Médio Tejo | Municípios lembram prejuízos da depressão Elsa e vincam necessidade de apoios (c/AUDIO)

Em Abrantes, duas das freguesias mais afetadas pelo mau tempo foram a União de Freguesias de Aldeia do Mato e Souto e a freguesia de Rio de Moinhos, com estradas e pontões destruídos. A autarquia contabilizou 1,2 milhão de euros de prejuízos em todo o território concelhio. Foto: Joakim Damas/facebook

Os autarcas de Mação, Abrantes e Vila Nova da Barquinha, na região do Médio Tejo, manifestaram a sua preocupação pelo atraso nos apoios aos prejuízos causados pela depressão Elsa, que ocorreu em dezembro de 2019, com estragos que se mantêm por resolver e que estimaram em 6,7 ME. Mação lidera a listagem de estimativa de prejuízos com cálculos na ordem do 1,8 ME, seguido de Vila Nova da Barquinha e Sardoal (1,5 ME), Abrantes (1,2 ME), e Vila de Rei (650 mil euros).

PUB

“Nesta altura temos uma mão cheia de nada”, disse hoje à Lusa o vice-presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo, Vasco Estrela, tendo feito notar que os prejuízos “foram reportados pela CIM Médio Tejo à Administração Central em meados de janeiro e passado todo este tempo não temos qualquer notícia”, sobre eventuais apoios.

Segundo o autarca, que também preside ao município de Mação, “a situação é preocupante pela urgência na reparação de algumas das infraestruturas” afetadas, tendo dado conta que “as expectativas até ao momento não são animadoras, no sentido de haver algum tipo de apoios” para as intervenções e investimentos necessários.

PUB

Em resposta a uma pergunta do PSD, o Governo afirmou esta semana que “está a concluir o levantamento junto de todos os municípios e regiões afetadas e, com base nos valores totais apurados e no que consta da nova lei de enquadramento orçamental, será determinado o financiamento que será possível alocar, para fazer face aos prejuízos causados pela depressão Elsa”.

Obras de requalificação decorrem na praia fluvial de Carvoeiro, tendo em conta os muitos prejuízos causados pela passagem da tempestade Elsa em dezembro de 2019. Foto: CMM

O mau tempo em dezembro do ano passado causou prejuízos de 6,7 milhões de euros (ME) em 10 dos 13 concelhos do Médio Tejo, anunciou a 09 de janeiro a Comunidade Intermunicipal, que afirmava então esperar do Governo apoios específicos para os estragos em infraestruturas.

No relatório enviado em janeiro pela CIM Médio Tejo ao governo relativo aos impactos da tempestade Elsa, que ocorreu entre os dias 18 e 20 de dezembro de 2019, pode ler-se que “afetaram de forma mais significativa 10 dos 13 municípios” da região, exemplificando com prejuízos ao nível de pontões, arruamentos, taludes, ribeiras, rede viária, caminhos florestais, cais e plataformas destruídas no Tejo, praias fluviais, muros, habitações sociais, pequenas pontes que ruíram ou ficaram parcialmente destruídas, e levantamento e danificação de cobertura em edifícios municipais, a par da necessidade de reconstrução de taludes, desassoreamentos e de regularização do leito de ribeiras, entre outras.

Tempestade Elsa gera prejuízos de 6,7 ME em 10 municípios do Médio Tejo. Em Rio de Moinhos (Abrantes) foi onde as cheias se fizeram sentir em primeiro lugar, Foto: mediotejo.net

“Concluímos e enviámos (…) à Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) a relação global dos efeitos apurados nos 13 municípios pela depressão Elsa, tempestade que teve a atenção centrada nas cheias e agricultores mas que, nesta região, teve um forte revés em infraestruturas e equipamentos públicos, sendo importante um eventual enquadramento de apoio governamental que minimize os custos que as autarquias vão ter nos seus territórios, algumas delas com prejuízos acima do milhão de euros”, disse à Lusa a 9 de janeiro Miguel Pombeiro, secretário executivo da CIM Médio Tejo, entidade que agrega 13 municípios da região de Santarém e de Castelo Branco.

