Médio Tejo | Profissionais de saúde mental apelam por respostas na comunidade

A oferta ao nível do tratamento psiquiátrico e prestação de cuidados a pessoas com problemas de saúde mental melhorou significativamente na última década, mas ainda falta um trabalho ao nível da comunidade que é necessário desenvolver. Os serviços existem, foi constatado numa tertúlia sobre “Saúde Mental” em Ourém, na sexta-feira, 8 de junho, porém há falhas e carências ao nível dos cuidados continuados. Os profissionais apelam assim por respostas a partir da comunidade civil.

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Os problemas de saúde mental mais proeminentes no concelho de Ourém são a esquizofrenia, as demências e o alcoolismo crónico, avançou o psicólogo António Castanheira. Desde 2015 que um grupo de trabalho do município tem procurado identificar as fragilidades e potencialidades nas respostas, pretendendo a tertúlia “Saúde Mental” promover o debate.

A primeira intervenção partiu de Luísa Delgado, diretora do serviço de psiquiatria do Hospital de Tomar, que constatou que o Hospital não consegue responder às exigências de cuidados continuados, ou seja, de acompanhamento e reintegração do doente.

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Sendo que a doença mental não tem cura, é necessário um acompanhamento contínuo para que o utente mantenha o equilíbrio. “Não há uma resposta mágica do serviço de psiquiatria”, argumentou, “existem graus de reabilitação e é preciso estruturas”.

A responsável constatou um conjunto de limitações, nomeadamente as 24 camas que já não dão resposta a todas as solicitações de internamento. “Pedia à comunidade que percebesse que da parte dos serviços de saúde agudos estamos no vermelho”, comentou, apontando falhas na rede de cuidados continuados e a necessidade de trazer psicólogos para os Centros de Saúde e Câmaras Municipais.

“Os profissionais sentem que é preciso mais respostas na comunidade”, comentou também Rute Galvão, da Associação de Saúde Mental do Médio Tejo. Existem poucas respostas sociais para além das que são prestadas pelos hospitais, pelo que os doentes reincidem perante as dificuldades de reintegração na comunidade.

A tertúlia recebeu ainda as intervenções de responsáveis das Unidades de Cuidados Continuados da Cova da Iria e de Ourém, que expuseram algumas das suas atividades e a aposta na intervenção junto das crianças e jovens. Destacou-se porém a falta de recursos técnicos, nomeadamente psicólogos e assistentes sociais.

“Falta um salto de qualidade, precisamos de um serviço de apoio”, comentou também Joaquim Martins, delegado de saúde do Médio Tejo. Já da parte de Paula Domingos, assessora do Programa Nacional de Saúde Mental, ficou o alerta que é “importante identificar que respostas pretendemos”, se ao nível dos cuidados continuados se outro tipo de respostas.

Teresa Maia, coordenadora regional de saúde mental da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, salientou que o Programa Nacional de Saúde Mental não está a ser cumprido desde que foi implementado, há já uma década. “Ou nos unimos todos e exigimos que o Plano seja implementado, ou não saímos daqui”, defendeu, sugerindo a união de estratégias entre Hospitais, municípios e agrupamentos de saúde.

Na tertúlia participaram duas dezenas de representantes de instituições médicas, de solidariedade social e com responsabilidades políticas.

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Cláudia Gameiro
Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita
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