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Sábado, Julho 24, 2021

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Trincanela

“Na natureza das coisas: Atlântico, sempre o Atlântico”, por Carlos Andrade

Celebrámos recentemente mais um aniversário da queda do muro de Berlim. Mais que um símbolo histórico, a queda do muro de Berlim traduz as mudanças que o leste europeu vinha conhecendo desde os últimos dez anos anteriores à referida queda. Mudanças que vinham a acontecer, também, e muito vincadamente na União Soviética. Mais que a União Soviética, a Rússia, a velha Rússia, a Rússia nacionalista, havia percebido que o modelo soviético tinha criado um conjunto de bloqueios inultrapassáveis na lógica mental do estalinismo. E isto é apenas um dos prismas desta história.

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Nas não democracias a mudança é muito lenta, mas também acontece e a Rússia, muito mais experiente que a União Soviética, percebeu que a mudança era obrigatória. E no seu ritmo, fê-la. Virá tempo em que os ensaios e as monografias históricas dos últimos vinte a dez anos da União Soviética revelarão aspetos surpreendentes e que traçam na sua linha de evolução temporal o caminho e o desfecho que toda a europa de leste conheceu no final da década de 80 do século passado. A mudança começou na Rússia e transformou a Europa de leste; não o contrário!

Sendo a Rússia um tema inesgotável, o presente texto procura o contraponto à visão da Europa continental, enfatizando a Europa atlântica, a Europa marítima que tão geneticamente traça a personalidade da Nação Portuguesa e a sua própria História.

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Sempre o destino de Portugal foi a aliança política e defensiva com o mar. Não foi por acaso que a nossa mais antiga aliança se fez com uma Nação para a qual o Oceano Atlântico era fator de autonomia identitária, política e de projeção europeia e, Séculos mais tarde, de projeção mundial. Refiro-me e naturalmente, ao Reino Unido.

Sempre o domínio do espaço marítimo foi parte essencial da Segurança Nacional. E sempre que perdemos esse domínio tivemos momentos negros na nossa história.

Comummente, pensamos que a expansão territorial para Sul por D. Afonso Henriques se fez exclusivamente a cavalo. É verdade que quase exclusivamente que sim. Mas vários momentos absoluta e historicamente comprovados tiveram em forças navais um apoio decisivo.

Principalmente naquilo que são hoje os territórios a sul da península de Setúbal e, meramente a título de exemplo, como detalha o historiador José Mattoso na sua biografia sobre o primeiro Rei de Portugal.

Mas também Luís Adão da Fonseca na sua biografia sobre o rei D. João II nos caracteriza o entendimento político, diplomático, tático, científico e sociológico sobre a forma como a segurança e a projeção de Portugal se faria tendo o Atlântico por trave mestra. Os dois reinados seguintes, de D. Manuel I e o de D. João III são a continuação da visão atlântica que D. João II institucionalizou para os então séculos vindouros.

Os tempos somam-se aos tempos e a natureza das coisas acaba sempre por prevalecer sobre os seus próprios entorses. Sobre os entorses que lhe infligem. Ou seja, Portugal não terá outro destino que não seja ter sempre no seu destino o Atlântico. A pretensa Aliança Atlântica é um compromisso que deverá ter sempre uma empenhada, lúcida e tática consequência nas opções políticas e económicas de Portugal.

O aprofundar das relações políticas, económicas e defensivas de Portugal com o conjunto das Nações que veem no Atlântico a projeção dos seus interesses vitais terá que ser um perpétuo desígnio dos legítimos interesses de Portugal.

Nas últimas décadas Portugal parece ter andado algo perdido na implementação de uma estratégia atlântica, cujas consequências se aferem em aspetos muito práticos como seja o ter uma diminuta frota mercantil ou uma diminuta frota pesqueira. São apenas dois exemplos onde o interesse nacional e tático não esteve suficientemente presente. O Mundo é um espaço desequilibrado. Que por vezes parece ainda mais desequilibrado, pelo que é tempo, mais que tempo, de voltar a olhar para o Atlântico com outros olhos, com outra ciência, com outro empenho.

Imagem: Navio da República Portuguesa Sagres, o famoso navio-escola da marinha portuguesa.

Musica: “Hands across the sea” de John Philip Sousa. O mais notável compositor de temas militares norte-americano e de origem açoriana. Existe uma espécie de best off editado pela etiqueta EMI Classics que contém também as celebérrimas composições “The liberty bell “ e “Hail to the spirit of liberty”.

 

Carlos Andrade Costa é o actual presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT).
Carlos Costa tem Licenciatura em Direito e os Cursos de Administração Hospitalar, de Auditor de Defesa Nacional e Pós-graduação em Gestão de Instituições sem Fins Lucrativos, entre outros, como o de Director dos Serviços de Planeamento, Programação Financeira e de Assuntos Bilaterais I, no Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Na Santa Casa de Misericórdia de Lisboa foi administrador delegado de todos os equipamentos de cariz hospitalar da instituição. Membro de Direção dos Hospitais das Forças Armadas, foi o único civil a gerir hospitais militares, Carlos Costa realizou ainda um estágio no âmbito da gestão hospitalar do serviço nacional de saúde Dinamarquês.
É professor em Instituições Universitárias, em cursos de especialização pós graduada, em gestão de saúde.

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