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Quinta-feira, Janeiro 20, 2022
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“Milagres anunciados”, por Aurélio Lopes

Notícia recente dava conta do surgimento de um conveniente milagre (neste caso relacionado com a questão da fertilização feminina) entretanto incluído no processo, em curso, da beatificação de Lúcia de Jesus, a vidente de Fátima.

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Que o processo de Lúcia é inevitável e (à semelhança do acontecido com João Paulo II) deverá ser essencialmente breve, é algo que se deduz da necessidade premente de prestigiar a personagem que, afinal, esteve na origem do grande altar do mundo que Fátima hoje é.

Na origem e no posterior desenvolvimento assistido, podendo dizer-se, sem receio de errar muito, que tanto os testemunhos primevos como as posteriores adequações “memorizadas” assentam, quase exclusivamente nela.

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Dito de outra maneira, em termos causais /testemunhais e não só; Fátima é Lúcia!

Milagre que, pouco após a sua morte tive oportunidade de prever (e não consta que possua capacidades premonitórias transcendentais ou não) pois tal é, afinal, bem menos uma previsão e mais uma decorrência mais ou menos evidente e inevitável das respetivas circunstâncias.

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O problema, como também era dito, é que não se compreende que Lúcia  seja canonizada sem que os primos, que morreram oito ou nove décadas antes, o não sejam.

“Não se compreende que Lúcia seja canonizada sem que os primos, que morreram oito ou nove décadas antes, o não sejam”. Aurélio Lopes

Ora estes encontram-se encalhados no nível de beatos por razões a que também já me referi : pelo facto das duas crianças não constituírem hoje (e desde há muito tempo) focos místicos operativos.

De forma a puderem funcionar como elementos de solicitação de graças por parte dos crentes: cuja atitude devocional se dirige hoje, diretamente, à divindade.

Daí o impasse em que o processo de canonização dos ditos “pastorinhos de Fátima” se encontra.

Que fazer, então, com ele?

Naturalmente, dir-se-á, aceitar a canonização dos ditos mesmo na ausência do determinante  milagre comprobatório (um  milagre em que os mesmos estejam taumaturgicamente envolvidos), tal como, afinal, já admitiu o Cardeal português Saraiva Martins responsável pela Congregação da causa dos santos.

E pelos vistos têm que se despachar.

A canonização de Lúcia, como se previa, vem já aí!

Investigador universitário na área da cultura tradicional, especialmente no que respeita à Antropologia do Simbólico e à problemática do Sagrado e suas representações festivas, tem-se debruçado especialmente sobre práticas tradicionais comunitárias culturais e cultuais, nomeadamente no que concerne à religiosidade popular e suas relações sincréticas com raízes ancestrais e influências mutacionais modernas. É Licenciado em Antropologia Social, Mestre em Sociologia da Educação e Doutorado em Antropologia Cultural pelo ISCSP da Universidade Técnica de Lisboa.

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