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Sexta-feira, Outubro 22, 2021

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Médio Tejo | Promotores do ‘Projeto Tejo’ falam em “sucesso contagiante”

Passados seis meses sobre o lançamento do Projeto Tejo, os seus promotores fazem um balanço positivo e entusiasmante a ver pelo interesse demonstrado e pelo acolhimento que o projeto está a registar.

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Além de reuniões com governantes, autarcas, ambientalistas, empresários, entre outros, os promotores estão a criar uma Associação, a Mais Tejo – Associação para a Promoção do Desenvolvimento Sustentável do Tejo. Entretanto desenvolvem campanhas de angariação de fundos para se avançar com os Estudos Preliminares necessários e preparam um filme promocional a estrear na AGROGLOBAL, certame a realizar de 5 a 7 de setembro em Santarém.

‘Projeto Tejo – Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos do Tejo e Oeste’

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Manuel Holstein Campilho, Jorge Avelar Froes e Miguel Holstein Campilho são os especialistas principais rostos do “Projeto Tejo – Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos do Tejo e Oeste”, um investimento de 4,5 mil milhões de euros, que pretende fornecer água a 300 mil hectares das regiões do Ribatejo, Oeste e Setúbal nos próximos 30 anos.

Lançado a 20 de fevereiro deste ano, o Projeto Tejo tem feito desde aí o seu percurso, com inúmeros encontros de apresentação e esclarecimento.

Os promotores foram recebidos pelo Presidente da República, os Ministros e Secretários de Estado da Agricultura e do Ambiente, Partidos Políticos, Comissão de Agricultura da Assembleia da República, entre outros.

No terreno, tiveram encontros com Câmaras Municipais interessadas (incluindo a Câmara Municipal do Gavião, a seu pedido, uma vez que a Autarquia pretende que o Projeto cresça para montante), as Comunidades Intermunicipais, CCDRLVT, AIP, DRAPLVT, Associações de Desenvolvimento Local, Bancos (Millennium, Santander, BPI, BIC), Delloitte e outras organizações.

Em termos de apresentações do projeto, realizaram sessões no Ribatejo, Médio Tejo, Oeste e Setúbal, à CAP, a Associações de Agricultores e Produtores, Escola Superior Agrária de Santarém, Ordem dos Engenheiros de Santarém e Instituto Superior de Agronomia,

Prosseguindo o balanço dos primeiros meses de atividade, os promotores reuniram também com alguns dos principais “players” do Tejo, a ETE (Empresa de Tráfego e Estiva) a EPAL e a EDP. Em relação à EDP, houve duas reuniões, uma delas técnica, dado o interesse mostrado numa eventual colaboração com o Projeto.

Em abril, o projeto foi apresentado aos dirigentes da Associação Ambientalista PROTEJO e entretanto foi recebido um convite para participação num colóquio sobre o Tejo, em outubro.

Os argumentos para as principais questões levantadas

O grupo promotor do Projeto Tejo refere que o sucesso tem sido “contagiante”, com muita “passa palavra” e pedidos para o apresentar noutros locais. Dizem notar algum “bairrismo (típico do Ribatejo)” que se concretiza em questões do género: “porquê dar água ao Oeste e a Setúbal?”, “o açude deve ser aqui e não no vizinho”, e algumas dúvidas “locais” do tipo “a minha terra é inundada?, “ a água chega acolá?”.

Uma das questões levantadas é o elevado custo de investimento (4,5 mil ME), ao que argumentam que “o investimento terá que ser público (como acontece com os restantes regadios, nomeadamente o Alqueva), que é para ser feito a 30/40 anos, o que dá 120 M€ /ano (semelhante ao Alqueva) que parte do investimento (15 a 20%) é “não agrícola” (recursos a diferentes linhas de crédito)”.

Por outro lado, “estão previstos Estudos Económicos que verificarão a viabilidade económica do Projeto (esperamos mesmo que estes estudos provém ser viável o investimento privado nas infraestruturas e equipamentos, ao contrário do Alqueva, que é totalmente público. Basta ver que o custo da água (exploração, sem investimento) no Projeto Tejo deverá ser cerca de 25% mais barato do que no Alqueva, o que poderá dar “margem” para o investimento privado)”.

Questão levantada por pessoas preocupadas com o Ambiente é a alteração do rio em resultado da instalação de Açudes: assoreamento, redução fauna fluvial. É explicado que “os açudes das Lezírias estão totalmente rebatidos durante o Inverno, funcionando o rio como em regime natural, transportando as areias para jusante e deixando subir os peixes. Durante o Verão, os açudes sobem, mas não há transporte de areias significativo nesta época do ano e as Escadas de Peixe a instalar nos açudes permitem a sua passagem para montante”.

Entretanto, “estão previstos Estudos Ambientais que, entre outros temas, tratarão destes devidamente (até porque o Projeto Tejo tem interesse, a todos os níveis, incluindo o económico, em que não haja assoreamento e que haja peixes)”.

Outro problema levantado nas apresentações, nomeadamente por técnicos e pelo próprio Ministro da Agricultura, tem a ver com a disponibilidade de água para regar uma tão grande área (300 mil ha).

“Os estudos já feitos mostram, com base em dados oficiais (SNIRH, Plano de Bacia Hidrográfica do Tejo, etc.) que há recursos disponíveis, e a “grande“ resposta é o uso da água das barragens geridas pela EDP no período seco (meio de junho a meio de setembro) e/ou a construção de novas barragens (Alvito), caso a EDP não disponibilize, pelo menos na totalidade, os volumes necessários”, explicam os promotores.

Acrescentam que “estão previstos estudos técnicos que, entre outros temas, tratarão deste “Balanço Hídrico” abrangendo um período largo (70 ou mais anos) e tendo em conta os vários cenários relativos às Alterações Climáticas (aumento da temperatura, redução/concentração da precipitação / escoamento / infiltração).

Fase de angariação de fundos

Nesta altura, os dinamizadores do Projeto Tejo estão numa fase de angariação de fundos para avançar com os Estudos Preliminares necessários a dar “substância” ao Plano e a rebater algumas dúvidas colocadas pelas pessoas (água suficiente para rega, assoreamento do rio, etc.).

Obtido 1/4 da verba necessária vão avançar em outubro com os primeiros estudos, nomeadamente o Balanço Hídrico (para provar que os caudais disponíveis são suficientes quando combinados com as barragens (existentes e/ou a construir) nos afluentes) e a localização, caracterização e custo dos açudes previstos (para provar que não inundam os terrenos agrícolas marginais, que criam a “estrada de água” que permitirá a navegabilidade, e que terão custos aceitáveis).

Os responsáveis pelo Projeto Tejo podem ser contactados através do endereço da Associação de Agricultores do Ribatejo (Rua de Santa Margarida, nº 1 A, 2000-114  Santarém) ou pelo email projeto.tejo@gmail.com

 

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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