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Domingo, Agosto 1, 2021

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Médio Tejo | Brass iT, a música volta a sair à rua e vai andar por perto (entrevista)

A música saiu à rua com o Brass iT em setembro do ano passado e o público cruzou-se com mais de 100 músicos em Minde e não só. O festival regressa mais cedo em 2019 e atravessa os limites do concelho de Alcanena até ao de Torres Novas esta sexta-feira, dia 7, juntando quatro bandas no Largo da Igreja de Lapas. Uma novidade entre as outras que ficámos a conhecer numa breve conversa com os responsáveis pela Associação Improviso Divergente, criadora deste evento com “um ADN muito próprio”.

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É o ritmo das bandas da Sociedade Filarmónica Lealdade União Ribeirense, da Sociedade Musical União e Trabalho de Lapas, Fanfarra Bizarra e Alta Cena que marca o arranque da segunda edição do Brass iT, o festival de música de rua organizado pela Associação Improviso Divergente. O ponto alto do evento está marcado para 20 e 21 de setembro, mas a “festa” começa mais cedo no concelho de Torres Novas, levando-o ao encontro do público fora do território concelhio de Alcanena, onde tudo começou.

Foi na capital da pele que a Associação Improviso Divergente materializou, em 2018, a vontade de criar um festival de música de rua com um cartaz composto, na maioria dos casos, por bandas de itinerância. Mais de uma centena de músicos de mais de uma dezena de projetos musicais concentraram-se em Minde. Alguns realizaram concertos noutros locais do concelho, outros deliciaram os alunos de Torres Novas e Porto de Mós.

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Festival Brass iT em 2018. Vídeo: Associação Improviso Divergente

Desengane-se quem pensa que assistir a um concerto deste género equivale a assistir a todos. Nada disso. Cada banda tem uma dinâmica e uma acústica próprias. O público não sai defraudado, como tantas vezes acontece quando se descobre num concerto que a banda da moda tem como principal elemento o software de computador. O Brass iT tem essência humana, mistura o contacto direto e promove a folia.

Brass iT in Torres Novas – Fanfarra Bizarra

Brass iT Festival in Torres Novas07 JUNHO | 21H30 | Lapas (Largo da Igreja)ENTRADA LIVRE – Fanfarra Bizarra"A Fanfarra Bizarra não é uma Fanfarra!!!!! É uma performance sempre em evolução que conta com músicos e atores que se transformam em bailarinos e comediantes, sempre liderados pelo seu louco apresentador.Apresentam um espetáculo de grande intensidade e o seu público passa a participante não ficando ninguém indiferente à energia visual e sonora das músicas, das coreografias, dos momentos de comédia."Organização e Apoios:- Associação Improviso Divergente- Município de Torres Novas- União das Freguesias de Torres Novas – São Pedro, Lapas e Ribeira Branca- Fundação InatelServiço Bar e Comidas- Grupo de Amigos de Avós e NetosMedia Partner:- Turismo Centro de Portugal- mediotejo.net

Publicado por Brass iT Festival em Quarta-feira, 5 de junho de 2019

A primeira edição correu bem e deu o mote para a segunda, em que se mantêm as linhas mestras e surgem novidades. Quisemos conhecê-las antes do minuto zero junto dos responsáveis da associação mindense que organiza este festival com um ADN que diz ser “muito próprio” e através do qual quer promover a pedagogia, assim como a descentralização da cultura.

O Brass iT trata-se de um festival com a particularidade das bandas convidadas serem de itinerância, em que a música é “de rua”. Qual foi a aceitação do público no ano passado?

A aceitação por parte do público foi espetacular. Este tipo de performance faz com que haja uma grande proximidade entre as bandas e o público. O facto de não existir um palco delimitado é outra estratégia para que as bandas sintam que podem tocar onde e como quiserem. Essa liberdade de atuação funciona como um gerador de interações espontâneas e, muitas vezes, surpreendentes que resultam em momentos únicos de partilha entre quem está a tocar e quem está a assistir.

Ambiente geral em na primeira edição. Foto: Joana Patita

O que diferencia um espetáculo de rua e um espetáculo numa sala fechada? Qual é a relação com o público?

Tudo é diferente. Mas mais do que a diferença entre rua ou sala, interessa-nos o modo de atuação. Em 2018, o Brass iT teve um dia, a sexta-feira, em que os concertos aconteceram numa sala fechada e nem por isso as bandas perderam a característica de uma atuação de rua. O que pretendemos é criar um espírito de proximidade entre as bandas e o público, eliminar complexos e promover interações.

