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Sexta-feira, Outubro 22, 2021

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Médio Tejo | Grupos de teatro amador juntaram-se para (re)pensar o cenário regional

A décima segunda edição da Mostra de Teatro do Grupo de Teatro Palha de Abrantes (GTPA) realizou-se este sábado, dia 13, e passou a representar a primeira do Fórum de Teatro de Amadores do Médio Tejo. O dia foi passado na sede do GTPA, com uma manhã marcada por apresentações e a tarde dedicada ao debate sobre o cenário regional, incluindo os principais desafios com que os grupos se deparam atualmente.

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A XII Mostra de Teatro do GTPA ganhou uma dimensão simbólica com a realização do primeiro encontro de grupos de teatro amador do Médio Tejo sem terem como motivo a subida ao palco, mas sim a reflexão conjunta sobre a realidade regional. Uma iniciativa que Helena Bandos, presidente do GTPA, confirmou ao mediotejo.net ser a materialização de uma vontade antiga, apesar do número de participantes ter ficado abaixo das suas expetativas.

Os convites do GTPA foram enviados a quase duas dezenas de grupos de teatro amador dos concelhos da região, que esteve representada este sábado pelo grupo anfitrião, o GETAS – Associação Cultural do Sardoal, o Espaço Zero Teatro, de Tomar, a A.com.te.ser – A Companhia Teatral da Sertã e o Grupo de Teatro Apollo, de Ourém. A Federação Portuguesa de Teatro (FPT) também respondeu afirmativamente e marcou presença através do presidente da direção, José Teles.

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O teatro amador do Médio Tejo, começou a ser abordado durante a manhã nas apresentações de José Heleno, José Conchinha e Luís Antunes. O primeiro dissertou sobre “O que é o Teatro”, o segundo esclareceu que “Atrás do palco também se faz teatro” e o terceiro mostrou a vertente d’“O teatro de amadores enquanto ator social”. Seguiu-se o almoço e os grupos participantes regressaram à sede do GTPA para o debate do qual surgiram as conclusões que pretendem enviar para a Associação de Municípios do Médio Tejo.

José Teles e Helena Bandos. Foto: mediotejo.net

A discussão, na qual o Grupo de Teatro Apollo – representado por Dora Conde – esteve ausente devido a ter um espetáculo agendado nessa tarde, incidiu no atual contexto regional de quem sobe ao palco por gosto e não por um ordenado ao final do mês. As intervenções foram feitas de forma faseada, com o tema central dividido em três painéis, dedicados ao apoio das entidades públicas e privadas, às relações e intercâmbios e aos direitos de autor e dilema na escolha dos textos.

A realidade de cada concelho foi dada a conhecer pelos intervenientes e, apesar das diferenças locais, o consenso gerou-se nas palavras de Helena Bandos (GTPA), Cristina Curado (GETAS), José Conchinha (Espaço Zero Teatro), Zélia Machado (A.com.te.ser) e José Teles (FPT), começando com a dificuldade em obter apoios (financeiros e materiais). Estes são assegurados maioritariamente por subsídios municipais, como é o caso de Abrantes, Sardoal e Tomar.

A associação cultural sertaginense, ligada ao Clube da Sertã, recebe um valor por espetáculo e surgiu como exceção entre os grupos presentes num contexto regional em que as contribuições de entidades privadas são escassas e raramente se materializam em patrocínios. No geral, a venda de espetáculos também contribui para a subsistência e as despesas associadas à participação em iniciativas fora do concelho são, muitas vezes, minimizadas através de permutas de espetáculos entre os grupos de teatro.

As duas representantes da A.com.te.ser (Zélia Machado à esquerda) e José Conchinha. Foto: mediotejo.net

Associados aos custos da apresentação de espetáculos surgem os dos textos a partir dos quais os mesmos são criados, dando o mote para o segundo painel de discussão em que se abordaram os direitos de autor. Mais uma vez, o consenso gerou-se sobre os valores “insustentáveis” cobrados pela SPA – Sociedade Portuguesa de Autores, que chegam a implicar o pagamento de centenas de euros por cada espetáculo.

Uma limitação financeira que tem consequências nas escolhas dos espetáculos, optando-se na maioria das vezes, por obras clássicas que já não são abrangidas pelo Direito de Autor, em detrimento de outras mais contemporâneas que contribuiriam para a diversificação dos repertórios. As dificuldades no processo burocrático também foram apontadas neste ponto, a par da crítica ao facto SPA não publicar a lista de autores representados.

Para o final ficou reservado o painel dedicado às relações e intercâmbios entre os grupos e no qual se começou por destacar a dificuldade nos contactos. Uma situação que se pretende mudar com a continuidade do Fórum de Teatro de Amadores do Médio Tejo, numa periodicidade bienal, e a aposta na formação em teatro, sobretudo nos concelhos da região onde esta arte performativa tem, atualmente, menos expressividade.

Cristina Curado, do GETAS – Associação Cultural. Foto: mediotejo.net

Intenções confirmadas no final do primeiro Fórum por Helena Bandos e José Teles, tendo o presidente da FPT destacado a importância da formação e o trabalho que a federação tem desenvolvido, nomeadamente com a co-organização do Fórum Permanente de Teatro, cuja vigésima primeira edição voltou a juntar participantes de todo o país entre os dias 4 e 7 de outubro. Uma preocupação partilhada pelo GTPA que, refere Helena Bandos, também realiza duas iniciativas por ano neste âmbito.

Segundo José Teles, os dois fóruns nacionais anuais – o Fórum Permanente de Teatro realiza-se em março e setembro – serão complementados no futuro por encontros de âmbito regional e local, permitindo maior proximidade e a redução de custos para os grupos de teatro amador, nomeadamente ao nível das deslocações. Os formadores, ligados a diversas áreas, incluindo as técnicas, serão assegurados pela FPT.

A ideia está numa fase embrionária, esclarece, e para que a mesma ganhe forma em 2019 é fundamental o papel dos grupos locais federados enquanto dinamizadores. No caso do Médio Tejo existem grupos decididos a que tal aconteça e alguns começaram o seu ciclo de encontros regulares em Abrantes durante a XII Mostra de Teatro do GTPA.

O I Fórum de Teatro de Amadores do Médio Tejo marca o início de um novo ciclo pois, segundo Helena Bandos, é “um pontapé de saída” para o futuro.

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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