“Municípios do Médio Tejo em fraca figura no ranking”, por Pedro Marques

A Bloom Consulting acabou de divulgar o “Portugal City Brand Ranking” dos municípios portugueses, versão de 2016.

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Este estudo, na sua terceira edição, mede o desempenho e o impacto de cada uma das 308 marcas municipais nos seus públicos-alvo, considerando que cada município tem a sua própria marca, a sua identidade, que disponibiliza de modo aberto ao mercado como se de um produto (ainda que com características especiais) se tratasse.

No seu processo a Bloom Consulting recolhe dados, informações, processa, analisa, compara, mede, pondera e estrutura a sua análise final segundo três eixos finais: Negócios (investimento), Visitar (Turismo) e Viver (Talento). Para a medição do desempenho dos municípios foram desenvolvidos painéis de controlo que evitam o viés introduzido pelas perceções, pelos níveis de felicidade ou pelos meros inquéritos.

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Passou também a ser medido o impacto das estratégias de branding municipais e o impacto económico das estratégias desenvolvidas localmente, com base num algoritmo desenvolvido por aquela consultora. Quem quiser conhecer com detalhe pode consultar o estudo na totalidade, disponível na internet.

Mas sempre posso adiantar que para os dados económicos são utilizadas informações relativas a Empresas, Crescimento Empresarial, % de Novas Empresas/Total, Empresas/Habitante. Para os dados de turismo contam as Dormidas, o Crescimento de Dormidas, a Taxa de Ocupação Hoteleira e as Dormidas/Habitante. Para os dados de talento a consultora processa informação relativa a População ,Taxa Crescimento da População, Taxa de Desemprego, Poder de Compra, Taxa de Criminalidade, Habitantes/Centro de Saúde, Estabelecimentos de Ensino Superior/10 000 Hab.

São ainda equacionadas, para o turismo, as existências de alojamento, praias, zonas de lazer, museus, gastronomia, restaurantes, património cultural, parques de diversão, turismo de natureza, entre muitos outros itens. A capacidade de empreendedorismo, a existência de incentivos, o equilíbrio entre setores primário, secundário e terciário, são outros itens relevantes para a análise do eixo de Negócios. E, por fim, no eixo de Viver conta muito a saúde e segurança, a rede de transportes públicos, a existência de diferentes níveis de ensino e formação, o dinamismo do mercado de emprego e de estágios, assim como de atividades de voluntariado.

O valor de uma marca – também municipal – tem uma componente tangível (palpável, concreta) e uma componente intangível (imaterial, não palpável, muitas vezes entendida como o goodwill).

Se bem me recordo, há uns anos atrás o lema de um dos concelhos do Médio Tejo definia-o como sendo “uma boa terra para trabalhar, viver e investir”, no fundo exatamente os eixos em que os resultados deste estudo nos surgem. Porém, uma coisa é um slogan, um pregão, uma manifestação de vontade; outra, por vezes bem diferente, é o contacto com a realidade.

A implementação de estratégias diferenciadoras, que fujam ao mimetismo e à replicação de soluções, equipamentos, espaços e investimentos municipais, é aquilo que pode conferir uma marca identitária própria. O que mais abunda, infelizmente, é replicação, mimetismo, duplicação, redundância, ineficiências…

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Nos resultados finais surge Lisboa em primeiro, Porto em segundo, Braga em terceiro, seguidos de Cascais, Coimbra, Sintra, Oeiras, Funchal. Guimarães e Aveiro. Nenhum município do distrito de Santarém e, muito menos, do Médio Tejo. Nem no top 10, nem no top 25…

Santarém, capital de distrito, surge no 44º lugar nacional, Ourém na posição 55, Tomar em 73º, Abrantes na posição 84, Torres Novas em 102º, Rio Maior na posição 137ª, Almeirim em 138º e Entroncamento no lugar 142. Segue-se Constância (167º), Ferreira do Zêzere (187º), Vila Nova da Barquinha (229º), Mação (266º) e Sardoal (301º). Existem 308 municípios. Abrantes subiu uma posição face a 2015 e o relatório menciona expressamente essa realidade.

A análise pode ser incómoda para alguns mas o critério é o mesmo para todos.

Estes estudos são importantes porque são técnicos e retiram toda a dimensão apaixonada da política, dos discursos redondos mas bonitos de auto-elogio em que se tornaram as discursatas dos autarcas, a maioria dos boletins municipais e ainda alguns órgãos oficiosos de comunicação de notícias e proclamação de boas novas por parte de muitos autarcas.

Estamos a um ano das eleições autárquicas, ou pouco mais. Seria importante haver análises objetivas, factuais, mensuráveis sobre os resultados efetivos. Até mesmo numa perspetiva de uma década, duas décadas ou três décadas.

Para onde nos levaram as políticas nacionais e para onde nos empurraram as decisões locais? Vivemos melhor ou pior? Estamos mais ou menos competitivos? Oferecemos mais ou menos futuro aos nossos concidadãos? Os planos megalómanos executados trouxeram benefícios concretos e mais riqueza, mais desenvolvimento, mais emprego, mais população, mais competitividade, mais futuro?

Tapar o sol com a peneira, dourar a pílula e assumir uma opção de onanismo político é algo inaceitável nos dias de hoje. Assumir funções públicas implica prestar contas a todos o instante. Deveria implicar ter a humildade para reconhecer erros e opções erradas e assumir quando as coisas não correm bem. Esse é ainda um caminho não percorrido. O pedido de perdão em política é algo que não abunda. O perdão também não. Neste jogo cruel toda a gente finge que fez tudo bem e toda a gente reclama ter feito tudo bem. Os outros fazem menos bem ou mal, nós fazemos sempre bem – e é isto sem distinção de cor política.

Enquanto isso o Médio Tejo tem muito caminho pela frente para ser visto, percecionado e reconhecido como território dinâmico e de futuro.

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