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Quinta-feira, Outubro 28, 2021

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Médio Tejo | Líderes femininas perdem terreno numa eleição que promete devolver autarquias aos homens

Não obstante a larga presença de mulheres nas listas às eleições autárquicas de 26 de setembro, os cabeças de lista às Câmaras Municipais do Médio Tejo são maioritariamente homens. A CDU é o partido que apresenta mais candidatas mulheres no topo das suas listas aos municípios, seguido do Chega, mas as apostas atuais não configuram uma vitória. Um sinal de que termina um ciclo de 12 anos (três mandatos), marcado por líderes femininas, sobretudo socialistas. 

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A dado instante, na última década, o Médio Tejo conseguiu ter quatro líderes mulheres, duas das quais presidiram inclusive à Comunidade Intermunicipal. A figura mais destacada foi Maria do Céu Antunes (PS), presidente da Câmara de Abrantes entre 2009 e 2019, que se foi afirmando no panorama regional até ser chamada a integrar o governo, ocupando atualmente o cargo de Ministra da Agricultura.

Sociável e feminina, Maria do Céu Antunes marcou pela postura afável e bastante comunicativa, determinada e cheia de ideias com que conduziu a gestão autárquica. Ao sair, deixou, porém, ódios de estimação e opiniões contraditórias sobre o contributo que realmente legou ao concelho de Abrantes.

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Maria do Céu Antunes despertou ódios e paixões, mas deixou a sua marca em Abrantes Foto: mediotejo.net

Maria do Céu Antunes presidiu à Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, posição atualmente ocupada por Tomar, através da sua presidente Anabela Freitas (PS). Eleita presidente de Câmara pela primeira vez em 2013, Anabela Freitas é atualmente a última resistente do leque de líderes femininas. Com uma postura mais discreta e menos pública que a colega abrantina, o caminho da ainda presidente tem sido marcado por uma reconfiguração da imagem da cidade de Tomar, com várias obras que dão ao espaço urbano mais ordem e atratividade turística.

Outra líder que desaparece do espaço autárquico é Fernanda Asseiceira (PS), eleita presidente de Alcanena em 2009 e que termina agora o seu terceiro e último mandato. Também discreta, embora com uma personalidade bastante forte, Asseiceira bateu de frente com os industriais de curtumes do concelho e deixa um legado centrado na requalificação urbana e na criação de novas estruturas de controlo e fiscalização do sistema de saneamento de Alcanena.

Júlia Amorim, a ex-presidente de Constância eleita pela CDU, perdeu o município no final do seu primeiro mandato, em 2017. Apesar da derrota, a autarca não caiu na tentação de desaparecer da vida pública e manteve-se a fazer oposição como vereadora no executivo municipal liderado por Sérgio Oliveira (PS) ao longo do último mandato, sendo agora candidata à presidência da Assembleia Municipal de Constância, também pela CDU.

Anabela Freitas candidata-se a um último mandato apresentando uma cidade de Tomar de cara lavada Foto: mediotejo.net

A CDU é, aliás, o partido que mais tem apostado em rostos femininos a encabeçar as suas listas aos municípios, apresentando hoje candidatas a Constância, Sardoal, Vila de Rei, Entroncamento e Sertã. Também o Chega leva algumas candidatas como cabeças de lista, nomeadamente a Ferreira do Zêzere e Sardoal.

No panorama exclusivo das apostas, o atual cenário antevê uma possível reeleição de Anabela Freitas para um terceiro, e último, mandato. Em Alcanena e Abrantes as figuras que vão disputar o período eleitoral são todas masculinas. Em Ourém, a atual vereadora da oposição Cília Seixo (PS) foi mais uma vez chamada à linha da frente por problemas de natureza judicial com o cabeça de lista escolhido previamente e que havia sido anunciado. 

Em Torres Novas o cenário é mais complexo, com sete candidatos, duas delas mulheres, e uma eleição em aberto devido à presença de um ex-presidente de Câmara que decidiu voltar à corrida. Algumas apostas locais equacionam a possibilidade de uma coligação posterior entre o partido ou movimento vitorioso, mas sem maioria, com o Bloco de Esquerda, o que traria Helena Pinto para o centro da gestão municipal. O papel que Cristina Rodrigues, da Iniciativa Liberal, poderá vir a desempenhar é também ainda uma incógnita. Mas se há quem olhe com curiosidade para a campanha e para os resultados que o movimento independente possa alcançar, também há quem dê a vitória do PS como certa. 

Embora as líderes femininas pareçam estar a desaparecer na região, a sua presença é cada vez mais significativa a nível nacional e não só para preencher quotas de género. Cerca de 63% dos 308 concelhos de Portugal têm pelo menos uma mulher como candidata à presidência de uma Câmara nas autárquicas de domingo, com Braga a registar cinco candidaturas.

Fernanda Asseiceira deixa 12 anos de luta no combate à poluição da indústria de curtumes e várias obras de reabilitação urbana Foto: mediotejo.net

Segundo um levantamento da agência Lusa, 194 concelhos têm candidatas como cabeças de lista, o que representa 62,9% dos 308 municípios do país. São 114 os concelhos sem qualquer mulher candidata à presidência da Câmara.

O concelho com mais mulheres candidatas à presidência de Câmara é Braga, com cinco, seguido de Lisboa e Santa Maria da Feira, com quatro, e de 14 municípios com três mulheres na liderança de listas: Almada, Cantanhede, Marco de Canaveses, Amadora, Figueira de Castelo Rodrigo, Miranda do Douro, Arouca, Mafra, Ponta do Sol, Póvoa de Varzim, Ribeira Grande, Santana, Viana do Castelo e Vila Verde.

Do total de 1.541 candidaturas à liderança das autarquias, 287 são encabeçadas por mulheres, ou seja, 18,6%.

Analisando apenas os movimentos independentes, 10 mulheres lideram listas num total de 83 candidaturas.

Mesmo perdendo a Câmara em 2017, Júlia Amorim continuou a dar a cara pela CDU na oposição de Constância Foto: mediotejo.net

Em 2017, foram eleitas 32 mulheres como presidentes de câmara, pouco mais de 10% do total de líderes de executivos municipais escolhidos em 1 de outubro desse ano.

Nos distritos de Faro, Porto e Santarém foram escolhidas para presidente de câmara quatro mulheres em cada, enquanto em Beja, Braga, Castelo Branco, Guarda, Viana do Castelo, Viseu e Vila Real não houve qualquer vitória feminina.

As eleições autárquicas realizam-se no domingo, 26 de setembro, estando inscritos para votar 9.323.688 cidadãos.

Cada eleitor recebe três boletins de voto, um dos quais para eleger o executivo de cada uma das câmaras municipais, outro para cada assembleia municipal e um terceiro para a eleição das assembleias de freguesia.

Em Portugal, há 308 municípios (278 no continente, 19 nos Açores e 11 na Madeira) e 3.092 freguesias (2.882 no continente, 156 nos Açores e 54 na Madeira).

c/LUSA

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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