Médio Tejo com camas suplementares em período de “congestionamento” nas urgências

Centro Hospitalar do Médio Tejo (Hospital de Abrantes). BE questionou governo por início das obras anunciadas para as Urgências. Foto: mediotejo,net

O Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) abriu 33 camas suplementares e reforçou as equipas para dar resposta ao aumento da afluência nos serviços de urgência, onde se regista um “congestionamento”, apelando à utilização da consulta aberta.

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Em declarações à Lusa, fonte oficial do CHMT – que abarca as unidades hospitalares de Abrantes, Tomar e Torres Novas, no distrito de Santarém – disse que na primeira semana de janeiro (entre os dias 01 e 04) os cinco serviços de urgência dos três espaços (básicas, pediátrica, médico cirúrgica e de obstetrícia-ginecologia) registaram um “fluxo grande” de pacientes, com “utentes em trânsito” nos corredores, instalados em macas e cadeiras.

Pedro, 50 anos, foi um dos utentes que esteve entre quinta-feira e sábado nos corredores das Urgências do hospital de Abrantes, com pneumonia, tendo relatado ao mediotejo.net que “o cenário parecia de guerra”, com os corredores cheios de macas e com pessoas muito idosas e debilitadas.

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“Eu era o mais novo que lá estava e fez impressão ver tanta gente tão idosa e tão debilitada ali naquele espaço. Mandaram-me para casa este sábado e continuar a medicação em casa, talvez porque estivesse a dar sinais de melhoria ou porque precisassem de mais espaço”, relatou, tendo observado ter tido “um bom atendimento”.

“Nestes dois dias tive sempre assistência de médicos e enfermeiros, embora tivesse ficado com a ideia que poderiam fazer falta mais alguns enfermeiros. O que devo dizer”, relatou, a partir de sua casa, em Abrantes, “é que tive sempre assistência e fui bem atendido e aqueles profissionais davam tudo o que tinham e não tinham”.

“São quase uns super heróis”, afirmou, tendo feito notar que “as condições é que não eram, efetivamente, as melhores”.

Segundo o CHMT, “apesar do reforço das equipas e da abertura de 33 novas camas nos serviços de medicina interna”, a unidade hospitalar de Abrantes é a que tem neste momento “maior fluxo de utentes em trânsito, com muitos idosos de idade avançada, com infeções respiratórias e múltiplas patologias que requerem mais tempo de internamento”.

As 33 camas suplementares foram abertas nos serviços de medicina interna, uma medida integrada no plano de contingência para o frio e para a gripe.

Segundo observou a mesma fonte, “o reforço das equipas para as horas de ‘pico’ de afluência não invalida algumas dificuldades”, tendo feito notar que os serviços de Urgência de Abrantes “não têm salas grandes pelo que os utentes têm de estar nos corredores, numa dinâmica própria de urgência, e por onde passam os médicos e enfermeiros”.

A fonte oficial do CHMT disse ainda que, “num pico de afluência os utentes não podem ser mandados embora”, tendo lembrado que aquele centro hospitalar tem um investimento aprovado na ordem de 1,5 ME para requalificar até 2019 os espaços das Urgências em Abrantes que “visam melhorar as condições físicas do espaço e para que os utentes possam estar acomodados de forma mais confortável”.

Segundo observou a mesma fonte, para os casos menos urgentes, “existe um serviço de consulta aberta que está a ser pouco utilizado e que libertaria os profissionais da Urgências e deveria servir para descongestionar os serviços” para os utentes em espera, nomeadamente nos casos menos urgentes, tendo referido que o Plano de Contingência – Módulo Inverno do CHMT, “está em vigor no CHMT desde 14 de dezembro, prevendo o recurso a várias medidas excecionais, como o reforço das equipas de profissionais, a abertura de camas suplementares e consulta aberta, entre outras medidas”, que poderão ser tomadas em função da variação da procura de cuidados de saúde.

De um total de 15 059 atendimentos no Serviço de urgências das três unidades hospitalares do CHMT (desde o dia 1 de dezembro), na Consulta Aberta foi registado um total de “apenas 129 atendimentos, registando-se um tempo médio de espera muitíssimo inferior aos tempos de espera médios de doentes considerados não urgentes” e que acorreram aos Serviços de Urgência.

“Esta medida permite que os médicos hospitalares, enfermeiros e outros profissionais de saúde dos Serviços de Urgência fiquem mais libertos para o atendimento aos utentes que apresentem situações clínicas verdadeiramente urgentes, para além das emergentes, pelo que apelamos aos utentes que utilizem este serviço, com evidentes benefícios para todos”, destacou a fonte oficial do CHMT, relativamente a uma consulta que funciona nos dias úteis, (exceto à quarta-feira), das 18:30 às 22:30, nas três unidades hospitalares que constituem o CHMT.

“Na Consulta Aberta os doentes têm acesso a consulta de enfermagem, são avaliados por médicos e tem acesso igualmente a meios de diagnóstico como sejam as análises, RX e outros exames que o médico entenda serem necessários, tal qual como nos Serviços de Urgência”, frisou.

Segundo a fonte do CHMT, os “tempos de espera médios” nas três Urgências situaram-se entre os dias 1 e 4 de janeiro em “mais de duas horas para os utentes ‘verdes’, ou seja, os menos urgentes”, no âmbito da triagem de Manchester, que prioriza por cores a urgência do atendimento aos utentes, havendo, no entanto, “casos pontuais” de tempos de espera superiores.

“Os casos mais urgentes, e que carecem de mais tempo de internamento e atendimento, incidem sobre as faixas etárias mais vulneráveis”, referiu a mesma fonte, tendo os Serviços de Urgência do CHMT registado no ultimo mês a “entrada de mais de 15 mil utentes, entre os quais 339 entre os 0 e os 9 anos”, e “cerca de 500 utentes com idades compreendidas entre os 70 e os 109 anos”, concluiu.

c/LUSA

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