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Médio Tejo | Volume de água não faturada aumenta na região devido aos incêndios

Em nove dos 13 Municípios da região do Médio Tejo, o volume de água não faturada em 2017 aumentou relativamente a 2016, revela o relatório anual da Entidade Reguladora dos Serviço de Águas e Resíduos (ERSAR), publicado no final de dezembro.

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Se, por um lado, Municípios como Alcanena estão no Top 20 dos que têm melhores resultados (apenas 17,1% de água não faturada), outros três (Ferreira do Zêzere, Vila de Rei e Mação) registam mais de 50 por cento de água não faturada.

Há uma razão principal para o aumento destas estatísticas, e que tem a ver com os incêndios. Num ano de seca e em que se registaram vários fogos florestais de grandes proporções na nossa região, verificou-se um aumento do consumo de água para combate às chamas.Esta explicação é avançada pelo diretor delegado dos Serviços Municipalizados de Tomar, Francisco Marques, relativamente ao aumento de 43,3% em 2016 para 47,5% de água não faturada no seu concelho, em 2017.

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O engenheiro responsável pelos SMAS realça este “fator extraordinário”, que teve implicações no consumo autorizado mas não faturado. E dá o exemplo de um incêndio registado há uns anos na Sabacheira que esvaziou praticamente todos os depósitos da freguesia.

Apesar de haver um sistema de captação de água no rio Nabão, junto ao mercado municipal de Tomar, que serve para abastecer os autotanques, quando há um incêndio em zona florestal os bombeiros utilizam as bocas de incêndios e os reservatórios mais próximos.

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A juntar a este fator, existem as chamadas perdas reais (físicas) derivadas de roturas nas condutas e ramais e as perdas aparentes (roubos, ilícitos e submedição provocada por exemplo pela presença de calcário nos contadores).

No caso de Tomar, a perda de água provocada por roturas não chega aos 20 por cento. O mesmo acontece com o consumo ilícito que se regista mais na primavera e verão devido às regas e ao enchimento de piscinas com água não faturada. Francisco Marques reconhece que os chamados “consumos ilícitos” de água são muito frequentes e por vezes difíceis de fiscalizar.

Quanto ao aumento do volume de água não faturada, justificado sobretudo pelo combate aos incêndios, o técnico responsável pelos SMAS lamenta que as Autarquias tenham de pagar essa água às entidades fornecedoras – no caso de Tomar, a EPAL e Águas de Lisboa e Vale do Tejo. Na prática, “são as Câmaras a subsidiar a Proteção Civil”, serviço que compete ao Estado, critica.

Foto de arquivo

Para que os bombeiros não tivessem de utilizar água da rede no combate aos incêndios, seria necessária a instalação de uma rede paralela, o que Francisco Marques considera ser difícil de concretizar.

Certo é que, a nível nacional, o volume de água não faturada cresceu de 29,8% para 30,2%, com cerca de metade dos concelhos (48,2%) a revelar piores resultados em 2017. A ERSAR contabiliza 256,6 milhões de metros cúbicos (m3) de água não faturada, mais 15,7 milhões de m3 do que em 2016, água suficiente para encher 281 piscinas olímpicas por dia.

  % de água não faturada 2016 % de água não faturada 2017
Abrantes 24,4 % 21,0%
Alcanena 13,5% 17,1%
Constância 28,4 % 36,4%
Entroncamento 41,8 % 42,7%
Ferreira do Zêzere 58,7% 57,7%
Mação 69% % 70,2%
Ourém 27,8 % 25,6%
Sardoal 43,4 % 46,9%
Sertã 44,1 % 47,8%
Tomar 43,3 % 47,5%
Torres Novas 33,5% 32,4%
Vila de Rei 27% % 56,2%
VN Barquinha 36,6 % 37,3%

Fonte: Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR)

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José Gaio
Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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