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Segunda-feira, Dezembro 6, 2021
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Mega-operação da PJ fez buscas no Entroncamento devido a tráfico de “diamantes de sangue” por militares

Diamantes, ouro e droga terão sido trazidos para a Europa por militares portugueses destacados em missões na República Centro Africana, tendo a maioria dos batalhões realizado os aprontamentos em Santa Margarida, Tancos e Tomar. 

É uma das maiores operações de sempre da Polícia Judiciária: 320 inspetores e peritos fizeram hoje buscas em mais de 100 locais, em vários pontos do país. O Entroncamento foi um dos alvos dos mandatos judiciais, visando a recolha de provas relacionada com uma organização criminosa que, segundo avançou a TVI, será formada por militares e ex-militares portugueses, nomeadamente Comandos, que estiveram destacados na República Centro Africana no âmbito da MINUSCA, Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana, que visa a proteção dos civis naquele país, em guerra desde 2013.

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Além do Entroncamento, a PJ adianta em comunicado que as buscas decorreram nas regiões de Lisboa, Funchal, Bragança, Porto de Mós, Setúbal, Beja e Faro.

Esta rede, segundo a investigação iniciada há já dois anos, obteve “proveitos ilícitos através de contrabando de diamantes e ouro, tráfico de estupefacientes, contrafação e passagem de moeda falsa, acessos ilegítimos e burlas informáticas, tendo por objetivo o branqueamento de capitais”, refere a PJ na nota enviada às redações.

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Os militares e ex-militares agora investigados pela PJ trariam, além de diamantes, também ouro e drogas a bordo dos aviões militares, cuja carga não é fiscalizada. Depois, por via terrestre, iam comercializá-los em Antuérpia, na Bélgica – apesar de todas as leis aprovadas na última década visando acabar com o negócio dos chamados “diamantes de sangue”, oriundos de países em conflito e onde impera a exploração escrava de trabalhadores. Os lucros das vendas destes diamantes são também muitas vezes utilizados para o financiamento das guerras em curso.

O Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA) emitiu entretanto uma nota de imprensa esclarecendo que “em dezembro de 2019 foi reportado ao Comandante da 6ª Força Nacional Destacada (FND) na República Centro Africana (MINUSCA) o eventual envolvimento de militares portugueses no tráfico de diamantes”. 

Tenente-Coronel Victor Sérgio Antunes Gomes, comandantes da 6ª Força Nacional Destacada / MINUSCA. Foto: Exército Português

O comandante da FND “relatou prontamente ao EMGFA a situação, tendo esta sido de imediato denunciada à Polícia Judiciária Militar para investigação”, refere o comunicado, acrescentando que, além disso, o EMGFA “mandou reforçar os procedimentos de controlo e verificação à chegada dos militares das FND e respetivas cargas”.

Portugal tem militares destacados em missões na República Centro Africana desde 2017, tendo a maioria dos batalhões realizado os aprontamentos em Santa Margarida, Tancos e Tomar. 

Entrega do estandarte nacional à 6ª Força Nacional Destacada para a República Centro Africana, em Tomar (2019) Foto: Joana Rita Santos/mediotejo.net

A guerra civil na República Centro Africana teve início em 2012-2013 após um golpe de Estado dos rebeldes do grupo Seleka, de maioria muçulmana, que depuseram o Presidente François Bozizé, seguindo-se a resposta armada de várias milícias, predominantemente cristãs. Mais de 600 mil civis fugiram do país, refugiando-se sobretudo nos países vizinhos  (Sudão, Congo e Camarões), e 75% da população vive na mais absoluta pobreza, dependente de ajuda humanitária internacional.

Em 2019 o Presidente Touadera conseguiu sentar à mesma mesa os 14 maiores grupos rebeldes e estabelecer pontos para o fim da violência, marcando eleições presidenciais para 2020 e eleições legislativas para 2021. Apesar de alguns confrontos, esse processo de estabilização política foi concluído em junho deste ano, mas a paz ainda é frágil. 

A última missão oficial da MINUSCA terminava na próxima semana, a 15 de novembro. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, considerou que o envolvimento dos capacetes azuis deveria continuar, tal como solicitado ao Conselho de Segurança da ONU pelo Presidente da República Centro Africana.

Portugal tem a postos a 10ª Força Nacional Destacada para aquele país, tendo o batalhão recebido o estandarte nacional a 30 de setembro. 

Sou diretora do jornal mediotejo.net e da revista Ponto, e diretora editorial da Médio Tejo Edições / Origami Livros. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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