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Quarta-feira, Outubro 27, 2021

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“Melão”, por Armando Fernandes

Existem várias técnicas de adivinhação sobre as qualidades dos melões. Se bordejarmos as estradas onde as meloeiras e meloeiros vendem tão gostoso fruto de erva trepadeira, de formato ovalado, o melão, ou arredondado (a meloa), lhe pedirmos a escolha de um bom melão, sumarento, picante, recebemos sorrisos, depois vemos as apalpações, o recurso ao nariz, por fim entregam-nos o pedido e dizem: este é capaz de ser bom. Não assumem o risco da certeza. Os cínicos envolvidos na política costumam afirmar que os governos são como os melões, só depois de abertos sabemos aquilatar as suas qualidades.

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O melão é originário da Ásia, muitos séculos antes de Cristo vir à Terra já os chineses apreciavam melões, daí irradiaram para a Europa, logo cativaram o gosto de pobres e ricos, no entanto, como de costume os ricos mandaram aperfeiçoar as plantas, caso dos Papas, os quais sobre a sua égide se produziram os famosos Cantalupo (próximo de Roma), mais tarde em Avinhão (lembrem-se do cisma) levando-os a obter merecida fama dada a excelência da doçura.

Nós produzimos excelentes melões no Ribatejo e no Vale da Vilariça, entre outros lugares, existem diversas variedades e um sem número de receitas, desde sopas a acompanhamentos de carnes frias de charcutaria e aves, peixes fumados e em conserva, até às sobremesas com e sem queijos.

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O melão deve servir-se fresco, não gelado, há quem os deguste polvilhando-os com sal e pimenta preta moída, os sibaritas acrescentam-lhe pitadas de açúcar finamente refinado, tanto na fórmula de início da refeição, como sobremesa. O leitor, se conseguir um bom presunto, faça o favor de o cortar em fatias finíssimas e associe a gordura porcina ao melão. Se o fizer faça favor de não se entregar ao desfrute do pecado da gula.

Não aceite a prática de regar as talhadas de melão com vinho licoroso, prefira a salutar e velha fórmula: com melão, vinho de tostão. Ou seja: o melhor. Preconizo brancos da chancela TEJO. Que tal os elaborados com as estimadas castas Arinto e Fernão Pires? Sim, estou a restringir a duas castas por patriotismo, no próximo texto indicarei um especificamente.

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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