Médio Tejo | Autarquias e instituições públicas na rota do LED

Abrantes tem uma despesa anual de cerca de 1,2 milhão de euros e prevê investir 6,5 milhões em lâmpadas LED. Foto: mediotejo.net

Pelo menos um terço das autarquias mudou ou anunciou a intenção de mudar a iluminação pública para LED, com vários hospitais, instituições de ensino e edifícios públicos a fazer o mesmo. Numa contabilidade feita pela Lusa, só nos últimos dois anos cerca de uma centena de autarquias anunciaram publicamente que ou já tinham substituído todas as lâmpadas tradicionais ou que o iam fazer.

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É o caso de Abrantes, tendo esta autarquia do Médio Tejo anunciado em 2016 que iria instalar lâmpadas luminárias de LED em todo o concelho, uma alteração orçada em 6,5 milhões de euros e que visava reduzir a despesa anual de 1,2 milhões de euros em iluminação pública.

O vice-presidente da Câmara de Abrantes, João Gomes (PS), disse na ocasião que a faturação da iluminação pública custa anualmente aos cofres do município 1,2 milhões de euros, um valor que considerou avultado, e que a autarquia está apostada em reduzir, tendo iniciado esse processo de investimento de substituição de lâmpadas com “resultados muito positivos”.

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“Instalámos variadores de velocidade nos motores com consumo mais significativo nas piscinas municipais de Abrantes e Tramagal e o investimento da autarquia, que contou com uma taxa de comparticipação de 70% reduzindo o investimento do município para 7.500 euros, estava concretizado seis meses depois, quando era expectável que o fosse em dois a três anos”, exemplificou na altura.

Relativamente à iluminação pública, o processo de renovação abarcou naquele ano as luminárias existentes na Avenida das Forças Armadas, Rotunda do Quartel e Rotunda da Liberdade, em Abrantes, num investimento exclusivamente municipal na ordem dos 30 mil euros para uma poupança anual aproximada de 6 mil euros, o que se pode traduzir num período de retorno equivalente a quatro anos e meio.

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“Estas apostas é que são o futuro”, destacou o autarca, tendo feito notar que esta poupança “vai permitir dotar o município de capacidade financeira para responder a outras necessidades” concelhias. O ponto de situação em 2018 será feito em breve, disse o autarca, questionado pelo mediotejo.net sobre a evolução do processo.

O município de Abrantes, com cerca de 40 mil habitantes e um território de mais de 700 quilómetros quadrados, preparou um caderno de encargos com todos os pontos de iluminação pública do concelho referenciados, tendo João Gomes referido que o investimento global de instalação de tecnologia LED “ascende aos 6,5 ME e vai demorar alguns anos” até à sua conclusão.

“Não temos capacidade para fazer tudo de uma só vez mas era preciso começar e ir avançando, consoante as disponibilidades financeiras do município. Este é um investimento de retorno garantido, no máximo entre três a cinco anos”, frisou.

O projeto global de promoção da eficiência energética e das energias renováveis está a ser desenvolvido em conjunto com a Médio Tejo 21 – Agência Regional de Energia e Ambiente do Médio Tejo e Pinhal Interior Sul -, e engloba a substituição de luminárias de iluminação pública, a instalação de baterias de condensadores e de variadores de velocidade, e a substituição das óticas dos semáforos por óticas de LED.

No âmbito da eficiência energética, em 2016 estava em fase de implantação um sistema piloto de monitorização dos consumos de energia (eletricidade, água e gás) no Parque Desportivo de Abrantes e monitorização dos consumos de iluminação pública em postos de transformação instalados no centro histórico de Abrantes e em edifícios municipais.

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E se uns estão a começar há os que já acabaram. Ainda no mês passado, por exemplo, a Câmara Municipal de Lousada, distrito do Porto, anunciou que reduziu em cerca de 60% os encargos com iluminação pública, depois de todo o território ter sido equipado com tecnologia LED. A Câmara investiu na mudança 1,8 milhões de euros, um trabalho que começou em 2015 e terminou no ano passado. E diz também que esse investimento será recuperado até ao final de 2020.

A eficiência energética dá mais um passo na União Europeia (UE) a partir de sábado, quando são descontinuadas as tradicionais lâmpadas de halogéneo, até agora usadas, e que vão ser substituídas por outas mais económicas, como o sistema LED, representando uma poupança de energia estimada em 39 tera-watts por hora em 2020. Esse valor era o que Portugal inteiro consumia no ano 2000.

A opção pelo LED (díodo emissor de luz, em inglês Light Emiting Diode, que dá origem à sigla) origina uma poupança de 100.000 euros por ano no Mercado Abastecedor de Lisboa. E está a levar outras instituições a fazer grandes investimentos na nova forma de iluminação, que por consumir menos também é menos prejudicial para o ambiente.

“Todo o esforço que as autarquias possam fazer, sendo elas, através da rede pública, certamente dos grandes consumidores das empresas que vendem eletricidade, é muito bem-vindo. E para isso houve apoios públicos ao longo deste quadro comunitário de apoio”, disse a propósito o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, na resposta a uma pergunta da Lusa.

O ministro salientou o facto de Portugal ser um país que cada vez mais produz energia elétrica a partir de fontes renováveis e deu como exemplo “o campeão” mês de março, quando toda a energia consumida no país foi produzida através de energias renováveis. “Ou seja, deu para tudo o que consumimos e ainda exportámos”, disse.

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João Pedro Matos Fernandes frisou que é preciso “fazer um esforço muito grande no domínio da eficiência energética”, e “gastar menos” é válido para qualquer recurso, embora para a energia seja “da maior importância”.

Conscientes desse “gastar menos”, autarquias, mas também outras entidades, como escolas, universidades e politécnicos, hotéis, centros comerciais ou pavilhões desportivos, estão a mudar a iluminação. E nos últimos anos os natais de várias cidades já foram iluminados com lâmpadas LED.

Só este ano, dezenas de municípios de norte a sul, de Serpa, no distrito de Beja, a Torre de Moncorvo, no de Bragança, de Vila Nova da Cerveira, em Viana do Castelo, às Caldas da Rainha, em Leiria, anunciaram investimentos de milhões de euros para substituir milhares de lâmpadas.

Em 2016, números oficiais davam conta de que havia no continente cerca de três milhões de luminárias, das quais cerca de 80 mil LED, sendo as restantes lâmpadas a vapor de mercúrio e a vapor de sódio, neste caso 2,4 milhões.

c/LUSA

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