Migrações: Primeiro bebé de casal refugiado nasce em maio em Ferreira do Zêzere

Foto: Fundação Maria Dias Ferreira

“Vemos, ouvimos e lemos … não podemos ignorar”. Foi este o lema que levou a Fundação Maria Dias Ferreira, de Ferreira do Zêzere, há uns meses atrás, a associar-se à Plataforma de Apoio aos Refugiados e a ser uma das mais de 100 instituições em todo o país que se disponibilizam para acolher uma família nestas condições.

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Foi no dia 17 de dezembro, há precisamente um mês, que chegou a Ferreira do Zêzere uma família de refugiados sírios, que abandonou tudo o que tinha para fugir a uma guerra que tem vindo a destruir o seu país, procurando encontrar um futuro melhor para os seus filhos.

A família é composta por Zacaria, um homem de 29 anos, por Abir, uma mulher de 19 anos, e pelo filho Yehia, de 10 meses. Abir está grávida de 5 meses, pelo que um novo membro da família vem a caminho, tudo apontando para que seja o primeiro a nascer em solo português, no próximo mês de maio.

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Segundo informação disponibilizada pela Fundação Maria Dias Ferreira, a instituição do Médio Tejo irá proporcionar o alojamento, a alimentação adequada, o apoio de saúde, a educação, a aprendizagem do português e a ajuda na integração laboral dos adultos que compõem este agregado familiar, assegurando todo o processo de acolhimento e integração ao longo de um ano, com um 2º ano de redução gradual de apoio, face à sua desejada autonomização progressiva.

As aulas de português já começaram, um aspeto considerado fundamental para uma boa integração.

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Segundo destaca a Fundação, a comunidade ferreirense tem uma boa tradição de hospitalidade para com famílias de outras nacionalidades, como é o caso das holandesas, alemãs ou ucranianas, pelo que se acredita que, também neste caso, não deixará de dar uma resposta positiva de acolhimento a esta jovem família.

Para fazer face a esta responsabilidade que a Fundação assumiu, todas as ajudas são bem-vindas. Sabendo que muitas pessoas gostariam de ajudar nesta questão dos refugiados mas não sabem como fazê-lo, a Fundação está a convidar todos aqueles que queiram ajudar esta família concreta, seja de que maneira for, a manifestar essa intenção através do mail refugiados.fmdf@gmail.com

Migrações: Um mês depois, refugiados aprendem português e primeiro bebé nasce em maio

Um mês após terem chegado a Portugal, os 24 refugiados já começaram a ter aulas de português, as crianças já estão na escola e o primeiro bebé de origem síria nascerá em maio em Ferreira do Zêzere.

Ao abrigo do Programa de Relocalização de Refugiados da União Europeia, Portugal recebeu, a 17 de dezembro, o primeiro grupo de 24 refugiados proveniente da Eritreia, Sudão, Iraque, Síria e Tunísia, que estavam nos centros de acolhimento da Grécia e de Itália.

“O primeiro mês de integração destas famílias está a correr como o planeado e previsto, ou seja, as famílias foram acomodadas pelas instituições anfitriãs nos seus locais de acolhimentos”, disse à agência Lusa o diretor do Serviço Jesuíta aos Refugiados (SJR), instituição que faz parte da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR).

André Costa Jorge adiantou que, nesta primeira fase, de acolhimento a prioridade é acolher os refugiados e garantir a articulação com os serviços competentes, como Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), saúde e educação, além de iniciarem a aprendizagem da língua portuguesa.

“Felizmente e, até à data, temos um registo muito positivo da fase de acolhimento com vista à integração”, afirmou, sublinhando que “uma das primeira prioridades é aprender o português”, uma vez que “é muito difícil para alguém que não domine a língua do país de acolhimento conseguir movimentar-se e fazer as coisas básicas”, como pedir um copo de água ou explicar-se no médico.

O diretor do SJR disse que é expetável que os refugiados falem razoavelmente português no final do primeiro ano.

Além da língua, apontou também como obstáculos à integração “todo o património de trauma psicológico”, o que leva, muitas vezes, a demorarem algum tempo a ter novamente confiança.

“Uma das dificuldades é o trauma, por um lado, e, por outro, o desajuste nas expetativas que vão encontrar no país de acolhimento, que faz com que o processo, pelo menos neste primeiro ano, seja mais duro”, realçou.

Das duas famílias acolhidas pela PAR, uma delas, proveniente do Iraque, está a viver no Laranjeiro e uma das duas crianças já está a frequentar a escola. A outra família, alojado em Ferreira do Zêzere, é de origem Síria, tem um bebé de 10 meses e o novo membro vai já nascer em Portugal, em maio, estando a mãe a receber todos os cuidados médicos de uma grávida.

O diretor do SJR destacou que, por acaso, o médico de família que está a acompanhar esta grávida é também de origem síria, o que facilita o processo de comunicação.

André Costa Jorge disse ainda que, em ambos os casos, está já a ser preparada a possibilidade de empregabilidade, estando a ser feitos os contactos com várias instituições.

O Conselho Português para os Refugiados (CPR) acolhe um casal e duas primas de 18 e 20 anos da Eritreia.

“Esta família está num processo de integração normal, como os outros requerentes de asilo e refugiados que chegam a Portugal. Está a ter progresso na aprendizagem do português”, disse à Lusa a presidente do CPR, Teresa Tito Morais, adiantando que este processo é lento.

Segundo Teresa Tito Morais, estes quatro refugiados vivem num apartamento e recebem um apoio financeiro para alimentação e transportes.

“A prioridade é terem, logo à partida, todo um conjunto de informações e simultaneamente começarem logo com as aulas de português”, disse, acrescentando que aos refugiados é dado a conhecer a zona onde estão inseridos, feito um acompanhamento para tratarem do processo de asilo e reencaminhá-los para os serviços de saúde.

Teresa Tito Morais afirmou ainda que, para já, não há, em termos de integração, resultados muito concretos, porque é cedo.

Ao abrigo deste programa, definido em setembro de 2015 pela UE, Portugal disponibilizou-se para acolher cerca de 4.500, tendo apenas chegado este primeiro grupo.

C/ LUSA

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