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Quarta-feira, Junho 16, 2021

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Médio Tejo | Projeto de reconversão da central do Pego “tem impacto em toda a região” – CIM (C/VIDEO)

A presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo destacou a importância da Central Termoelétrica do Pego (Abrantes) no contexto sócio-económico da região, tendo manifestado o agrado com o plano faseado de reconversão da central a carvão para um centro produtor de energia verde, projeto apresentado recentemente, com destaque para a biomassa, numa fase inicial, e o hidrogénio, como principal fator de produção numa fase posterior.

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“Em primeiro lugar, obviamente que ficámos muito contentes de finalmente aquilo que era um projeto que vinha sendo trabalhado há mais de dois anos visse a luz do dia e que toda a comunidade do Médio Tejo percebesse e tivesse conhecimento daquilo que se pretende fazer na Central do Pego. Dizer que, apesar de a Central do Pego estar implementada em Abrantes, ela tem impacto em toda a região do Médio Tejo”, disse Anabela Freitas, presidente da CIM Médio Tejo e também do município de Tomar.

“É um plano que tem vindo a ser falado com a Câmara de Abrantes, mas também em articulação com a Comunidade Intermunicipal, e há aqui um plano faseado – numa primeira fase em biomassa e depois a transformação para hidrogénio”, notou a responsável, destacando a aposta da CIM no hidrogénio.

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“Relembrar que a região do Médio Tejo é uma região considerada a nível europeu e reconhecida pela Comissão Europeia como uma região hidrogénio e, portanto, este projeto, que também percebemos que não pode haver uma transição do carvão direta para o hidrogénio, está bem delineado por fases por forma a aproveitar também aquilo que são os fundos comunitários, nomeadamente o fundo de transição justa, o próprio Plano de Recuperação e Resiliência e depois o próximo quadro comunitário de apoio (2030)”, notou.

A importância da Central do Pego em Abrantes e na região envolvente ao longo dos últimos 30 anos, além de se constituir como o maior centro produtor de energia a nível nacional, destaca-se na criação de emprego e dinamização da economia local, pelo que o projeto de transição que aponta para a sua continuidade na produção de energia, indo ao encontro de necessidades da região e do país, é visto com agrado pelas forças vivas da região.

“Há aqui um mix energético. A importância das várias energias que compõem este mix vão-se alterando ao longo do tempo do projeto. Nesta primeira fase, será efetivamente a questão eólica e a questão da biomassa que depois, se correr como planeado e dentro daquilo que é o conhecimento que temos, terão uma redução de importância face ao hidrogénio. Porque sendo uma região hidrogénio, há fundos comunitários que vêm especificamente para o hidrogénio e, portanto, a central está a posicionar-se neste momento para poder ser um dos recetores desses fundos comunitários”, afirmou.

“A médio prazo ganhará, se tudo correr conforme planeado, o hidrogénio. Não para já”, notou Anabela Freitas.

Central Termoelétrica do Pego larga carvão e aposta em Centro de Produção de Energia Verde. Foto: mediotejo.net

A autarca disse ainda que “a própria CIM já fez um conjunto de reuniões com o Ministério do Ambiente sobre esta matéria e, portanto, temo-nos posicionado não só no Plano de Recuperação e Resiliência como também no Fundo de Transição Justa, temos um grupo de trabalho já criado, bem como na questão do hidrogénio onde está já criado um consórcio, onde a Central do Pego também faz parte desde o início dos trabalhos”, acrescentou.

Segundo o projeto apresentado pela TrustEnergy, acionista maioritário da Tejo Energia, a conversão da central a carvão do Pego para resíduos florestais locais é a “solução a curto prazo para abastecimento do sistema elétrico português com energia renovável despachável” (que pode funcionar quando for necessário independentemente das condições climatéricas),  e “até que soluções alternativas para a adequada integração de fontes renováveis intermitentes sejam  implementadas”, sendo que o modelo funcional preconizado implementar irá incluir a utilização de outras fontes de energia de forma faseada.

No projeto destaca-se a “utilização do potencial solar da região para produção de energia térmica e fotovoltaica, permitindo produção de energia elétrica a mais baixos preços”, a “utilização de energia eólica que tirará partido dos mais recentes desenvolvimentos de turbinas eólicas capazes de boas capacidades de produção mesmo em baixo regime de vento”, energia que “será utilizada para injeção na rede elétrica quando assim houver necessidade mas que também poderá ser convertida em hidrogénio verde”.

Anabela Freitas, presidente da CIM Médio Tejo. Foto: mediotejo.net

O projeto de reconversão da Central a carvão do Pego parece também ser vista com agrado pelo governo, tendo em conta as declarações públicas quer do ministro do Ambiente e da Transição Energética, quer da própria ministra da Coesão, mais recentemente.

