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Domingo, Agosto 1, 2021

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Torres Novas | Festas do Espírito Santo brilharam em regresso à Meia Via

As tradicionais Festas em Honra do Divino Espírito Santo, que decorreram na localidade de Meia Via, concelho de Torres Novas, entre 2 e 5 de junho, encerraram sem um novo juiz que assumisse a comissão durante o próximo ano. As festas já não eram realizadas há quatro anos devido a esse facto, mas espera-se que nos próximos dias alguém tenha a iniciativa de formar uma equipa. Com vários momentos cerimoniais e um ritual antigo associado, as Festas do Espírito Santo são uma marca identitária da Meia Via.

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A celebrarem-se os 350 anos do compromisso da Irmandade do Espírito Santo, Cândida Fanha não quis deixar passar a efeméride e, num ato de “ação de graças” que uniu outras datas e situações familiares, assumiu-se como juíza das Festas do Espírito Santo de 2017. O cargo “é duro”, reconheceu, e de grande responsabilidade, razão pela qual é tão difícil, ano após ano, encontrar pessoas com coragem para assumir a posição de juiz. Para além das angariações de fundos para a festa, há todo um conjunto de rituais a que a comissão organizada tem que obedecer. “Nem sempre se consegue reunir uma equipa de trabalho”, que exige “uma estrutura sólida”, que não desanime, constatou.

Coroa do juiz das Festas do Espírito Santo da Meia Via. Foto: mediotejo.net

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Visivelmente emocionada ao longo do encerramento das Festas do Espírito Santo, na segunda-feira, 5 de junho, Cândida Fanha agradeceu por isso a força da equipa que a acompanhou. Por diversas vezes perguntou ao povo presente se havia algum juiz que assumisse a coroa, mas ninguém se apresentou.

Ao mediotejo.net a juíza adiantou que o dinheiro angariado com estas Festas deverá ser destinado à compra de uma imagem em pedra de Nossa Senhora de Monserrate, marcando assim a elevação de Meia Via a paróquia, com devoção a esta padroeira. A escultura deverá ser colocada na empena superior da Igreja, junto à porta principal.

Sobre as Festas deixou um balanço muito positivo. “É a melhor coisa que podemos fazer pelo povo e é o melhor reconhecimento com o passado e um passar de testemunho para o futuro”, frisou.

Uma das iniciativas da comissão encabeça por Cândida Fanha foi a publicação de um livro sobre os 350 anos da sua realização das Festas do Espírito Santo, da autoria de José Lúcio, um meiaviense de 68 anos. Desde os anos 90 que tem guardada uma investigação sobre a história desta tradição, com uma cópia do compromisso da Irmandade do Espírito Santo (assinado em 1667, os termos dos estatutos só em 1668 foram apresentados à autoridade eclesiástica), nomes de juízes e fotos dos eventos do último século. Conforme descobriu, as festas tiveram os seus altos e baixos, acabando por ser sempre retomadas.

José Lúcio é autor do livro sobre os 350 anos das Festas do Espírito Santo da Meia Via. Foto: mediotejo.net

“Entendi que isto tinha que ficar registado para memória futura”, explicou ao mediotejo.net, comentando que o jornal O Almonda tem apenas breves referências ao evento a cada ano que este se realizava. Juntou depois memórias de pessoas idosas, fotografias antigas, tentando fazer o levantamento dos juízes pelo menos desde 1900. Obteve o nome de 70, o primeiro de 1903. A primeira foto da cerca de meia centena que recolheu é das festas de 1928.

José Lúcio não é um historiador, apenas um apaixonado por esta parte da história da sua terra, que quis preservar. “Como todas as festas, os tempos têm influência”, constata, não se tendo estas realizado em tempos de crise, de guerra, quando os jovens eram chamados para a tropa ou quando havia algum problema entre as entidades envolvidas com a sua organização. “O meu pai tomou a coroa de juiz em 1977 e acabei por ficar integrado”, explica.

A história da Irmandade do Espírito Santo vem do século XVII, que uma vez por ano distribuía o bodo aos pobres. Esta Irmandade é hoje representada pela comissão de festas, que preserva ainda algumas das suas obrigações. Entre elas a de alumiar a missa em todos os feriados de dias santos.

Da memória ficou a existência de uma coroa, adornada com uma fita de cada um dos seus juízes. Parte delas, refere o José Lúcio, tem destino incerto, havendo no momento 55 fitas.

O restante ritual foi-se transformando. Não se distribui pão aos pobres, mas mantém-se a tradição da realização de um cortejo, “semelhante ao dos tabuleiros de Tomar”, em que o pão é benzido. O pão é depois recolhido e usado nos comes e bebes. Na Meia Via os tabuleiros também são mais personalizados que no concelho vizinho, salienta.

Não houve juiz para as Festas do Espírito Santo de Meia Via. Procissão de encerramento

Publicado por mediotejo.net em Segunda-feira, 5 de Junho de 2017

Encerradas as Festas, a coroa regressou em procissão para Igreja, pela mão de Cândida Fanha. Aguarda-se novo juiz que queira manter viva a tradição.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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