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Segunda-feira, Janeiro 24, 2022
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Médio Tejo | Laboratórios do Centro Hospitalar abrem serviço de testes covid à comunidade (c/vídeo)

A pandemia ganhou um novo fôlego, e com as novas medidas que entraram em vigor a 1 de dezembro, com a apresentação obrigatória de um teste laboratorial negativo para viajar, entrar em lares e hospitais ou para aceder a grandes eventos culturais ou desportivos, a testagem e os agendamentos para a realização de testes começaram a subir significativamente. Com as farmácias e os laboratórios a terem dificuldade de resposta à procura massiva de testes, o Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) aliou-se a este esforço, e anunciou a abertura dos seus Serviços de Patologia Clínica à população, possibilitando, mediante marcação, a realização de testes à covid-19 nas unidades hospitalares de Abrantes, Tomar e Torres Novas. O mediotejo.net visitou os laboratórios, em Tomar, e falou com Carlos Cortes, diretor do serviço de Patologia Clínica do CHMT.

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O serviço de Patologia Clínica do Centro Hospitalar do Médio Tejo tem três laboratórios, um em cada um dos hospitais (Torres Novas, Abrantes e Tomar), sendo que o de Abrantes e Torres Novas têm capacidade para a colheita e processamento de pedidos urgentes. Já o laboratório de Tomar, local visitado pelo nosso jornal, tem capacidade para, além de colher e processar pedidos urgentes, fazer o processamento das colheitas em massa, ou seja, de grandes quantidades, tendo decidido criar condições para responder à grande procura de testes e às necessidades atuais da população.

Parte das instalações dos laboratórios do Serviço de Patologia Clínica do Centro Hospitalar do Médio Tejo Foto: mediotejo.net

Recentemente, o laboratório foi aberto à comunidade, pelo que as pessoas que necessitam de um teste para visitarem um doente, para o acompanhar a uma consulta, ou necessitem de um teste SARSCoV2 para detetar a covid19 para qualquer atividade de âmbito lúdico ou profissional, o Centro Hospitalar do Médio Tejo dá já essa possibilidade, em Abrantes, Torres Novas e Tomar, todos os dias da semana, exceto ao domingo, sendo que ao sábado as colheitas têm de ser feitas em Tomar.

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Com uma capacidade muito limitada no início da pandemia – no que se traduzia em cerca de 30 testes por dia, uma vez que só existia um equipamento de resposta rápida* – o Centro Hospitalar conseguia, em simultâneo, processar no máximo quatro amostras por cada equipamento, “e isso não era obviamente suficiente para o CHMT”, disse Carlos Cortes.

*Equipamentos de resposta rápida – equipamentos com tecnologia de biologia molecular. Conforme explicou Carlos Cortes, o RT-PCR, que é o “Gold-Standard” na identificação, é um equipamento muito bom, muito rápido, dá resultados em menos de uma hora, mas tem pouca capacidade de processamento.

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Deste modo, o CHTM iniciou esta sua valência com o apoio de um laboratório externo, com um sistema de transportes múltiplos ao longo do dia, mas depois, ao longo do tempo, foi adquirindo uma “grande capacidade”, notou o diretor do serviço de Patologia Clínica do Centro Hospitalar do Médio Tejo.

Carlos Cortes, diretor do serviço de Patologia Clínica do Centro Hospitalar do Médio Tejo. Foto: mediotejo.net

“E quando digo grande capacidade, é o hospital com maior capacidade de processamento destas amostras, e em que, neste momento, de um dia para o outro, temos a capacidade de processar duas mil amostras. Podemos até ir além dessas duas mil , mas essa é a nossa capacidade de processamento neste momento em RT-PCR, ou seja, por biologia molecular, que é o método de referência”.

