Médio Tejo | Centro Hospitalar vai ter hospitalização domiciliária

Centro Hospitalar do Médio Tejo (Hospital de Abrantes). BE questionou governo por início das obras anunciadas para as Urgências. Foto: mediotejo,net

O Centro Hospitalar do Médio Tejo e o Hospital Distrital de Santarém fazem parte do grupo de 25 hospitais que, no dia 3 de outubro, assinou um protocolo com o Ministério da Saúde no âmbito da Estratégia Nacional para a Hospitalização Domiciliária. Segundo o compromisso assumido, as Unidades de Hospitalização Domiciliária serão implementadas até ao final do primeiro semestre de 2019.

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Em causa está a estratégia para a hospitalização domiciliária, lançada no dia 3 de outubro pelo Ministério da Saúde, a implementar no próximo ano, num projeto piloto, em pelo menos 25 hospitais ou centros hospitalares, permitindo aos doentes que estariam internados recuperar de uma doença aguda em casa, mas recebendo cuidados hospitalares. Inicialmente o Ministério da Saúde dava conta de 23 hospitais a iniciar esta primeira fase do projeto, mas, entretanto, mais duas unidades se juntaram.

É objetivo do Centro Hospitalar do Médio Tejo, EPE, “iniciar proximamente o programa de Hospitalização Domiciliária, através de uma equipa multidisciplinar de profissionais de saúde, liderada por médicos de Medicina Interna”, disse ao mediotejo.net o presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT).

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Segundo Carlos Andrade, “este programa procurará abrir uma nova fase de prestação de cuidados de saúde cada vez mais humanizados, no sentido em que os doentes poderão ser assistidos nos seus domicílios, procurando assim que este episódio de internamento, que se efetiva dentro da casa do próprio doente, implique o menos possível com a sua dinâmica familiar e com o seu conforto”, salientou, acrescentando que “o internamento domiciliário terá critérios clínicos muito específicos que visam salvaguardar quer a segurança clínica do doente, quer a segurança assistencial dos profissionais de saúde”.

O Ministério da Saúde assegura que os internamentos em casa a realizar pelos hospitais só serão feitos quando há garantias de segurança clínica, com o acordo do doente e das famílias e só nalgumas doenças. No dia da assinatura dos protocolos, Adalberto Campos Fernandes deu como exemplos de patologias que podem enquadrar-se nos internamentos em casa as pneumonias ou as insuficiências cardíacas.

Mais importante do que eventuais poupanças conseguidas com esta modalidade de internamentos é a “segurança clínica, o conforto dos doentes, a redução de internamentos inapropriados e prolongados e a redução das infeções hospitalares”, disse o ministro da Saúde.

Na apresentação da estratégia para a hospitalização domiciliária, a secretária de Estado da Saúde, Rosa Valente Matos, considerou que este é “o caminho a seguir para aproximar os hospitais da comunidade”.

Lembrou ainda que quando se iniciou a cirurgia ambulatória surgiram algumas dúvidas, mas passou-se de uma taxa de 10% destas cirurgias em 2010 para 70% este ano.

Um despacho da secretária de Estado da Saúde refere a hospitalização domiciliária como “uma alternativa ao internamento convencional”, mas com assistência contínua, que permite reduzir complicações e infeções hospitalares, além de permitir gerir melhor as camas disponíveis para o tratamento de doentes agudos no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Quanto à Unidade de Hospitalização Domiciliária do Hospital de Santarém, esta vai iniciar a sua atividade no primeiro semestre de 2019 na área da União de Freguesias da Cidade de Santarém, com assistência prevista a 233 doentes na primeira fase.

Em comunicado, a presidente do Conselho de Administração do Hospital de Santarém, Ana Infante, afirma que a equipa multidisciplinar criada para este fim irá, na fase inicial, assistir os utentes com “necessidade de internamento que reúnam critérios específicos relacionados com o diagnóstico, tratamento, enquadramento geográfico e familiar” da zona urbana de Santarém, abrangendo uma população de cerca de 30.000 pessoas.

No primeiro ano, a lotação prevista de seis camas permitirá a assistência a cerca de 233 doentes, “prevendo-se o aumento da lotação para 15 camas, após a avaliação dos indicadores”, sendo que o acompanhamento clínico será realizado diariamente por uma equipa médica e de enfermagem, “em presença durante o período diurno e em regime de prevenção no período noturno”, refere a nota.

“Neste sentido, libertando camas ao nível do internamento, minimizando as infeções associadas aos cuidados de saúde em meio hospitalar, mantendo o foco na excelência da qualidade dos cuidados prestados, a hospitalização domiciliária surge como uma solução que permitirá quer ao doente, quer à família, um maior conforto e humanização dos cuidados e uma maior racionalização dos gastos em saúde”, acrescenta a mesma nota.

A hospitalização domiciliária é uma prática recente em Portugal e está apenas desenvolvida em pleno num hospital. O Hospital Garcia de Orta foi o primeiro em Portugal a ter uma unidade de hospitalização domiciliária, um modelo usado em vários países e que traz vantagens, como evitar infeções hospitalares multirresistentes ou reduzir os custos de internamento.

De acordo com o despacho, a que a agência Lusa teve acesso, os hospitais que tiverem financiamento para constituir unidades de hospitalização domiciliária terão de assegurar a atividade assistencial até final de março de 2019.

As unidades de hospitalização domiciliária vão funcionar 24 horas por dia e todos os 365 dias do ano, “com apoio médico e de enfermagem em permanência” e prevenção à noite.

O doente que esteja hospitalizado no domicílio terá acesso aos medicamentos exatamente como se estivesse internado no hospital.

Até final deste ano, as administrações regionais de saúde devem apresentar um plano de alargamento das unidades de hospitalização domiciliária nos restantes hospitais e que deve ser executado até junho de 2019.

Caberá à Direção-geral da Saúde criar uma norma de orientação clínica que defina a lista de doenças tipicamente elegíveis para a hospitalização domiciliária e os critérios de inclusão ou exclusão de doentes.

C/Lusa

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