No entanto, a TrustEnergy e a Endesa, os dois acionistas da Tejo Energia, têm planos diferentes para o futuro da central elétrica no concelho de Abrantes, sendo a central a biomassa uma das divisões dos acionistas, com a TrustEnergy a querer apostar neste setor (VER AQUI) ao contrário do acionista minoritário, a Endesa, que aposta no desmantelamento da central a carvão e noutro tipo de projeto (VER AQUI).

Médio Tejo e o Pacto para o Desenvolvimento e Coesão Territorial

No âmbito do Pacto para o Desenvolvimento e Coesão Territorial da CIM do Médio Tejo, tendo em conta os projetos tidos como determinantes para o crescimento e desenvolvimento económico da região, foi aprovada pela CIM a sua reprogramação, prevendo-se uma dotação de fundo contratualizado com o CENTRO2020 de cerca de 54 ME, destinados ao investimento público na saúde, no património cultural e natural do Médio Tejo e para investimentos nos ensinos pré-escolar, básico e secundário, bem como para investimentos promovidos por micro e pequenas empresas.

No âmbito do Fundo de Transição Justa, Anabela Freitas explicou que a CIM do Médio Tejo está a encetar esforços para prosseguir com o objetivo de se reconverter a indústria de produção de energia com base em combustíveis fósseis, tais como o carvão, mas também para os setores da habitação e dos transportes.

Para o efeito, foi criado o Fundo de Transição Justa, como uma das formas de concretizar o Pacto Ecológico Europeu, que tem como objetivo criar uma economia competitiva e que trave as alterações climáticas ao longo dos tempos.

Anabela Freitas recordou que na região do Médio Tejo existe a Central Termoelétrica do Pego, em Abrantes, e que o governo português anunciou o término da produção a carvão até 30 de novembro de 2021.

Neste sentido, referiu a presidente que está a decorrer o trabalho de “Apoio à preparação dos Planos Territoriais de Transição Justa em Portugal (PTTJ)” pelo que a região do Médio Tejo se encontra numa fase crucial para perceber quais os projetos (empresariais ou não empresariais) que podem ser desde já identificados como estratégicos para dar resposta aos desafios e impactos expectáveis da transição climática.

CIM MÉDIO TEJO – REGIÃO POLINUCLEADA E ACESSO A FUNDOS EUROPEUS

Na sexta-feira, no âmbito da inauguração da renovada Várzea Grande, a presidente da Câmara Municipal de Tomar e também presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo levantou algumas questões perante a ministra Ana Abrunhosa e as presidentes das Comissões de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Centro e de Lisboa e Vale do Tejo relativamente à elegibilidade da região do Médio Tejo a futuros fundos, nomeadamente ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), por não ter nenhum centro regional e ser uma região polinucleada.

“Uma preocupação que temos neste futuro próximo, seja ao nível do Programa de Recuperação e Resiliência seja quiçá no próximo quadro comunitário de apoio e que se prende com o Plano Nacional da Política de Ordenamento do Território. Nas mil e muitas páginas, existe um quadro e nesse quadro existe uma legenda que não tem correspondência em mais parte nenhuma do documento e que fala em centros regionais e complementares das agregações policêntricas. Aquela que é a realidade da região do Médio Tejo é não termos nenhum centro regional – nenhuma capital de distrito está no nosso território”, disse.

“Temos cinco, seis – se contarmos com Fátima – centros urbanos de média dimensão e, por aquilo que é a leitura que fazemos do Plano Nacional da Política de Ordenamento do Território, coloca-nos alguns problemas porque deduzimos que já para a aplicação do PRR, nomeadamente nas áreas de localização empresarial, não somos região elegível”, referiu Anabela Freitas.

Anabela Freitas recebeu a ministra da Coesão na sexta-feira. Foto: CMT

A presidente da CIM do Médio Tejo sublinhou a centralidade do território e a “proximidade muito grande rodo e ferroviária”, bem como os processos de relevo em curso como a criação de espaços co-working e a questão do aeroporto de Tancos, defendendo que “para nós, as áreas de localização empresarial são muito importantes para o desenvolvimento não só de Tomar mas também da nossa região, porque aquilo que temos sempre presente é que se o concelho ao lado evoluir, eu também evoluo”.

Em resposta às preocupações da autarca e presidente da CIM Médio Tejo, a ministra da Coesão Territorial declarou que para bons projetos “nunca faltam fundos”. “Podem demorar algum tempo mas nunca faltaram fundos para bons projetos. Não há é obra nem apoio sem projeto”, acrescentou.

Ana Abrunhosa, ministra da Coesão Territorial. Foto: CMT

“O Plano de Recuperação e Resiliência tem imensas áreas onde os municípios podem apresentar projetos. (…) O facto de o Médio Tejo não ter um centro regional estruturante não inibirá este território de ter apoios para o desenvolvimento urbano sustentável. Está aqui a nossa palavra, não impedirá o Médio Tejo de fazer candidaturas ao Plano de Recuperação e Resiliência”, assegurou Ana Abrunhosa.

C/Joana Santos, Cláudia Gameiro e Ana Rita Cristovão

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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