. Não estamos a pedir-lhe que pare, não estamos a por fim ao mau trato, estamos a pedir que continue.

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Se é vitima de algum tipo de violência, de ameaça, de perseguição, se está inibido/a da sua liberdade e/ou dos seus direitos…não dê amor. Dê “um murro na mesa” (no sentido figurado, claro!) e escolha-se a si. Termine essa relação. Se não conseguir sozinho/a, peça ajuda. Em todas as comunidades existem serviços que o/a podem ajudar. Ame-se a si.

Vânia Grácio é Assistente Social e Mediadora Familiar e de Conflitos.
Licenciada em Serviço Social pelo Instituto Superior Bissaya Barreto e Mestre em Serviço Social pelo Instituto Superior Miguel Torga. Pós Graduada em Proteção de Menores pelo Centro de Direito da Família da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e em Gestão de Instituições de Ação Social pelo ISLA. Especializou-se na área da Mediação de Conflitos pelo Instituto Português de Mediação Familiar e de Conflitos.
Trabalha na área da Proteção dos Direitos da Criança e da Promoção da Parentalidade Positiva. Coloca um pouco de si em tudo o que faz e acredita que ainda é possível ver o mundo com “lentes cor-de-rosa”. Gosta de viajar e de partilhar momentos com a família e com os amigos (as). Escreve no mediotejo.net ao sábado.

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