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Sábado, Outubro 23, 2021

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Ministro das Infraestruturas pede fasquia “bem mais alta” na transição para a ferrovia

O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, defendeu na sexta-feira, a bordo de um comboio na linha do Norte, que a fasquia dos objetivos europeus para a transferência modal para a ferrovia deve ser “bem mais alta”. O dirigente nacional do PS esteve também numa arruada no Entroncamento de apoio à recandidatura de Jorge Faria, atual presidente da autarquia.

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“Se estamos convencidos de que a transferência modal para a ferrovia é uma das chaves para a sustentabilidade do setor dos transportes, então a fasquia terá de ser colocada bem mais alta”, disse o governante a bordo da Train Summit, que juntou várias empresas do setor numa viagem de comboio entre Lisboa e Porto, em carruagens acopladas a um serviço Intercidades normal.

Pedro Nuno Santos falava acerca dos objetivos elencados na Estratégia para a Mobilidade Sustentável e Inteligente da Comissão Europeia, elaborada no Pacto Ecológico Europeu (European Green Deal).

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O ministro referiu que “relativamente ao transporte ferroviário, esta estratégia traça como objetivos duplicar o transporte de mercadorias e triplicar o número de passageiros em alta velocidade até 2050, tendo em conta os níveis de 2015”.

Considerando os objetivos “muito ambiciosos” devido ao investimento necessário para os alcançar, Pedro Nuno Santos vê como sendo “claro” que “a realização destes objetivos implicará a construção de centenas de quilómetros de novas linhas em Portugal, milhares de quilómetros em toda a Europa”.

“Por outro lado, quando começamos a fazer contas, estes objetivos começam a parecer insuficientes para assegurar a transferência modal para a ferrovia de que tanto falamos”, considerou, advogando por isso o elevar da fasquia.

O ministro quantificou que “triplicar o transporte de passageiros em alta velocidade de 2015 a 2050 corresponde a um crescimento anual de 3%”, mas contrapôs recordando que “o transporte aéreo cresceu a uma média de 4% ao ano entre 2011 e 2019 na Europa”.

“O mesmo se passa nas mercadorias. Duplicar os volumes de tráfego até 2050 é equivalente a um crescimento anual de 2%. Isto será facilmente ultrapassado pelo crescimento dos volumes num cenário de crescimento económico moderado”, acrescentou.

O dirigente nacional do PS esteve numa arruada no Entroncamento de apoio à recandidatura de Jorge Faria, atual presidente da autarquia. Foto: PS

Por isso, Pedro Nuno Santos defende que o cumprimento dos objetivos “só se conseguirá fazer com um investimento maciço, desde logo, investimento público”.

“Na ferrovia, em particular, na infraestrutura, é inevitável que o seja. Os montantes envolvidos, os prazos de retorno e o facto de a maioria dos benefícios serem externalidades faz com que o setor privado tenha dificuldade em assumir o investimento”, considerou.

Não querendo “de todo, menosprezar o papel do setor privado”, que tem “parceiros importantes”, o governante relevou o papel do investimento público por se tratar de “um esforço de uma escala tal em que apenas no conjunto de todos os envolvidos” será possível alcançar os resultados, defendeu.

“A escala de progresso que colocamos nas nossas ambições não será possível enquanto os níveis de investimento em toda a Europa permanecerem a níveis tão reduzidos como têm estado na última década”, vincou.

O ministro acrescentou ainda que os Planos de Recuperação e Resiliência, a implementar por toda a União Europeia, “são uma oportunidade para iniciar um novo ciclo de investimento” rumo ao “progresso”, e que “vá para lá da recuperação pós-pandemia”.

Ministro diz que trabalhadores da IP e da CP “têm razão” para fazer greve dia 08

O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, disse compreender os motivos da greve dos trabalhadores da CP – Comboios de Portugal e da Infraestruturas de Portugal (IP), marcada para 08 de outubro, afirmando que “têm razão”.

“Compreendo perfeitamente os trabalhadores. Acho que eles têm razão, e eu estou também na luta para conseguir o reconhecimento daquela gente, que está a fazer um trabalho fantástico pelo país e precisa de ser reconhecida”, disse o ministro na sexta-feira, à chegada ao Porto, na Train Summit – Green deal e Descarbonização, que decorreu numa carruagem integrada num comboio Intercidades Lisboa – Porto.

Pedro Nuno Santos disse também que os trabalhadores de manutenção da CP “ganham pouco” e que “o país tem de resolver isto”.

O dirigente nacional do PS esteve numa arruada no Entroncamento de apoio às candidaturas locais. Foto: PS

Já o vice-presidente da CP Pedro Moreira afirmou que a empresa tem “dificuldades em segurar os trabalhadores, muitas vezes, porque eles têm a noção que as empresas privadas pagam muito mais e reconhecem as capacidades e a experiência que eles têm em áreas técnicas, que são utilizadas não só na ferrovia mas também em outras áreas da indústria”.

Os trabalhadores da CP e da IP vão estar em greve no dia 08 de outubro, reivindicando o aumento dos salários, a revisão do Acordo da Empresa e a admissão de funcionários, anunciaram, em comunicado, na quinta-feira, os seus órgaos representativos.

Em causa está o aumento dos salários de todos os trabalhadores, que tenha em conta a atualização do salário mínimo nacional, bem como a “responsabilidade e conhecimento profissional exigidos”.

No documento, os representantes dos trabalhadores lembram que, após anos de congelamento, as atualizações salariais foram “insuficientes” e não acompanharam o crescimento do salário mínimo nacional.

Assim, existem categorias profissionais nas duas empresas que em 2000 tinham como salário base da sua carreira um valor de 185% do salário mínimo nacional, enquanto no topo da carreira essa relação era de 235%, quando hoje é de, respetivamente, 118% e 153%.

c/LUSA

 

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Agência de Notícias de Portugal

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