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Segunda-feira, Outubro 25, 2021

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Médio Tejo | O Natal das pessoas internadas que não têm para onde ir

No Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) estão neste momento seis casos de doentes que, tendo alta clínica, não têm condições para que se concretize a alta. Dois são doentes que aguardam vaga na Rede Nacional de Cuidados Continuados e quatro aguardam resposta da Segurança Social, pois não têm estrutura familiar adequada ao estado de dependência em que se encontram. São doentes com idades compreendidas entre os 55 e os 88 anos, duas mulheres e quatro homens, que vão passar o Natal nos hospitais do Médio Tejo.

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Apesar de já terem alta clínica, ou seja, de não precisarem de estar num hospital por motivos de saúde, estas seis pessoas mantêm-se internadas nos hospitais do Médio Tejo por falta de resposta da rede de cuidados continuados ou por incapacidade de as famílias os receberem. Os casos sociais custam ao SNS num ano, em todo o país, cerca de cem milhões de euros. Mas há outros custos a contabilizar, como o dos fatores sociais e psicológicos destes cidadãos. Em todo o país, serão cerca de mil, as pessoas que vão passar o Natal hospitalizadas apesar de terem alta clínica.

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Em declarações ao mediotejo.net, fonte oficial do CHMT disse que “estes internamentos tem diversos custos e representam uma série de penalizações sobretudo para estes doentes, que, podendo estar fora do ambiente hospitalar, se mantêm internados com decorrentes riscos associados, nomeadamente psicológicos, pois alguns destes doentes deprimem pela circunstância de se sentirem abandonados, para além de estarem mais sujeitos a eventuais infeções hospitalares”.

Para o CHMT, estes doentes representam uma “preocupação constante e bastante mais expressiva de que os respetivos encargos financeiros” pelo prolongamento dos internamentos nas unidades hospitalares do Centro Hospitalar, ou seja, em Abrantes, Tomar e Torres Novas.

Questionado sobre os procedimentos a seguir no caso de altas clínicas dos doentes mas em que estes não têm para onde ir, o CHMT disse que, “perante estas situações, o Centro Hospitalar do Médio Tejo, EPE, através do seu Serviço Social, cumpre o que está protocolado com as instituições da Rede Social”.

Ou seja, “em primeiro lugar, o Serviço Social esgota, sempre, todas as hipóteses de suporte familiar ou domicílio com suporte de apoio. Quando falha esta parte, como acontece nos seis casos presentes, o Serviço Social segue os procedimentos regulamentados e procura solução na Rede Social”.

A administração do CHMT disse ainda que, “em todas as alturas do ano, estes doentes são acompanhados com cuidados diários”, tendo feito notar que, “nas alturas do ano mais sensíveis, nomeadamente esta época Natalícia,  destaca-se o apoio e o aconchego que, para além do Serviço Social, estes doentes recebem dos Voluntários das Ligas de Amigos das três Unidades Hospitalares que compõem o CHMT, EPE, o que lhes permite passar estes momentos mais acompanhados”.

Quase mil camas ocupadas com internamentos sociais no SNS têm custo de 100 ME

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) tinha em fevereiro deste ano 960 camas ocupadas com internamentos sociais com um custo estimado de quase 100 milhões de euros para o Estado, de acordo com um barómetro divulgado no mês de março.

De acordo com os dados do 2.º Barómetro de Internamentos Sociais (BIS), divulgado pela Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), “a 19 de fevereiro de 2018, 960 camas, o equivalente a 6% do total das camas disponíveis, em 74% dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), eram ocupadas com internamentos inapropriados, predominantemente justificados pela falta de resposta na rede de cuidados continuados”.

A maioria dos casos, segundo o comunicado da APAH, localizam-se na região norte (43%) e Lisboa e Vale do Tejo (38%).

“Para a generalidade dos hospitais auscultados, a média de internamento inapropriado está nos 67 dias, o que corresponde a uma despesa estimada de 26,3 milhões de euros. A extrapolação deste valor para um ano dos internamentos inapropriados evidencia um impacto estimado superior a 99,7 milhões de euros para o Estado”, lê-se no comunicado.

Segundo o BIS a maioria dos internamentos sociais tem origem médica (72%) e 56% dos casos são mulheres.

“Quando às idades, 22% correspondem a pessoas entre os 18 e os 65 anos, 36% referem-se ao intervalo entre os 65 e os 80 anos e 41% dizem respeito a internamentos de utentes com mais de 80 anos, apenas 1% respeita a pessoas com idade inferior a 18 anos”, precisa o comunicado.

O internamento social corresponde a um prolongamento dos internamentos hospitalares para além do período clinicamente necessário e pode conduzir a “complicações evitáveis para o doente”, como o aumento do risco de infeções, malnutrição, depressão, entre outros, para além de representar um problema nos tempos de espera para outros internamentos, como os decorrentes de cirurgias, o congestionamento das urgências.

“O prolongamento dos internamentos é um problema muito complexo. Ao longo do tempo, a incapacidade das famílias e falta de respostas na comunidade têm sido apontadas como as principais razões para a inadequação do período de internamento. Geralmente, estes internamentos são caracterizados coloquialmente como sociais”, refere o documento da APAH.

A APAH, que diz representar 650 associados com funções de administração e gestão na área da saúde em Portugal, organiza hoje um congresso em Viseu, no qual apresenta os resultados finais do 2.º BIS.

Depois de o 1.º BIS, em outubro de 2017, a APAH diz ter como objetivo “a monitorização periódica deste fenómeno, de forma a dar relevo à problemática e a fomentar o desenvolvimento de ações conjuntas para minimizar o seu impacto”.

No dia em que os dados foram recolhidos, somavam já mais de 64 mil dias de internamento inapropriado com custos financeiros que estimados a um ano ascendem a 100 milhões de euros. Mas também com grandes custos sociais.

“A cada dia que estão internados, principalmente os idosos, perdem capacidade. Um dia internado corresponde a um mês de fisioterapia de recuperação. Estamos a falar de pessoas que estão, em média, 67 dias internadas. Provavelmente muitas nunca vão recuperar a sua funcionalidade”, alertou o presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH) Alexandre Lourenço.

C/LUSA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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