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Terça-feira, Agosto 3, 2021

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Médio Tejo | Srs. Presidentes, até onde chegam os Caminhos (projeto CIM Médio Tejo)?

A Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo criou novos “Caminhos” que prometem dinamizar o seu território de intervenção através da cultura. Os Caminhos da Água, segundo dos três momentos que integram o programa anual, tiveram início na passada quinta-feira, dia 13, e envolvem sete os concelhos unidos pelos rios que atravessam o Médio Tejo. Contactámos os seus presidentes de câmara e pedimos para nos falarem da dimensão desta rede de itinerância cultural.

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O objetivo da nova rede de itinerância cultural da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIM do Médio Tejo) é promover uma oferta artística coordenada na região e conjugá-la com o património material e imaterial de cada município, envolvendo as populações locais e potenciando o turismo regional. O mote escolhido foi “Médio Tejo – Uma região a caminho” e para o materializar foram selecionadas três formas de ligação entre os 13 concelhos (vias férreas, rios e estradas) que dão nome a três roteiros culturais realizados em alturas diferentes do ano.

O projeto teve início com os Caminhos do Ferro (vias férreas) nos municípios de Abrantes, Entroncamento, Mação, Tomar e Vila Nova da Barquinha e regressou no passado dia 13 de julho com os Caminhos da Água (rios), que são percorridos até ao este domingo. Os municípios de Abrantes e Mação voltam a fazer parte do itinerário que, no segundo momento, passou a incluir Alcanena, Constância, Ferreira do Zêzere, Sertã e Vila de Rei, estando a “estreia” de Ourém, Sardoal e Torres Novas agendada para outubro nos Caminhos da Pedra (estradas).

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Contactámos os presidentes das câmaras municipais que integram o programa dos Caminhos da Água para que nos falassem sobre a rede de itinerância cultural “Caminhos” e de que forma esta contribui para o desenvolvimento do seu concelho e da região. Maria do Céu Albuquerque (Abrantes), Fernanda Asseiceira (Alcanena), Júlia Amorim (Constância), Jacinto Lopes (Ferreira do Zêzere), Vasco Estrela (Mação) e Ricardo Aires (Vila de Rei) aceitaram o desafio e, até à data, aguardamos a resposta de José Farinha Nunes (Sertã).

Os Caminhos da Água percorrem sete concelhos com propostas em diversas áreas artísticas. Fotos: DR

O que diferencia então o projeto da CIM do Médio Tejo? Os seis são unânimes na inovação da criação de uma rede com os 13 municípios atendendo às especificidades de cada um. Júlia Amorim salienta a fusão das ideias “rota e de processo” e de “aprendizagem e de transformação” num processo que, nas palavras de Maria do Céu Albuquerque, gera um “mapeamento cultural da região” que permite desenvolver uma base de dados coordenada e acessível, a par do estímulo ao trabalho conjunto entre autarquias.

Iniciativa que, a nível regional, para Jacinto Lopes, se traduz numa “estratégia comum para toda a região” que valoriza o território. A nível local, Fernanda Asseiceira e Vasco Estrela referem a vertente artística enquanto meio de potenciar de forma integrada os traços identitários de cada concelho, marcados pela “diversidade e riqueza” apontadas pela primeira e que ganham novas perspetivas ao serem abordados com um “distanciamento importante que nem sempre se tem pelos de dentro”, nas palavras do segundo.

E que novas portas se abrem para cada concelho nestes novos caminhos? As respostas dos seis autarcas focam os contributos do projeto para a cultura, a população, o turismo e a economia. O ponto que gera maior concordância é o enriquecimento e a diversificação da programação cultural referidos por Alcanena, Ferreira do Zêzere, Mação e Vila de Rei. Aposta que terá reflexos na qualificação do tecido cultural em Constância e da massa crítica em Abrantes.

Alcanena considera importante o envolvimento da comunidade local e Ferreira do Zêzere e Constância partilham a convicção de que os “Caminhos” fidelizam e formam públicos, tal como potenciam o desenvolvimento turístico. Desenvolvimento, dizem, com consequências positivas nas finanças locais às quais Mação acrescenta os ganhos implícitos numa oferta cultural estruturada com base em economia de escala.

O mapa global dos Caminhos e o programa dos Caminhos da Água. Fotos: DR

É então este “o caminho” para o desenvolvimento da cultura (e não só) na região do Médio Tejo? Para os seis presidentes de câmara a importância da nova rede de itinerância cultural reside no trabalho conjunto dos 13 concelhos envolvidos. Fernanda Asseiceira, Vasco Estrela e Maria do Céu Albuquerque consideram tratar-se de um passo entre outros na caminhada conjunta que, segundo Jacinto Lopes e Ricardo Aires, poderá ser alargada a outras áreas. Novas rotas para desbravar partindo do projeto da CIM do Médio Tejo a que Júlia Amorim se refere como um “sentido de descoberta” benéfico para habitantes e visitantes/turistas.

Os Caminhos da Água terminam no este domingo, dia 16, e as propostas culturais dos dois últimos dias incluem sugestões de percursos artísticos, música, dança e teatro. No primeiro caso, Marina Palácio e Luís Carmelo despediram-se da região e é possível percorrer as criações de Ana Trincão em Constância (“Ância”), Gustavo Costa em Vila de Rei (“Sonoscopia”), Paulo Condessa na Sertã (“Coração Grande”), Susana Domingos Gaspar em Alcanena (“Catálaga”) e Tiago Correia e Ferreira do Zêzere (“AudioWalk”).

A música percorre os caminhos nos dois dias com o som de Lavoisier na Gruta de Avecasta (Ferreira do Zêzere), Capicua/Pedro Geraldes com o projeto “Mão Verde” na Casa da Cultura da Sertã, Luís Carmelo e Nuno Mourão com as “Contatinas” na Praça dos Combatentes (Mação) e no Museu de Aguarela Roque Gameiro (Alcanena), Drama&Beiço na praia fluvial do Bostelim (Vila de Rei) e Batida no Anfiteatro dos Rios (Constância).

A dança surge no sábado com os espetáculos “Human Brush” de Vincent Glowinski em Constância (Quinta Dona Maria) e o “Baile dos Candeeiros” da Radar 360º em Alcanena (Jardim das Lagoas). Quanto ao teatro, a companhia Teatro de Ferro apresenta “Olo – Um solo sem S” em Abrantes (Cineteatro São Pedro) nos dois dias e a “Carripana” da companhia LAMA estaciona no sábado em Alcanena (Praça 8 de Maio) e Mação (praia fluvial de Ortiga) e no domingo em Constância (Parque Ambiental de Santa Margarida) e Ferreira do Zêzere (praia Fluvial da Castanheira / Lago Azul).

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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