Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -
Quinta-feira, Agosto 5, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

“Maus tratos na infância que não são detetados por quem protege”, por Vânia Grácio

Um estudo de doutoramento realizado na Universidade do Minho na Escola de Psicologia, refere que vários tipos de maltrato na infância não são detetados pelas Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ), mesmo quando as crianças são sinalizadas por estas entidades.

- Publicidade -

O estudo foi divulgado pela agência Lusa em abril do ano de 2015, mas hoje serve-nos de base para podermos refletir sobre esta matéria.

O que se procurou saber era o que jovens que foram identificadas pelas CPCJ como maltratados na infância descreviam as experiências abusivas de que foram vítimas. Entrevistados já na adolescência ou na maioridade, a maioria referiu ter sofrido maus tratos (físicos, sexuais ou emocionais) que não constam nos processos destas comissões.

- Publicidade -

Isto leva-nos a refletir sobre o tipo de avaliação que é feita e, uma vez mais, sobre a habilitação dos profissionais das comissões para fazer estas mesmas avaliações. Sublinho uma vez mais a boa vontade de todos os que integram estas entidades, mas, de facto, em muitos casos, isso só não basta. Acresce depois uma avaliação centrada na criança, em que se acaba quase como que por “retirar” a criança do contexto onde está inserida, “considerando-a um individuo isolado”. Um erro fulcral na avaliação das situações de perigo.

Neste país há duas entidades que decidem (e comprometem) o futuro das crianças: as CPCJ’s e os Tribunais, por isso continuo a defender que ambas devem munir-se dos melhores recursos para executarem as suas tarefas da melhor forma. O senso comum/ sensibilidade é importante, mas os estudos científicos, os instrumentos de trabalho e a articulação com as entidades que estão mais próximas das famílias e das crianças, é fundamental.

É certo que existem vários constrangimentos à ação. As situações de abuso sexual por exemplo estão envoltas num elevado nível de secretismo, difícil muitas vezes de quebrar.

Há depois também o exagero dos relatos, as mentiras, as falsas verdades, e as verdades ocultas, a vergonha, as ameaças e o medo. Para desvendar tudo isto, é preciso sensibilidade, conhecimento e tempo. O tempo que por vezes não é o tempo necessário para se tomar uma decisão no tempo da criança (ser criança).

É por isso que a responsabilidade é de todos e todas nós. Do cidadão comum, do professor, do assistente social, do psicólogo, do médico, do enfermeiro, do vizinho, do pai, da mãe, da tia e da avó. De todos. Todos temos de estar atentos e todos temos de proteger as crianças.

Vânia Grácio é Assistente Social e Mediadora Familiar e de Conflitos.
Licenciada em Serviço Social pelo Instituto Superior Bissaya Barreto e Mestre em Serviço Social pelo Instituto Superior Miguel Torga. Pós Graduada em Proteção de Menores pelo Centro de Direito da Família da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e em Gestão de Instituições de Ação Social pelo ISLA. Especializou-se na área da Mediação de Conflitos pelo Instituto Português de Mediação Familiar e de Conflitos.
Trabalha na área da Proteção dos Direitos da Criança e da Promoção da Parentalidade Positiva. Coloca um pouco de si em tudo o que faz e acredita que ainda é possível ver o mundo com “lentes cor-de-rosa”. Gosta de viajar e de partilhar momentos com a família e com os amigos (as). Escreve no mediotejo.net ao sábado.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome