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Segunda-feira, Novembro 29, 2021

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Médio Tejo | Fátima, o enclave que continua a distorcer os números regionais

O primeiro painel do encontro “Viver o Tejo”, promovido pela NERSANT – Associação Empresarial da Região de Santarém, na quarta-feira, 15 de novembro, foi dedicado a apresentar dados sobre o setor do turismo na região. Com mais impacto no Turismo do Alentejo que no Turismo do Centro, a região do distrito de Santarém é dominado pela oferta ao nível das Casas de Campo, com uma média de dormidas de 1,65. Mas isto retirando o caso Fátima que, sendo uma situação específica ao nível de visitas e de instalação hoteleira, facilmente distorce a perspetiva regional, nomeadamente a do Médio Tejo.

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Os dados foram apresentados pela consultora da NERSANT, Sónia Pais, em linha de defesa com a proposta de criação de uma entidade regional em torno da marca Ribatejo. Os dados estatísticos relativos ao turismo de Fátima foram porém colocados à parte do Médio Tejo, salientando-se o contexto específico da cidade, que não caracteriza o território administrativo em que se encontra inserida.

Historicamente inserida na antiga Beira Litoral, mas administrativamente ligada ao Ribatejo, a cidade de Fátima podia ser apenas um caso característico de território fronteiriço, não fosse o facto de ali se viver um fenómeno de turismo religioso. Há décadas que se tentam tirar contrapartidas regionais dos 5 milhões de turistas que visitam anualmente a cidade, mas o impacto não é significativo a este e sul do seu território.

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Na abertura do “Viver o Tejo”, Fátima enquanto centro turístico misturou-se com a restante oferta patrimonial da região. “Temos que nos conhecer uns aos outros, trabalhar em rede”, defendeu Sónia Pais, salientando que o turista que procura a região procura “uma experiência”, pelo que deve existir uma estratégia comum e uma comunicação mais homogénea. “É necessário o branding”, defendeu, a gestão organizada de uma marca que é o Ribatejo.

Criar rotas temáticas, com a sua ligação a rotas nacionais e internacionais, foi uma das propostas deixadas para unir o discurso regional. Há porém problemas a enfrentar com a sazonalidade, a criação de produtos representativos e uma baixa taxa de ocupação e estadia média.

O Ribatejo integra atualmente duas sub-regiões, o Médio Tejo e a Lezíria do Tejo, e duas entidades de turismo, o Centro e o Alentejo, respetivamente. Cruzando os dados das duas sub-regiões e as entidades de turismo em que estão inseridas, nota-se que elas têm crescido, mas a um ritmo inferior que a média nacional, referiu Sónia Pais.

Em termos de oferta de estabelecimentos hoteleiros, a região, tirando o caso Fátima, é sobretudo servida por Casas de Campo (ao todo 60). O Médio Tejo possui 80 hotéis, mas 56 são em Fátima. Em contrapartida possui 43 Casas de Campo.

O Ribatejo possui 11.612 camas, sendo que 7.049 são em Fátima (o Médio Tejo no seu conjunto tem 9.917 camas). A região tem porém mais impacto a nível hoteleiro para o Turismo do Alentejo que para o Turismo do Centro.

A nível de alojamento local, o concelho de Ourém, com 128 estabelecimento, domina a oferta no Médio Tejo, tendo porém em Tomar um concorrente próximo, com 83 alojamentos. Na Lezíria do Tejo, Santarém (44) e Rio Maior (33) são os que têm mais destaque neste setor.

Fátima tem uma oferta mais diminuta, ainda que significativa, ao nível das empresas de animação turística. No Médio Tejo, das 66 empresas de animação turística, só 14 são em Fátima. Já das 35 agências de viagens, 14 são em Fátima. Na Lezíria há 53 empresas de animação turística e 27 agências de viagens.

Nas duas regiões que integram o Ribatejo há um número similar de estabelecimentos de restauração, com 1595 na Lezíria e 1599 no Médio Tejo, não se tendo especificado aqui quantos destes são em Fátima. O setor emprega no seu conjunto 6.668 pessoas, numa média de 3.300 em cada sub-região (sem dados específicos de Fátima).

O Médio Tejo regista 709.912 dormidas (estada média de 1,7), também aqui sem dados de Fátima. Já Lezíria regista 101.580 (estada média de 1,6), resultando num total de 811.492 no Ribatejo. Em Portugal a estada média é de 2,9, encontrando-se assim a região abaixo da média nacional.

A taxa líquida de ocupação dos estabelecimentos hoteleiros é de 23,7 no Médio Tejo e de 20,4 na Lezíria. Também aqui não foram apresentados os dados de Fátima. A maioria dos turistas estrangeiros chegam à região de Espanha e de França.

Criar uma região turística do Ribatejo vai contra a estratégia governativa, constatou Sónia Pais, mas poderá fazer mais sentido.

Sobre o caso de Fátima, o mediotejo.net questionou a presidente da NERSANT, Maria Salome Rafael sobre a sua integração nesta potencial região de turismo do Ribatejo. A responsável salientou que Fátima está ligada a Leiria, pelo que a situação particular da cidade ao nível da gestão turística terá que resultar de uma reflexão sobre a mesma.

 

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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