Na primeira edição, a música andou pelas ruas do concelho de Alcanena, tendo dado um “pulinho” até aos concelhos de Torres Novas e Porto de Mós. Nos últimos casos, em concertos dirigidos ao público estudantil. Este ano, o festival arranca nas Lapas, em Torres Novas, e é aberto ao público em geral. O que motivou esta escolha?

O Brass iT é um festival que assume claramente a sua característica de itinerância. E isso acontece tanto no festival em si como no relacionamento institucional, por isso as parcerias iniciadas com os concelhos de Torres Novas e Porto de Mós em 2018, juntamente com o concelho de Alcanena, de onde a Associação Improviso Divergente é originária. Para 2019, manteremos as parcerias com os 3 concelhos, adicionando também o concelho de Leiria.

O festival inclui concertos para alunos, como este em 2018. Foto: Joana Patita

Há uma particularidade que o Brass iT tem na sua base: a formação de públicos. Entendemos que é a partir do seu contexto educativo que melhor podemos alcançar este objetivo. Por essa razão, promovemos performances dirigidas aos públicos mais jovens, em que as bandas se apresentam em escolas num formato de atuação pedagógica, contextualizando o estilo, interagindo com o público e dando oportunidade de participação.

No âmbito da renovação da parceria com o concelho de Torres Novas, iremos estar presentes em três escolas com as performances pedagógicas referidas e faremos uma noite nas Lapas, onde atuarão duas bandas filarmónicas do concelho seguidas de duas bandas que estiveram no Brass iT no ano de 2018.

Cá estão as tais características de itinerância e universalidade do nosso conceito. A cultura deve ser descentralizada e cabe aos agentes promotores de cultura demonstrar capacidade de organização e atração de públicos baseado em experiências diferenciadas. Foi isso que, conjuntamente com o concelho de Torres Novas, quisemos apresentar e daí a opção pelas Lapas.

Esperamos que o público local compareça e valorize a oportunidade.

Uma das atuações de 2018. Foto: Joana Patita

Isto quer dizer que a Associação Improviso Divergente quer conquistar os concelhos vizinhos ou estão decididos a ir mais além e andar com a música pelo braço nas ruas da região do Médio Tejo?

O Brass iT é um festival que tem um ADN muito próprio. A itinerância, a universalidade, a simplicidade de processos, o ecletismo musical e a formação de públicos são a sua base. Nesse sentido, entendemos que as parcerias com os concelhos vizinhos são estratégicas e promotoras do crescimento, pelo que estaremos dispostos a crescer anualmente nestas parcerias. A exemplo, aliás, do que fizemos em 2019, ao adicionar o concelho de Leiria como parceiro.

Isso não impede que assumamos com clareza que a base do Brass iT é em Minde, num festival que este ano acontecerá nos dias 20 e 21 de setembro. Com excepção de Torres Novas, que acontece em junho, as parcerias com os concelhos de Porto de Mós e Leiria acontecerão nestas datas.

Outra particularidade do Brass It é o facto de abranger diversos estilos musicais e na primeira edição as propostas foram do Dixieland à música Balcã. O que podemos esperar na segunda edição?

A escolha das bandas é um dos processos a que damos maior importância. O cartaz de um festival deve ser um espelho dos valores que estiveram na base da sua criação. Temos um compromisso de trazer bandas internacionais que, preferencialmente, nunca tenham atuado em Portugal e que tenham performances e estilos diferenciadores. No panorama nacional, apostaremos num misto de bandas mais conceituadas, com bandas emergentes, numa conjugação de estilos que se quer o mais abrangente possível.

Foi assim que o fizemos logo na primeira edição e manteremos a opção este ano. Serão duas bandas internacionais, uma delas em estreia, acomapanhadas por várias bandas portuguesas, com os estilos a variarem entre o Funk, Dixieland, Pop, Balcã e Rock.

Um dos concertos de 2018 no Mercado Municipal de Alcanena. Foto: Associação Improviso Divergente

Existem mais novidades?

O Brass iT não pretende ser apenas um festival com um cartaz de boas bandas. Pretende ter uma abrangência maior, quer promover o cruzamento de interesses, a interligação de atividades, o espírito de família, a integração de agentes culturais, as parcerias territoriais. Por isso, estamos a trabalhar na definição de atividades paralelas, mas complementares, que darão uma outra dimensão ao festival e funcionarão como pequenos focos de atração de público.

Por falar em público, qual o convite que gostariam de lhe deixar?

Não fiquem em casa. Tragam a família toda e venham aproveitar esta oportunidade. Deixem-se contagiar com o ambiente que o nosso festival proporciona a todos os que assistem.

Cartaz do primeiro momento do festival de 2019 em Torres Novas. Foto: Associação Improviso Divergente

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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