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Quinta-feira, Outubro 28, 2021

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Mouriscas | Rota dos três concelhos vence Orçamento Participativo Portugal

A Rota cultural e etnográfica das ribeiras da Arcês, Rio Frio e Rio Tejo do proponente António Louro, de Mouriscas, no concelho de Abrantes, venceu este ano o Orçamento Participativo Portugal. Na rota estão envolvidos os concelhos de Abrantes, Sardoal e Mação. O OPP financia 38 projetos vencedores em todo o país sendo o Cultura para Todos e Tauromaquia como património os mais votados. A segunda edição do OPP já contará com 5 milhões de euros.

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Quando o mediotejo.net falou com o proponente de um dos 38 projetos vencedores do Orçamento Participativo Portugal, António Louro estava visivelmente satisfeito com a vitória da proposta nº 529 integrado no âmbito regional, na área da cultura, na zona geográfica do Centro. A importância do triunfo da Rota cultural e etnográfica das ribeiras da Arcês, Rio Frio e Rio Tejo “é enorme” disse. “Tendo em conta o nosso contexto local tem um grande impacto em Mouriscas” terra que é circundada pelas duas ribeiras e pelo rio Tejo, a limitar a freguesia.

António Louro, que sempre acreditou no “potencial etnográfico, cultural e até turístico da rota, até porque as caminhadas e os percursos pedestres estão muito na moda”, vê agora com esta vitória a concretização do projeto que há mais um ano anda a ser pensado. Na Rota estão ainda envolvidos três municípios: Abrantes, Mação e Sardoal. Por isso António Louro já conjectura uma designação para a rota que possa homenagear esta união. Talvez “Rota dos Três Concelhos ou Rota da Amizade”, sugestões de denominação que merece ainda “consenso”.

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Crédito: Amigos da Ribeira de Arcês

E trata-se de uma Grande Rota com cerca de 35 quilómetros por “zonas lindíssimas e remotas. Já lá andamos a fazer limpezas e a desbravar trilhos” etnográficos. São cerca de 30 voluntários no terreno, integrados no grupo de Amigos da Ribeira da Arcês, empenhados em desenvolver a rota querem mostrar os lagares, as levadas e os açudes.

Além dos voluntários contam ainda com apoios de 80 pessoas da comunidade mourisquense que ajudam nas mais diversas áreas e formas “com trabalho, bens materiais, publicidade”  dando como exemplo as pessoas que têm propriedades junto das ribeiras.

De acordo com o proponente querem agora formar uma Associação e os trâmites já estão em curso. Eventualmente “iremos recorrer ao programa FinAbrantes para conseguirmos financiamento para a preservação e manutenção” da rota.

Crédito: Amigos da Ribeira de Arcês

O projeto prevê a criação de uma rota pedestre de cariz cultural e etnográfica em zonas de intensos vestígios de património antigo e outro mais recente, nomeadamente: pontes e calçadas romanas, grutas, castelos, antas, lagares, azenhas, levadas, etc.

Segundo a discrição, “além de uma forte ligação cultural esta rota abrangerá também o domínio turístico e terá ainda uma componente religiosa, prevendo-se que a mesma possa passar na zona das seguintes capelas: Nossa Senhora da Lapa (Sardoal), Nossa Senhora da Tocha e Nossa Senhora dos Matos (Mouriscas-Abrantes).”

Crédito: Amigos da Ribeira de Arcês

Esta rota fará ligação com duas rotas existentes no concelho de Sardoal (a PR3 e a PR5) e ainda com uma grande rota existente na margem direita do Tejo (a GR12).

Também já há uma ideia mais concreta dos pontos notáveis que esta GR possibilitará visitar ao longo do seu percurso, entre outros: Ribeira da Arcês: cerca de 15 lagares e azenhas, vários açudes, vários quilómetros de levadas, 4 grutas, 2 pontes romanas, 1 barragem, 1 praia fluvial, 1 calçada romana, vestígios de um antigo castelo, inscrições antigas, vários destes locais são descritos em lendas que se encontram publicadas em livros (Lenda da Grade de Ouro ou Lenda da Lapa da Moura).

Crédito: Amigos da Ribeira de Arcês

Ribeira de Rio Frio: cerca de 10 lagares e azenhas (uma ainda em funcionamento!), vários açudes, vários quilómetros de levadas, uma anta, vestígios de extracção mineira, uma grande charca e outros vestígios antigos.

Rio Tejo: O canal de Alfanzira do tempo dos Filipes, restos do que foi a Mata Real de Alfanzira, muitas oliveiras milenares incluindo a mais antiga de Portugal com 3 350 anos e muitas pesqueiras.

Este projeto tem a duração de 12 meses e um investimento de 80 mil euros, que segundo António Louro vão financiar “alguns passadiços que atravessam as ribeiras, sinalética, medidas de segurança e a homologação dos percursos pedestres”.

António Louro manifesta-se entusiasmado até porque recentemente realizaram uma caminhada pela Ribeira de Arcês que “envolveu 100 pessoas” onde já existem trilhos desbravados após um ano de trabalho. “Temos pessoas em Queixoperra, no concelho de Mação, que já desbravaram muito dos terrenos que eram até aqui inóspitos”.

O objetivo é mostrar às pessoas “a riqueza cultural. Na Ribeira de Arcês há lendas para ler em plastificações. As mais conhecidas são a da Lapa da Moura e a da Grade de Ouro do Poço da Talha, esta última publicada por Isilda Jana.

Os resultados foram apresentados em setembro, no Parque das Nações, em Lisboa, e os 38 projetos mais votados vão passar à fase de implementação.

Quase 80 mil votos decidiram que os três milhões de euros do primeiro Orçamento Participativo Portugal vão ser utilizados para executar os 38 projetos, dois de âmbito nacional e os restantes regionais.

Nesta primeira edição do Orçamento Participativo Portugal foram 78.815 os votos que determinaram quais os projetos vencedores entre os 601 que estavam a concurso, período de votação que decorreu online entre os meses de junho e setembro.

Os três milhões de euros destinados à edição de estreia deste mecanismo de democracia participativa vão permitir executar 38 projetos vencedores, sendo dois de âmbito nacional e 36 de âmbito regional (Norte, Centro, Área Metropolitana de Lisboa, Alentejo, Algarve, Madeira e Açores).

Os 601 projetos – 202 de âmbito nacional e 399 de âmbito regional – que estiveram em votação, nas áreas da cultura, agricultura, ciência e formação de adultos, foram as propostas validadas entre as mais 1000 apresentadas.

No final de agosto, o Governo aprovou, em Conselho de Ministros, o aumento da verba destinada à segunda edição do Orçamento Participativo Portugal, que, em 2018, passará a contar com cinco milhões de euros

Com Lusa

 

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Muitos parabéns pelo projecto e pela ambição do sonho que se tornou realidade Abrantes é uma cidade muito bonita e precisa de projectos como estes para atrair o turista e não só. Lugares tāo pitorescos como estes devem ser mostrados. São a nossa herança, a nossa história, o testemunho dos nossos antepassados que não pode ser esquecido. É uma das riquezas que possuímos e devemos preservá-la. Como abrantina não residente, o meu obrigado.

  2. Concordo. Precisamos cuidar e preservar a nossa história, cultura, identidade e divulgar… Um orgulho grande! Nascida has Mouriscas, vivo em Inglaterra. Vina Costa

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