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“Morreu Christo”, por Massimo Esposito

Não! Não Jesus Cristo, mas sim o artista Christo Vladimirov Javacheff, um artista muito criticado, famoso e que morreu há alguns dias atrás. Mas que artista foi? E que legado deixou, visto que a imprensa internacional falou tanto dele? Qual o seu trabalho e o que trouxe de novo no horizonte artístico?

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Pessoalmente nunca me apaixonei pelo seu trabalho, mas é incontornável pelas suas intervenções em monumentos, ilhas, lagos e muito mais. Mas antes de continuar, gostava de frisar dois pontos importantes que definem um pouco a sua personalidade. Christo era Búlgaro e casou com Jeanne-Claude, nascida em Marrocos, filha de pais franceses que nasceram no mesmo dia.

O ponto em questão é que eles, ambos artistas, fizeram uma coisa incomum entre a comunidade artística que é muito individualista. Juntaram os seus nomes na realização das obras, assinavam juntos e repartiam em partes iguais o conceito e os proventos dos trabalhos. Isto é, não se pode falar de Christo sem falar de Jeanne-Claude e esta particularidade sempre me cativou.

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Outro ponto interessante é que fundos públicos sempre lhes foram negados e eles financiaram as suas obras só com a venda dos esboços (isto é para lembrar que também no Médio Tejo é difícil aos artistas ter fundos públicos para realizar obras de arte. Mas, se aconteceu a Christo, quem somos nós?)

Mas afinal o que faziam estes artistas? Embrulhavam monumentos, ilhas, pontes e muito mais. Por exemplo, em Miami cercaram algumas pequenas ilhas em Byscane bay com centenas de milhares de metros quadrado de tecido rosa. Em outra ocasião “embrulharam” literalmente a sede do governo alemão, o Reichstag. Em Itália fizeram uma larga passadeira de plástico laranja num lago e milhares de pessoas puderam “caminhar” sobre água, fazendo um incrível e irrepetível passeio. E muito, muito mais.

Todo o trabalho realizado em muitos países do mundo era organizado exaustivamente, até ao mínimo pormenor em colaboração com autoridades, associações ambientais, arquitetos e técnicos. Christo e Jeanne-Claude foram realmente únicos.

As obras deles são únicas e irrepetíveis e destacaram-se no ambiente artístico de um modo realmente espetacular. Podemos gostar ou não, mas que devem ser valorizados e lembrados entre os grandes artistas do século passado, devem ser com certeza.

Pintor Italiano, licenciado em Arte e com bacharelato em Artes Gráficas em Urbino (Itália), vive em Portugal desde 1986. Em 1996 iniciou um protejo de ensino alternativo de desenho e pintura nas autarquias do Médio Tejo que, após 20 anos, ainda continua ativo. Neste projeto estão incluídas exposições coletivas e pessoais, eventos culturais, dias de pintura ao ar livre, body painting, pintura com vinho ou azeite, e outras colaborações com autarquias e instituições. Neste momento dirige quatro laboratórios: Abrantes, Entroncamento, Santarém e Torres Novas.

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