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Terça-feira, Setembro 28, 2021

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Médio Tejo | Violant: Muralismo versus Moralismo (c/fotos e vídeo)

A Street Art de Violant pulou fronteiras regionais e além dos murais de grande escala que marcam o seu trabalho e as paisagens um pouco por todo o país, as tintas e os extensores já viajaram até à Polónia e à Bélgica. Pela região, encontramos obras suas em Torres Novas, Abrantes, Constância, Tomar ou Entroncamento e, mais recentemente, em Vila Nova da Barquinha, onde tem dado forma ao projeto ARTEJO juntamente com Vihls, Manuel João Vieira e Carlos Vicente.

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Entre as obras que desenvolveu, sozinho ou com outros artistas envolvidos no programa Arte Pública, da Fundação EDP, encontra-se a que está a criar no Cardal desde o passado mês de junho e cujos traços acompanhámos desde o primeiro minuto. Fomos repetindo as visitas e falando sobre o seu trabalho e a vida que o levaram a tornar-se conhecido no mundo da Street Art com o nome “desenterrado” das fichas de obituário que teve como função digitalizar durante as obras do cemitério.

No primeiro encontro, esclarecemos a dúvida de onde surgiu a assinatura que surge debaixo da caveira com que identifica as suas obras. E, não, deixem-se de estrangeirismos porque lê-se com “e” no final. Quando ainda era só João Maurício na terra natal, os Riachos, no concelho de Torres Novas, não foi uma criança prodígio do mundo das artes, rabiscou como qualquer miúdo, chegou a ir para a área de científico-natural e ainda passou pela das relações públicas, marketing e publicidade antes de estudar até ter o mestrado ligado às artes.

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Um dos momentos de criação da obra. Foto: mediotejo.net

Foi ainda entre os desenhos infantis que descobriu o significado da morte e, depois de ir a correr para junto da mãe com lágrimas nos olhos a pedir-lhe para não dar ouvidos à figura de capuz preto caso lhe aparecesse, tomou consciência de que o tempo é para ser aproveitado. Convicção que se foi fortalecendo com o avançar da idade e que mantém hoje em dia, prestes a fazer 30 anos neste domingo, dia 21.

Viver a vida da melhor forma, com a consciência de tudo o que nela existe de bom e de mau, apesar da maioria das pessoas, diz, ignorar o mal “de forma ponderada”. Defende ser “preciso chamar a atenção para serem confrontadas” e é por isso que pega nas tintas e nos extensores e transforma paredes em mensagens. Têm consciência de que ganharia mais se pintasse flores, mas prefere pintar temas desconcertantes para mostrar que essas flores podem desaparecer.

Foto: mediotejo.net

A obra que está a criar no Cardal, a terra que foi buscar o nome aos terrenos onde nascem os cardos e a Street Art surgiu para espicaçar consciências, é disso exemplo. O muralismo defronta o (falso) moralismo no posto de transformação da EDP, alertando quem passa com um cenário desconcertante marcado pela destruição. Um mundo destroçado que ninguém quer fora das paredes, mas que, segundo o Violant, pode tornar-se realidade se os comportamentos não mudarem entretanto.

Os traços que faz não deixam de ter um pouco se si próprio, partindo de referências alheias, nomeadamente a mitologia, e pessoais, usando metáforas para transmitir a sua mensagem através do que gosta de fazer, pintar. Não é fácil, admite, e confirma que a Street Art ainda é menosprezada, com os artistas a serem, muitas vezes, vistos com “ferramentas” para atingir políticos e não só. Prefere manter-se fiel a si mesmo, mesmo que isso exija “ser poupadinho”.

Trocos contados, trocam-se as voltas à vida na qual se considera sortudo por ter encontrado na Street Art “uma coisa em que me posso perder”. E perde-se em grande, nos murais que o vão fazendo conquistar um lugar no mundo e nesta obra mais pequena, apenas em dimensão, que ainda não está concluída. Mesmo assim, não quer ser visto como “menino talentoso”, quer respeito pelo trabalho, não tem interesse pela fama financiada e prefere que, daqui a 100 anos, se alguém falar dele, que diga “viveu”.

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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