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Médio Tejo | Federação de Associações de Pais teme baixos níveis de aprendizagem à distância

Na semana em que regressa o ensino à distância, a FAPOESTEJO – Federação de Associações de Pais do Oeste, Lezíria do Tejo e Médio Tejo alerta que há alunos cuja escola lhes perde o rasto e que o ensino online acentua um isolamento que não é positivo para a aprendizagem. Disponíveis para ajudar escolas e autarquias nesta nova fase, os responsáveis lembram os piores resultados escolares verificados no último confinamento e estão preocupados com o futuro do ano letivo e do seu impacto nas crianças.

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A FAPOESTEJO celebrou no último mês de janeiro o seu primeiro ano de fundação. O desenvolvimento equilibrado das crianças e adolescentes, com particular enfoque nos alunos com necessidades especiais, é uma das prioridades deste organismo, que quer sobretudo criar sinergias entre a escola e a comunidade, a um nível inter-regional.

Abrangendo 36 concelhos, 875 escolas (das quais 712 públicas e 163 privadas), 64 agrupamentos escolares, 267 associações de pais e 124 mil alunos, num território de 830 mil habitantes, quatro distritos e três regiões, a FAPOESTEJO afirma-se como o maior organismo do género a nível nacional.

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“É uma grande responsabilidade. Queremos ser um parceiro muito ativo dentro da nossa região”, defende o presidente do conselho executivo da FAPOESTEJO, Rui Pedro Pires, em entrevista ao mediotejo.net. Este desenhista, residente no Carregado, pai de dois rapazes, entrou no universo das associações de pais há uma década e nunca mais parou. Primeiro como presidente da associação de pais da escola dos filhos e depois integrando a Confedereção Nacional de Associação de Pais (CONFAP). “Gosto muito de educação”, admite.

O organismo nasceu no âmbito dos encontros regionais de associações de pais, onde a discussão entre vários dos seus elementos levou à constituição de uma entidade que representasse o Oeste. No entanto, constata Rui Pedro Pires, rapidamente a Lezíria e, finalmente, o Médio Tejo entraram na equação, potenciando assim a criação de uma Federação mais alargada e inter-regional.

O lema dá conta dessa ímpeto de alargar horizontes: “Movemos pontes, criamos pontes”. No intuito de criar sinergias económicas e sociais, a instituição está a criar protocolos com instituições educativas e empresariais da região e tem procurado realizado um largo número de atividades, nomeadamente Webinares, discutindo, de forma alargada, os diferentes níveis da educação e os novos desafios criados pela tecnologia. Nos próximos meses vão decorrer conferências/webinares sobre temas como o ensino profissional (21 de maio, Sertã) ou a inclusão.

“Os alunos cada vez pensam menos, têm menos pensamento crítico. É essencial que os nossos alunos aprendam a falar, aprendam a estar e aprendam a representar-se a si próprios. No fundo, aumentar a sua própria auto-estima”, defende o responsável. A FAPOESTEJO tem por tal a ambição de estar na linha da frente da discussão dos temas educativos, a um nível nacional e até internacional, através de uma ligação à European Parents Association (EPA).

“A escola ficou presa dentro dos próprios muros e isso não é bom para a escola”, constata, referindo que os professores muitas vezes vivem presos à burocracia e não conseguem desenvolver projetos para os alunos. “Queremos ser parceiros ativos da escola”, salienta, através da dinamização de todas estas atividades.

Reunindo todas as semanas, Rui Pedro Pires admite que um dos principais focos da FAPOESTEJO são as crianças com necessidades especiais, o setor mais afetado pela pandemia a nível escolar. “Muitos ficaram sem resposta”, alerta, mais não seja pelas refeições, que era a escola que fornecia. Recorda assim que no primeiro confinamento foi o organismo que ajudou algumas juntas de freguesia a distribuir trabalhos de casa pelas crianças e foi alertando as autoridades para crianças que desapareciam do radar da instituição escolar.

Por tal, este novo encerramento de escolas foi recebido com “muita preocupação”, dado o baixo nível de aprendizagem resultante do último confinamento, também em resultado de problemas com os equipamentos tecnológicos. “A aprendizagem é na escola”, defende, “é estar com os outros. Estar em casa isolado não é bom”. Estando conscientes dos múltiplos problemas que se avizinham, a FAPOESTEJO tem contactado municípios e juntas de freguesia para saberem, mais uma vez, como podem ajudar, “desbloqueando situações”.

No que toca ao Médio Tejo, o responsável constata que é uma região onde a taxa de retenção é inferior às outras duas regiões, mas mantém-se as preocupações com a transição entre ciclos. Os fossos entre ciclos são uma das preocupações dos pais, constata, potenciadores das retenções, referindo a curiosidade de o maior número de associações nascer no primeiro ciclo e no secundário, os extremos do percurso escolar.

“A FAPOESTEJO é partilha, é aprendizagem”, garante, querendo-se promover o debate e o diálogo dos grande temas da educação atuais.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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