E no CHMT existe ainda a capacidade para a realização de testes rápidos, os testes de antigénio, através de duas formas: através de um equipamento que este Centro Hospitalar detém, de uma forma automatizada, ou através dos testes já conhecidos das farmácias, “que são muito rápidos mas que não têm a mesma sensibilidade e a mesma especificidade, que não têm a mesma capacidade de detetar o Sars-Cov-2 como têm os métodos de biologia molecular”, explica Carlos Cortes.

Mas se as farmácias têm notado um grande aumento de pedidos de testagem, como já deu conta o nosso jornal em reportagem, também o Serviço de Patologia Clínica do CHMT notou este incremento.

Colheitas para análise à presença de SARS-CoV-2. Foto: mediotejo.net

“Agora nós temos notado um grande aumento. Nos meses de verão tínhamos diariamente entre 150, às vezes passávamos das 200 amostras, no máximo 300, e neste momento nós duplicámos. E duplicámos quase de um momento para o outro. Durante o mês de novembro começaram a aumentar os pedidos, as solicitações internas – portanto ao nível da urgência hospitalar – mas também de todo o Médio Tejo, através dos delegados de saúde pública, que nos solicitaram para fazermos colheitas em lares, fundamentalmente, mas também noutras instituições”, disse Carlos Cortes, pelo que de momento, está-se já a ultrapassar a marca das 600 amostras diárias.

O diretor do Serviço de Patologia Clínica do CHMT explicou ainda que este aumento é notado porque são realizados não só os testes necessários, ou seja os que são solicitados pelos médicos do CHMT, como também todos os testes que são pedidos pela saúde pública da área do Médio Tejo.

O Laboratório de Patologia Clínica do Centro Hospitalar do Médio Tejo está preparado para processar 2.000 testes covid por dia. Foto: mediotejo.net

“Ainda esta semana, todos os dias enviámos várias equipas para várias instituições destes três concelhos – Tomar, Abrantes e Torres Novas – como também temos a capacidade – e já o fizemos no passado – de, sempre que nos é solicitado, fazer o processamento dos testes que são colhidos em várias instituições, desde Setúbal, passando por Lisboa, Loures, Cascais, todo o Oeste, todo o distrito de Santarém e também todo o distrito de Portalegre”.

Para esta operacionalidade houve uma “necessidade de antecipação”, notou Carlos Cortes, a qual possibilitou que o Centro Hospitalar do Médio Tejo fosse um dos laboratórios que mais ajudou Lisboa no final do ano passado e no início deste ano, e cuja capacidade permitiu esta ajuda dentro do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Para esta “antecipação” foi necessária a aquisição dessa mesma capacidade, possível através de quatro fatores, enunciados pelo responsável.

Para a atual capacidade de 2000 testes/dia foi necessário investimento em equipamentos. Foto: mediotejo.net

Conforme explicou, primeiramente foi necessária visão e vontade, depois teve de haver um investimento em termos de equipamentos – neste momento o Serviço de Patologia Clínica do CHMT, em Tomar, detém equipamentos que conseguem processar 100 amostras em simultâneo, outros que conseguem processar 50 amostras, outros 12, dependendo das necessidades do momento – em terceiro lugar foi necessária a contratação de especialistas diferenciados, técnicos superiores de diagnóstica e terapêutica, pessoas da área e conhecedoras dos aspetos técnicos.

“(…) sabemos que se houver um pico de um dia para o outro, quem vai ser chamado a dar resposta, a dar ajuda, será o CHMT, e eu quero que ele esteja disponível e com capacidade para ajudar quem precisa no nosso país. E se for necessário fora do nosso país, também ajudaremos (…)”.

Por último, mas não menos importante, houve também um esforço “muito grande, considerável”, na área da formação, pois estas “são técnicas altamente diferenciadas, não é só colocar a amostra no equipamento e sai o resultado, não é assim que funciona, a amostra tem que ser tratada, há determinados processamentos que têm de ser feitos sobre essa amostra, e depois o resultado não sai como detetado/não detetado, negativo/positivo. Há um conjunto de curvas que representam determinadas caraterísticas do vírus em questão, se ele estiver presente, mas nós é que temos de saber fazer essa interpretação”, defende o formado em medicina.

