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Quarta-feira, Agosto 4, 2021

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Militares da NATO não podem usar ponte de Constância

A ponte que liga Constância-Sul a Vila Nova da Barquinha vai manter a interdição da passagem de viaturas pesadas e vai falhar ao contributo solicitado pela entidades militares para disponibilizar o acesso à maior operação militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) desde 2002, e que alguns analistas consideram mesmo que será a mais importante desde o final da Guerra Fria.

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O Campo Militar de Santa Margarida, em Constância, com o apoio do Aeródromo Militar de Tancos, em Vila Nova da Barquinha, são locais estratégicos neste exercício de larga escala, tendo havido movimentações de milhares de soldados e de material logístico nos últimos dias no âmbito de um exercício que vai decorrer até 6 de novembro e que envolve mais de 30 mil militares – seis mil dos quais portugueses.

A Infraestruturas de Portugal (IP) e as autarquias de Constância e Vila Nova da Barquinha, entidades gestoras da ponte da Praia do Ribatejo, travessia atualmente condicionada a uma faixa de circulação e a viaturas até 3,5 toneladas, decidiram que não estavam reunidas as condições de segurança para a reabertura, ainda que a título excecional, a veículos com tonelagem superior ao estipulado e sustentado em relatório técnico da IP.

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Fonte oficial militar confirmou à agência Lusa que a ponte da Praia “não vai ser utilizada” pelos militares, tendo acrescentado que “a travessia do rio Tejo por viaturas pesadas de transporte de pessoas só será efetuada pela ponte da Chamusca”, 30 quilómetros a montante.

A mesma fonte disse ainda que “o equipamento pesado de combate será deslocado através de uma ponte militar que vai ser montada no início de novembro, propositadamente para o efeito, na zona de Almourol”, freguesia de Tancos, Vila Nova da Barquinha, atravessando o Tejo e fazendo a ligação à zona do Arripiado, no concelho da Chamusca.

Dali, via Estrada Nacional (EN) 118, distam cerca de 5 quilómetros até ao Campo Militar de Santa Margarida, no concelho de Constância.

A presidente da Câmara Constância disse ao mediotejo.net que, no âmbito deste exercício, foi “contactada no sentido de permitir a passagem de veículos de transporte de militares com cerca de 7 toneladas, e ainda por uma empresa transportadora, com passagem diária de um veículo pesado de 40 toneladas”.

Júlia Amorim disse ainda que os contactos para reunir com a IP “nunca obtiveram resposta”, tendo manifestado “dúvidas” sobre a “legitimidade dos dois municípios, por si só, para excecionarem a passagem de veículos militares e civis” envolvidos neste grande exercício militar.

“Desconhecendo em detalhe o exercício, mas sendo expectável esta situação, lamento que não se tenha acautelado atempadamente este contratempo”, criticou.

A autarca lembrou que o município de Constância “há muitos anos vem alertando os sucessivos governos para a necessidade da existência de uma ponte que sirva a região e o país, pois os condicionalismos que esta apresenta são um estrangulamento, não só ao desenvolvimento económico mas também às atividades militares decorrentes da proximidade do Campo Militar de Santa Margarida, e das três unidades militares existentes em Tancos”.

O presidente da Câmara de Vila nova da Barquinha, Fernando Freire, disse ao mediotejo.net, por sua vez, ter “recebido um Ofício do Chefe de Estado-Maior do Exército a solicitar autorização para passagem de veículos de 6,2 toneladas”, peso de uma viatura de transporte de 27 lugares, a que “não pôde dar” provimento.

“Temos de respeitar o relatório técnico que não permite a circulação a veículos com mais de três toneladas e meia. Em caso de autorização para o período do exercício, a responsabilidade civil em caso de acidente seria imputada a quem, contrariando as normas técnicas, deu a devida autorização”, lembrou.

“A questão é simples: o proprietário da ponte, as Infraestruturas de Portugal (IP), dá o consentimento à sua utilização? Responderam que a gestão é dos municípios de Constância e da Barquinha. Ora, estes são meros administradores, até 2035, desta ponte. E são-no porque a Administração Central não se podia candidatar a fundos comunitários. Aí, por protocolo cederam o bem, provisoriamente. Acontece que a cedência vem enxertada com o ónus de limitação de circulação”, explica o autarca, que defendeu igualmente a construção de uma nova travessia do Tejo, “por razões ambientais, por razões de competitividade e por razões de justiça”.

Contactada pela Lusa, a IP disse que “a jurisdição do tabuleiro rodoviário da ponte de Constância pertence às autarquias de Vila Nova da Barquinha e Constância”, pelo que as “questões relacionadas com a circulação automóvel sobre a ponte devem ser dirigidas a estas edilidades”.

A Infraestruturas de Portugal disse ainda ter “participado em diversas reuniões com a Câmara de Constância e o Exército, no sentido de contribuir, dentro das suas competências, no apoio à realização deste exercício” militar internacional.

Neste âmbito, concluiu, “a IP procedeu à beneficiação ao nível do pavimento e reforço da sinalização do entroncamento da EN 118 para o Campo de Santa Margarida”.

*Com LUSA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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