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Sexta-feira, Julho 23, 2021

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“Montepio Abrantino/160 anos”, por José Martinho Gaspar

MONTEPIO ABRANTINO SOARES MENDES

Nos 160 anos de vida e no centenário da sua sede

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No dia 29 de setembro de 2016 completaram-se 160 anos sobre a data de criação do Montepio Abrantino Soares Mendes. Nascida em meados do século XIX, aquela que começou por se intitular Sociedade Filantrópica Abrantina, integrou-se num vasto movimento nacional de fundação de associações de socorros mútuos, muitas das quais intituladas montepios. Sabe-se, porém, muito pouco sobre os primeiros passos do movimento mutualista português, bem como acerca do porquê da utilização do nome montepio. Ainda assim, parece poder encontrar-se a origem da palavra na expressão italiana monte di pietá, que no século XVI designou organismos que prosseguiam tanto fins de crédito como de entreajuda e beneficência.

A 15 de setembro de 1856, em Abrantes, em casa de António Alves da Luz, reuniu-se um grupo de dezoito abrantinos, “burgueses de boa têmpera”. Na reunião, organizada por iniciativa de Miguel Fialho de Castro, estudante em Coimbra, de 28 anos, defensor das ideias mutualistas “que estavam então na moda”, este propôs que se formasse “uma sociedade com o fim de socorrer os sócios que fizessem parte da mesma”. Entre os fundadores, para além do Administrador do Concelho, em termos profissionais, tínhamos um Farmacêutico um estudante, quatro negociantes, um ferreiro, três sapateiros, um caixeiro, três alfaiates, um carpinteiro, um pedreiro e um marítimo. Estas ocupações acabam por ser sintomáticas no que diz respeito à diversidade social e profissional dos fundadores da associação, uns motivados por sentirem a necessidade da sua criação para os outros e para si próprios, enquanto outros terão marcado presença como benfeitores que percebiam a necessidade da sua criação. A 29 do mesmo mês de setembro de 1856, reuniu novamente a assembleia geral, sendo nesta ocasião aprovados os estatutos.

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O proprietário Raimundo José Soares Mendes, inscrito como sócio a 26 de outubro de 1856, desde cedo se destacou no apoio à associação, que havia feito uma importante campanha para obter o auxílio das figuras mais notáveis da terra. Em 1857, Soares Mendes organizou duas corridas de touros, cujo produto reverteu a favor da sociedade e, até à década de noventa do século XIX, o equilíbrio financeiro da agremiação dependeu em muito da ação desta destacada figura abrantina. Para além do apoio material, Raimundo Soares Mendes começou a presidir à Direcção a no ano em que se associou, mantendo-se nesse cargo até 1894.

A última década do século XIX, finda a presidência de Raimundo Soares Mendes, foi o período em que ganharam protagonismo novos benfeitores da entretanto designada Sociedade de Socorros Mútuos Soares Mendes: Francisco Eduardo Solano de Abreu e Francisco Egídio Salgueiro. Foi Francisco Egídio Salgueiro, Presidente da Direcção a partir de 1903, quem criou a Caixa Económica que quase cinquenta anos antes os fundadores da sociedade já tinham em mente. Com a sua aprovação na assembleia geral de 29 de maio de 1904, a agora denominada Associação de Socorros Mútuos Soares Mendes passava a ter uma entidade de natureza financeira anexa, capaz de gerar rendimentos que as quotas dos particulares não podiam reunir.

Durante a I República, a ação da associação, com a sua Caixa Económica a funcionar em pleno e com a nova sede (inaugurada em 1916) a responder às suas necessidades funcionais, conheceu um período de expansão. Também na região de Abrantes, no decurso da I República, se viveram momentos de grande dificuldade, em resultado, entre outros fatores, da participação portuguesa na I Guerra Mundial (1916-1918), da gripe pneumónica (1918) e da tuberculose (1925-1926).

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Denominada Montepio Abrantino Soares Mendes a partir de 1931, a associação sofreu os efeitos da política salazarista, que, ao pretender generalizar o sistema corporativo, limitou a ação dos organismos assistenciais exteriores ao Estado, nomeadamente das associações de socorros mútuos. O Montepio, para fazer face a esta conjuntura, respondeu da única forma possível, ou seja, através da qualidade dos serviços que prestava aos seus associados. Com dois médicos de reconhecido mérito ao seu serviço, o Dr. Santana Maia e o Dr. Manuel Fernandes (homenageados em 1968), o Montepio resistiu e conseguiu mesmo ganhar novo fôlego.

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*Artigo publicado originalmente no dia 29 de setembro de 2016

José Martinho Gaspar nasceu em Água das Casas (Abrantes), na década de 60 do século XX, e vive em Abrantes. É Professor de História e Mestre em História Contemporânea. Desenvolve a sua ação entre aulas, atividades associativas (Palha de Abrantes e CEHLA/Zahara, mas também CSCRD de Água das Casas), leitura e escrita, tanto de História como de ficção, sendo autor de vários artigos e livros. Apaixonado por desporto, já não vai em futebóis, mas continua a dar as suas voltas de bicicleta. Afinal, diz, "viver é como andar de bicicleta: não se pode deixar de pedalar e quando surge um cruzamento escolhe-se o nosso caminho".

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