Neste sentido, e também para que o laboratório funcione em permanência, são 102 os funcionários envolvidos no serviço de patologia clínica. Permanentemente, sendo algo que é sempre flutuante, mas de base, existe sempre um médico ou um técnico superior a supervisionar todas as operações e quatro ou cinco técnicos envolvidos na parte do processamento. Embora a oscilação, dependente do serviço necessário, a capacidade atual permite alocar dois técnicos em cada uma das unidades a fazer as colheitas, e quatro ou cinco no processamento.

O serviço de patologia clinica tem 102 os funcionários envolvidos. Em permanência está sempre um médico ou um técnico superior a supervisionar as operações e quatro ou cinco técnicos na parte do processamento. Foto: mediotejo.net

Depois existem ainda as equipas que vão para fora, que também são constituídas por duas ou três pessoas (dependendo do número de equipas que são necessárias). “Às vezes vamos para lares que têm 50 pessoas e outras vezes para lares que têm 200, portanto obviamente que a locação de recursos humanos é diferente”, esclarece Carlos Cortes.

O índice de positividade, nos três dias anteriores à visita do nosso jornal a este laboratório foi, na sexta-feira de 16 positivos em 432 amostras (3,70%), no sábado de 25 positivos em 301 amostras (8,31%) e no domingo de 17 casos positivos em 221 testes (7,69%).

Desde o início da pandemia, este serviço realizou cerca de 180.400 testes, tendo registado um índice de 5,4% de positividade. Durante o ano de 2021 (até ao final do mês de novembro) foram realizados cerca de 109.500 testes.

No que concerne a stocks, essa é outra preocupação deste Centro Hospitalar, pelo que se encontra “bem preparado” do ponto de vista de Carlos Cortes.

“Houve hospitais, até centrais e de grande dimensão, que tiveram rutura de stock de reagentes de PCR’s, e nós temos sido fornecedores desses hospitais, temos aqui um bom stock que mantemos sempre a um nível bastante elevado precisamente pela resposta que damos internamente e porque sabemos que se houver um pico de um dia para o outro, quem vai ser chamado a dar resposta, a dar ajuda, será o CHMT e eu quero que ele esteja disponível e com capacidade para ajudar quem precisa no nosso país. E se for necessário fora do nosso país, também ajudaremos, mas obviamente em primeiro lugar, no nosso país”, disse o médico.

Equipamentos dos laboratórios. Foto: mediotejo.net

Mas a resposta do CHMT parece querer ser ainda mais completa e abrangente, numa perspetiva de preparação para o futuro, pelo que está a ser estudada e desenvolvida a possibilidade de instalação de um laboratório de segurança biológica (de nível 2/3), que dê a capacidade não só para tratar do SARS-CoV-2 mas também de outros microrganismos que possam surgir e que sejam perigosos.

“Aquilo que nós queremos é preparar o CHMT e a região para quando surgir uma dificuldade destas termos um laboratório que possa dar essa resposta”, disse Carlos Cortes, que adiantou ainda que o local desse laboratório já está idealizado, junto ao Serviço de Patologia Clínica do CHMT, em Tomar.

“Já temos um desenho, estamos a falar com especialistas desta área, de engenharia e arquitetura, que já são outros aspetos, para vermos quais são as capacidades da estrutura do próprio CHMT de se adaptarem, há ali requisitos muito estritos, muito difíceis, mas já há financiamento, já há autorização por parte do Conselho de Administração, portanto acho que este vai ser um passo muito importante e de muito orgulho para o CHMT e para toda a região”, rematou o diretor do serviço de Patologia Clínica do CHMT.

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Licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade da Beira Interior. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo. Ávido leitor, não dispensa no entanto um bom filme e um bom serão na companhia dos amigos.

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