“MOUSSES e Mousselines”, por Armando Fernandes

Há dias degustei prazenteiramente mousse de avelãs e chocolate. Na altura louvei o engenho humano por conceber práticas culinárias capazes de conceberem felizes casamentos entre produtos de modo a proporcionarem-nos felicidade. Foi o caso.

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As mousses, normalmente, servem-se frias, podem ser salgadas ou doces, são aveludadas e englobam todos os elementos comestíveis que entendermos integrar, é tudo uma questão de talento, esforço e paciência. A arte da cozinha é dominada pela paciência.

Os ingredientes das mousses têm de ser muito bem batidos, finamente incorporados, pensemos nas mousses de sobremesa (as mais conhecidas) e respectiva junção de natas frescas e claras em castelo, mesmo recorrendo à maquinaria eléctrica para o efeito é necessário estar-se atento, de outra forma o preparado corre sérios riscos de ficar reduzido a molhanga execrável.

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De uma forma geral as mousses estão indicadas para as apreciarmos frescas, inúmeras vezes até são servidas geladas, no entanto, não é motivo para admiração se nos forem apresentarem quentes ou mornas, as suas componentes é que determinam o estádio de serem consumidas. Muitas são moldadas na companhia de gelatinas.

O elemento preponderante em cada composição é determinante para o seu baptismo: crustáceos, peixe, frutos, legumes, patés e outros que sejam primaciais, incluindo os de natureza aromática. Também há junção de nomes, o hífen da vaidade não entra na associação.

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Certamente, o leitor já teve à frente dos olhos e posteriormente apreciou uma qualquer mousseline, o termo significa estarmos ante uma mousse mais fina, de maior delicadeza, geralmente, apresenta-se moldada à colher ou em formas de reduzida expressão.

Mousseline está para a mousse como menina núbil está para mulher feita, se me é permitido, balzaquiana, não de trinta anos como na época do infatigável romancista, conforme a senhora for arrecadando os anos no alisamento das rugas, no esbater das cãs, no desfazer as adiposidades quantas vezes devido ao abuso no consumo de mousses e as mousselines derivadas de molho holandês, maionese, purés, massa de biscoito ou de almôndegas.

Aproximam-se dias maiores eivados de temperaturas tépidas até calorentas, por um lado existe a convicção de ser necessário o aumento de exercício físico de modo a derreterem-se os excessos de gorduras também acoimadas de pneus. Por outro, as mousses e as mousselines cromaticamente tentadoras, as contrastantes também, afiançam serem refrescantes, macias qual nuvem banca a passear-se no horizonte, pouco calóricas (?) aproveitam a ocasião e…amanhã faço dieta.

O leitor fará o favor de perdoar, mas não resisto a lembrar-lhe a possibilidade de aproveitar o peixe branco sobrante de uma refeição servindo-o posteriormente frio, deitado numa cama de alface, barrado por uma mousse de ovas desse mesmo peixe, acolitado por rodelas de kiwi frias, na companhia de bebida do seu agrado, logo louvará o ser pessoa dotada de talento no tocante a economia doméstica. Assim fossem os governantes! A exclamação apaziguadora do ter comprado peixe a mais o incentivará a repetir o abuso.

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