Médio Tejo | Região perdeu cerca de 400 bombeiros em 10 anos

Entre 2005 e 2015, os 13 municípios do Médio Tejo perderam 419 bombeiros, segundo dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística. Em todos os concelhos se verificou uma diminuição do número de bombeiros, havendo corporações que ficaram reduzidas a metade.

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Por exemplo, Entroncamento tinha 100 bombeiros em 2005 e uma década depois o efetivo ficou reduzido a 46 elementos. Abrantes é outro caso em que a corporação ficou praticamente reduzida a metade. Numa década passou de 101 para 52 bombeiros.

Sardoal foi o concelho que mais conseguiu manter o efetivo. No mesmo período de tempo, regista apenas um bombeiro a menos (ver tabela).

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No Médio Tejo, o concelho com maior número de bombeiros (253) é Ourém porque além do quartel na sede do concelho, mantém as corporações de Caxarias e Fátima e as secções de Espite e Freixianda.

Os dados do INE baseiam-se no inquérito ao Ambiente – Ação dos Corpos de Bombeiros, no inquérito às Entidades Detentoras de Corpos de Bombeiros e na informação administrativa da Autoridade Nacional de Proteção Civil.

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Número de bombeiros na região do Médio Tejo

2005 2015
Abrantes 101 52
Alcanena 157 88
Constância 84 73
Entroncamento 100 46
Ferreira do Zêzere 87 52
Mação 59 54
Ourém 307 253
Sardoal 64 63
Sertã 176 173
Tomar 89 76
Torres Novas 134 100
Vila de Rei 91 47
V. N. da Barquinha 95 48
Médio Tejo 1 544 1 125

Fonte: INE

Possíveis explicações

Para Pedro Mendes, responsável pela Proteção Civil do município de Ferreira do Zêzere e antigo comandante dos bombeiros, há razões de natureza legislativa e social que podem explicar este problema.

“Alguns Municípios vêm tentando cativar jovens com atribuição de benefícios diversos, no âmbito das suas competências municipais, para ingressarem como voluntários, mas a falta de “escola ou sensibilidade” para tal não os cativa muito e acabam por desistir ao verificarem os longos meses de formação sem poderem fazer atividade externa, mesmo que acompanhados”, refere o nosso interlocutor.

Além disso, “a redução de natalidade e que se confirma no encerramento de estabelecimentos de ensino básico no interior são refletidos também na redução de novos candidatos a bombeiros”.

A juntar à “menor base de recrutamento potencial, menor sensibilidade, menor sentido de responsabilidade social e partilha”, acresce uma “maior exigência para se servir voluntariamente em quantidade não escalonada corretamente, mais burocratização da atividade dos Bombeiros e das suas estruturas por imposições legais e maior exigência face ao número e tipologia de socorro a prestar”.

Pedro Mendes acrescenta que as exigências legais de mínimos de formação para se iniciar a carreira de bombeiro voluntário e “um corrupio de alterações legislativas”, também não têm sido benéficas para atrair voluntários.

O responsável critica ainda a passagem dos Bombeiros para a “tutela” da Autoridade Nacional de Proteção Civil que coloca os bombeiros “quase como funcionários do estado, embora dependentes de Câmara Municipais ou Associações Humanitárias”.

Na opinião de Pedro Mendes, para que não se continue a verificar uma redução no número de bombeiros, torna-se urgente “uma tomada de atitude pelos responsáveis políticos, ouvindo diretamente as bases voluntárias e autárquicas”.

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