Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Domingo, Julho 25, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Trincanela

“Nagorno-Karabakh reacende-se; ou o fim da paz no Jardim Negro”, por Tiago Ferreira Lopes

Do Leste para o Este

- Publicidade -

Nagorno-Karabakh reacende-se; ou o fim da paz no Jardim Negro

A última semana de Março e primeira de Abril terminou da pior forma, com o descongelar do conflito de Nagorno-Karabakh. Este é, logo a seguir às duas guerras Russo-Chechenas dos anos 1990, o conflito mais mediático do Cáucaso que opõe três lados: a Arménia, o Azerbaijão e o dito Nagorno-Karabakh.

- Publicidade -

O Nagorno-Karabakh entrou em “erupção” nos últimos anos de domínio soviético na região. Em Fevereiro de 1988 uma série de protestos, organizados pelos Arménios de Karabakh, em Stepanakert (capital do Nagorno-Karabakh) reacenderam um conflito que estalara nos anos da Guerra Civil entre Bolcheviques, Mencheviques e Independentistas Transcaucasianos.

Na altura (Julho de 1923) Estaline, então Comissário para as Nacionalidades, decidira em favor do recém-criado Azerbaijão como forma de aplacar a recém criada República da Turquia. Agora, em Fevereiro de 1988, as estruturas locais do Partido Soviético votavam a favor da transferência da região para a Arménia. Moscovo e Baku ignoraram o voto e as manifestações populares massivas que tomaram conta das ruas de Ierevan e Stepanakert.

Baku acabaria por mobilizar tropas e em Agdam, em Fevereiro de 1988, começaria um conflito que seria “congelado” apenas em Maio de 1994 por via da assinatura do Protocolo de Bishkek. O cessar-fogo então assinado ainda vigora, até porque nunca se assinou um armistício e por isso, formalmente, o conflito nunca ficou solucionado; daí o epíteto de conflito “congelado”. Nos últimos quase 22 anos as violações ao cessar-fogo, por ambas as partes, foram muitas.

TIAGOO conflito do Nagorno-Karabakh justifica, em larga medida, a manutenção da Organização de Segurança e Cooperação da Europa (OSCE). A criação do Grupo de Minsk, na sequência da Cimeira de Budapeste em 1995, ditou isso mesmo; que seria a OSCE a fazer a prevenção e resolução deste conflito e de outros similares. A actual crise política na Ucrânia também recaí sobre a monitorização da OSCE e os resultados são igualmente confrangedores.

E assim ao Protocolo de Bichkek seguiu-se o Processo de Praga (ronda negocial de 2002 a 2005), que deu lugar aos Princípios de Madrid (Novembro 2007), que levou à Declaração de Nagorno-Karabakh (Novembro de 2008) e à Declaração de Astrakhan (Outubro de 2010). Muito documento, muita assinatura, muita viagem, parcos resultados. Porque temos então uma OSCE e um Concelho da Europa se ambos têm poderes limitadíssimos?

Curiosamente, Portugal também tem o seu “dedo” neste conflito. Afinal de contas João Soares, actual Ministro da  Cultura, foi o Representante Especial da Assembleia Parlamentar da OSCE para o Cáucaso Sul entre Julho de 2011 e Fevereiro de 2016. E se é certo que já em 2014, João Soares pedia por uma intensificação das rondas negociais porque a tensão crescia, é também certo que a OSCE falhou na sua missão de prevenção de conflito.

O que querem ambas as partes? A Arménia clama o direito ao Nagorno-Karabakh tendo em conta que a esmagadora maioria da actual população na região é de origem Arménia. O Azerbaijão clama o direito ao Nagorno-Karabakh por via da solução do Comissário Estaline em 1923. O Nagorno-Karabakh quer o direito à autodeterminação tendo mesmo realizado dois referendos (em 1991 e em 2006) que a comunidade internacional não quis reconhecer…

O que poderá resultar do reacender do rastilho em Nagorno-Karabakh? Incerteza, isso é certo! E mortos. Já se contam mais de 30 e creio que, se não houver moderação imediata da Rússia, depressa chegaremos aos três dígitos. O conflito do Nagorno-Karabakh é mais do que uma zaragata regional envolvendo jogos de bastidores da Rússia, do Irão, da Turquia, dos EUA e claro da Europa da União. Pois está na hora de parar com os jogos e pensar nas vidas…

TIAGO2

Professor Auxiliar no IBA (Paquistão), licenciou-se em Comunicação Social na Escola Superior de Tecnologia de Abrantes (ESTA-IPT), cidade onde cresceu e viveu até aos 22 anos. Doutorado em Relações Internacionais (ISCSP-UL), colabora com vários centros de investigação internacionais. É autor da coluna “Cadernos do Tiaguistão” publicada na revista PACTA (ISCSP-UL, Lisboa), autor-residente da revista MindThis (Canadá), editor de opinião para a revista think.act.lead (Eslováquia) e editor-chefe do SOJRS (Turquia).
Escreve no mediotejo.net ao domingo, quinzenalmente.

- Publicidade -
- Publicidade -

1 COMENTÁRIO

  1. O objetivo do Azerbaijão desde Nakhichevan sempre foi territorial. Eles ocupam o territorio e com o tem se livram da população Armenia. Sempre que há turcos, azeris e armenios no meio, os armenios sofrem uma limpeza etnica. Não sei de que serve essas nações unidas, já que limpezas etnicas feitas por turcos, azeris e arabes foram informalmente legalizadas há muito tempo. Permitiram varias limpezas etnicas até hoje de judeus arabes, de armenios, de cristão arabes. Nos paises arabes, turco e azeris no futuro só terão muçulmanos. A audacia é tanto que os muçulmanos que estão na europa dizem que vão substituir os europeus. Os muçulmanos tem muitos filhos e garanto que eles terão escravos cristãos para tratar desses filhos até que a economia quebre como aconteceu nos paises muçulmanos. Ondes eles são minoria a economia do pais quebra.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here