Mação lidera a listagem de estimativa de prejuízos com cálculos na ordem do 1,8 ME, seguido de Vila Nova da Barquinha e Sardoal (1,5 ME), Abrantes (1,2 ME), e Vila de Rei (650 mil euros), num levantamento que, para Vasco Estrela, representa “prejuízos com valores muito elevados e incomportáveis para as Câmaras” afetadas.

“Assistimos a tudo isto com enorme preocupação e com grandes prejuízos para fazer face e que as Câmaras Municipais, nomeadamente a de Mação, não tem possibilidade de fazer se não tiver apoios”, frisou o autarca social democrata.

Prejuízos da depressão Elsa ascendem ao 1,5 milhão de euros em Vila Nova da Barquinha. Foto: CM VN Barquinha

A identificação dos custos decorrentes de intervenções de emergência junto de cada um dos 13 municípios do Médio indica ainda prejuízos no Entroncamento (430 mil euros) Constância (300 mil euros), Torres Novas (200 mil euros), Ourém (180 mil euros), e Ferreira do Zêzere (50 mil euros).

Os municípios de Tomar, Sertã e Alcanena não apresentaram prejuízos nesta listagem.

Em Abrantes, o autarca socialista Manuel Jorge Valamatos disse que os danos provocados pelas cheias em dezembro “mantêm-se por resolver, agravando-se com a passagem do tempo”, tendo feito notar os “valores elevadíssimos”, que ali se cifraram em 1,2 ME,  e a sua “preocupação com a necessidade de realizar intervenções urgentes, muitas delas em zonas da responsabilidade do poder central”.

Segundo o presidente da Câmara de Abrantes, a autarquia vai “assumir duas ou três intervenções mais urgentes de acessibilidades a casas”, dando conta “esperar que o município venha depois a ser ressarcido” dos investimentos que vai efetuar.

Tempestade ‘Elsa’ causa danos superiores a 650.000€ no concelho de Vila de Rei. Em todo o Médio Tejo os prejuízos ascendem aos 6,7 ME. Foto: CMVR

Fernando Freire (PS), que preside ao município de Vila Nova da Barquinha, disse à Lusa que os prejuízos ali estimados em 1,5 ME, nomeadamente nos cais de Tancos e de Almourol, na ribeira de Tancos e na necessidade de desassoreamentos urgentes, “não são passíveis de ser suportados pelo município, porque não tem capacidade nem tem competência”, tendo feito notar a “premência de intervenções de requalificação e de “conter o processo de degradação”.

Nesse sentido, o autarca defendeu que a administração central “possa criar, o mínimo, a possibilidade de acesso a uma linha de acesso a fundos comunitários, assegurando aí este município a componente nacional”.

Com uma população na ordem dos 250 mil habitantes, a CIM Médio Tejo é composta pelos municípios de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Sertã, Tomar, Torres Novas, Vila de Rei e Vila Nova da Barquinha.

Os efeitos da tempestade afetaram a região do Médio Tejo com efeitos bem bem visíveis em Vila Nova da Barquinha.
Foto: CMVNB

Os efeitos do mau tempo provocaram três mortos e deixaram 144 pessoas desalojadas e outras 352 deslocadas por precaução, registando-se mais de 11.600 ocorrências, na maioria inundações e quedas de árvores.

O mau tempo, provocado pela depressão Elsa, entre os dias 18 e 20 de dezembro, a que se juntou no dia 21 a depressão Fabien, provocou também condicionamentos na circulação rodoviária e ferroviária, bem como danos na rede elétrica, afetando a distribuição de energia a milhares de pessoas, em especial na região Centro.

c/LUSA

PUB
PUB

APOIE O NOSSO JORNAL, TORNE-SE UM LEITOR BENEMÉRITO

Se lê regularmente as nossas notícias torne-se um leitor benemérito fazendo contribuições a partir de 10€/mês, ou doando valores iguais ou superiores a 100€. Esses leitores passam a constar da ficha-técnica como apoiantes deste projeto independente de jornalismo. Pode também fazer uma contribuição pontual (5€, 10€, 20€, o que puder e quiser), através do IBAN PT50001800034049703402024 (conta da Médio Tejo Edições) ou usar o MB Way, com o telefone 962 393 324.

PUB
PUB

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here