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Sexta-feira, Julho 23, 2021

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Morreu José “Bioucas”, primeiro presidente da Câmara de Abrantes

José dos Santos Jesus, mais conhecido por José Bioucas, primeiro presidente da Câmara Municipal de Abrantes eleito democraticamente, entre 1976 e 1990, faleceu hoje aos 87 anos de idade, vítima de paragem cardiorrespiratória. Estava em coma profundo no Hospital de Abrantes desde domingo à noite.

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BIOUCAS2Carinhosamente conhecido por José “Bioucas”, apelido paterno que um zeloso funcionário do registo civil considerou estar a mais, trabalhou em prol do município numa altura em que tudo estava por fazer, desde estradas, a canalizações, esgotos e acesso a eletricidade, e numa altura em que Portugal havia acabado de sair da fase de 48 anos de Estado Novo e não havia acesso a fundos comunitários nem se falava ainda da CEE ou de União Europeia.

A data de nascimento oficial é 25 de março de 1928, embora tenha nascido em São Vicente, Abrantes, um dia antes da data que conta no BI. José “Bioucas” sempre foi avesso a falar de política, desde que há mais de 20 anos deixou a governança autárquica. José dos Santos Jesus, depois de sair da Câmara de Abrantes, em 1990, dedicou-se exclusivamente ao Centro de Recuperação Infantil de Abrantes (CRIA), instituição que fundou com Lourdes Jorge, de Tramagal. José dos Santos de Jesus nasceu a 24 de março de 1928, em S. Vicente, Abrantes.

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Eng.º Técnico de profissão, para além da sua participação na Comissão Administrativa do município, primeiro enquanto vogal e depois como vice-presidente e presidente da Comissão, foi o primeiro presidente democraticamente eleito da Câmara Municipal de Abrantes nas eleições realizadas em 12 de dezembro de 1976. Exerceu as funções de presidente da Câmara Municipal de Abrantes durante 4 mandatos até ao dia 3 de janeiro de 1990.

BIOUCAS3Indefetível apoiante da necessidade da construção de uma nova ponte sobre o Tejo na zona do Tramagal, a bem do desenvolvimento da região, Bioucas foi voluntário nos Bombeiros Municipais de Abrantes, dos 18 aos 60 anos, onde conduzia viaturas e ajudava a apagar incêndios, mesmo depois de já ser autarca.

Homem de ação, enfrentava os problemas de frente, mesmo que lhe pudessem custar alguns dissabores, como quando era presidente de câmara, na época das rádios piratas, nos idos anos 80, quando houve uma vistoria da inspeção para as transmissões da então Rádio Antena Livre, a emitir, na ocasião, a partir da freguesia de São Miguel do Rio Torto. Sabendo da busca aos emissores, à redação, que era tão móvel quanto possível, os locutores, entre os quais alguns dos fundadores da RAL, refugiaram-se no Convento de São Domingos, em Abrantes. Chegados os inspetores à porta do Convento, o presidente Bioucas, já informado do que se estava a passar, meteu-se a caminho e interpôs-se entre os inspetores e os radialistas sitiados. “Ali dentro não há nada nem ninguém e quem o diz sou, José Bioucas, presidente da Câmara de Abrantes”, intervenção após a qual os inspetores terão desmobilizado, a contragosto. A rádio, hoje, ainda existe. A memória das intervenções e postura de homem simples e de causas, como era José Bioucas, também.

A Câmara Municipal de Abrantes decidiu decretar luto municipal durante três dias.

Em declarações ao mediotejo.net, Maria do Céu Albuquerque, atual presidente da autarquia, disse trazer consigo “memórias de há muitos anos”, tendo lembrado que o seu próprio pai foi funcionário municipal, ao tempo de José Bioucas.

“Lembro-me das festas de natal, quando eu era míuda, dos concursos de pesca…”, recordou, tendo ter existido desde sempre uma “grande amizade e grande estima”.

“São sentimentos que perdurarão para toda a vida porque pessoas da sua dimensão são eternas”, afirmou Maria do Céu.

O corpo será velado a partir das 17:30 de hoje, dia 3 de novembro, na Capela de Sant’Ana, na cidade de Abrantes.

As exéquias religiosas realizam-se na quarta-feira, dia 4 de novembro, pelas 11h00, na Igreja de S. Vicente, seguido do funeral para o cemitério Cabacinho.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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