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Segunda-feira, Outubro 25, 2021

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Médio Tejo | Bombeiros solidários com a Liga, corporações de Constância e Torres novas mantêm protesto

Os Bombeiros Voluntários Torrejanos e os Bombeiros Voluntários de Constância são as únicas duas corporações da região do Médio Tejo – distrito Santarém que mantêm o protesto nacional contra a nova Lei Orgânica da Proteção Civil, cessando o contacto com os comandos distritais de operações de socorro (CDOS) da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC). O socorro e a segurança dos utentes está garantido, afirmam os responsáveis. Até ao momento o mediotejo.net não conseguiu confirmar a adesão das corporações de Vila de Rei e Sertã (Castelo Branco), mas mesmo não aderindo parece haver uma solidariedade geral em relação à causa.

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Em Ferreira do Zêzere, num gesto simbólico, a corporação toca a sirene todos os dias pelas 21h00, manifestando a sua solidariedade com o protesto nacional dos bombeiros. Mas segundo o Comandante dos Bombeiros de Constância, Adelino Gomes, apenas a sua corporação e a da Torres Novas aderiram no norte do distrito à medida de cessar contactos com o CDOS, sendo que a maioria apoia de forma informal, com gestos como os de Ferreira do Zêzere.

No restante território aderiram ao protesto Pernes, Chamusca, Benavente, Samora Correia, Rio Maior e também Abrantes, esta nas primeiras 24 horas. “Mas todas as outras corporações, mesmo as municipais, estão solidárias”, garantiu, adiantando que só não aderem ao “blackout” por serem instituições municipais ou, por outro lado, por algum receio de represálias. Na terça-feira, dia 11, houve uma reunião de comandantes onde foi assinado um documento de solidariedade com a causa, adiantou.

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“O socorro está a funcionar”, garantiu, frisando a responsabilidade dos bombeiros para com a sua função social e que em caso de necessidade as ligações com o CDOS serão restabelecidas.

Já os Bombeiros Torrejanos fizeram chegar às redações um comunicado de imprensa em que explicam os motivos da contestação e garantem que a segurança das populações não está em risco. Segundo o texto, a corporação de Torres Novas participou na reunião nacional de bombeiros que decorreu no CNEMA, em Santarém, no sábado, dia 8, promovida pela Liga dos Bombeiros Portugueses.

Neste encontro, refere, foram discutidas as alterações reivindicadas pelos bombeiros à legislação e a resolução do Conselho de Ministros de 25 de outubro, tendo-se concluído que as medidas do Governo quanto à reestruturação da ANPC “não compreendem diversas propostas dos bombeiros portugueses, nomeadamente quanto à criação de uma instituição autónoma para os Bombeiros, com uma direção nacional de bombeiros autónoma, independente e com orçamento próprio”.

O Governo, continua, também não acolheu as propostas da Liga dos Bombeiros para os bombeiros voluntários, neste caso a criação de carreiras profissionais, revisão da contagem do tempo de serviço e a criação do cartão social do bombeiro. “Entendemos que a reorganização proposta, com aumento dos comandos operacionais, não dará a resposta nem aumentará a eficácia à operacionalidade”, refere o mesmo comunicado.

Jaime Marta Soares visitou recentemente a obra de ampliação do quartel dos Bombeiros Torrejanos, guiado pelo presidente da associação, Arnaldo Santos. As críticas à ANPC foram recorrentes nas intervenções na região no último ano Foto: mediotejo.net

Houve assim unanimidade e “aclamação de pé” quanto à proposta de a partir das 00h01 de 9 de dezembro, entre outras medidas, as corporações de bombeiros deixarem de reportar aos cCDOS da ANPC as ocorrências. “Todas estas medidas serão mantidas até que o Governo reflita e consagre em Lei as legítimas reivindicações dos Bombeiros”.

“Frisamos que esta decisão não compromete em nada a resposta dos Bombeiros”, sublinha o texto. “A segurança de toda a população continua a ser garantida com a mesma eficácia e dedicação de sempre. Esta é a nossa forma de nos manifestarmos. Mas nunca conseguiríamos manifestar-nos à custa da segurança dos portugueses”.

Presente no quartel aquando o contacto do mediotejo.net, o adjunto de comando dos Bombeiros Torrejanos, José Razões, adiantou que até ao momento não têm sido verificadas queixas de preocupação da parte da população. “Temos sido bem claros em relação à mensagem”, pelo que “não tem havido qualquer dúvida” da parte dos utentes, explicou. Para já esta corporação vai cumprir as diretivas assumidas na reunião do último sábado.

Cerca de 84% das corporações de bombeiros deixaram de reportar aos CDOS qualquer informação operacional, protesto que a Liga dos Bombeiros Portugueses diz ir continuar “por tempo indeterminado”, refere a agência Lusa.

“Este processo vai continuar por tempo indeterminado. Só é parado se houver uma calamidade, uma catástrofe ou um acidente grave e depois é reiniciado”, disse o presidente da Liga, Jaime Marta Soares, numa conferência de imprensa destinada a fazer o ponto de situação do processo reivindicativo em curso. O responsável adiantou que os CDOS estão “a recolher informações através do INEM e das forças de segurança”.

Dados da Liga indicam que 348 das 414 corporações de bombeiros do país aderiram ao protesto, sendo o Algarve o único distrito que está a reportar informação ao CDOS. Segundo a mesma fonte, nos distritos de Aveiro, Beja, Bragança, Castelo Branco e Viana do Castelo a adesão dos bombeiros é de 100%.

Jaime Marta Soares reafirmou que “não está, nem esteve e nunca estará em causa a falta de socorro” às populações e criticou as declarações do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, considerando que colocou “em pânico a opinião público afirmando que estaria em causa o socorro em Portugal”.

A proposta do Governo, aprovada em Conselho de Ministros em 25 de outubro e em fase de consulta pública, acaba com os atuais 18 CDOS, e cria cinco comandos regionais e 23 comandos sub-regionais de emergência e proteção civil.

O Governo pretende que o novo modelo da Proteção Civil passe a ter uma base metropolitana ou intermunicipal, além de propor a criação de um Comando Nacional de Bombeiros com autonomia financeira e orçamento próprio, cujo responsável máximo será designado depois de ouvida a Liga dos Bombeiros.

Jaime Marta Soares considerou que esta reorganização territorial vai “espartilhar os bombeiros portugueses” e manifestou disponibilidade para “abertura de negociações sérias e transparentes” com o Governo.

c/LUSA

 

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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