Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -
Sábado, Setembro 25, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Maura e Tânia: Um ano de missão em África (c/vídeo)

Tânia Reis, 26 anos, e Maura Carolino, 36 anos, regressaram a 29 de dezembro a Portugal, depois de um ano de missão na Guiné-Bissau. Um balanço “positivo” numa viagem enriquecedora que levou as amigas de Fátima a fazerem um pouco de tudo, desde aulas de informática, entrega de material escolar e até acompanhamento de um parto.

- Publicidade -

“O balanço é muito positivo, foi sem dúvida uma aprendizagem gratificante e para a vida”, confessou ao mediotejo.net Mauro Carolino. “São contextos diferentes e muitos ricos culturalmente. Chegar foi bom, ver a família e os amigos. Mas ainda estou a tomar consciência que estou em Portugal, que onze meses passaram, e muito rápido. Parte do coração ficou com aquelas pessoas que são, agora, também, nossa família e nossos amigos. Recebo chamadas de lá (Guine Bissau-Empada) e faço chamadas para saber como estão. A Saudade…“

A aventura começou em final de 2014, quando as duas amigas realizaram em Fátima um Festival de Sopas para angariação de fundos. “Maur&Tânia” foi a página de Facebook que ao longo dos últimos meses acompanhou a experiência das duas jovens pela Guiné-Bissau, um projeto antigo de ambas. A missão, patrocinada pela Associação dos Leigos Missionários da Consolata, destinava-se inicialmente a aulas de informática e a prestar serviço num Centro Nutricional, em Empada, a 300 quilómetros de Bissau. Porém as jovens acabaram por assumir outras funções, percorrendo um pouco do país, distribuindo material escolar e até brinquedos a muitas crianças.

- Publicidade -

Já em Portugal, e em época de Festas e reunião com a família, foi difícil para o mediotejo.net entrar em contacto com as jovens. “Percebemos que o nosso tempo não é tempo da Guiné, que temos de ser pacientes e perceber a cultura e conhecê-la, perceber como vivem”, relatou Maura Carolino numa rápida conversa. “As Irmãs convidaram -nos para darmos aulas de Português, apoio, aos alunos do 12º ano do Liceu de Empada, Arturo Ferrazzeta. Cerca de 60 jovens”.

“Vendo as necessidades criámos a campanha do Kit escolar e assim pudemos ajudar todos os alunos do liceu e tabancas (pequenas aldeias) ligadas à gestão do liceu, com material escolar”, narrou Maura. “A Campanha foi tão positiva que ainda deu para dar brinquedos para o jardim Consolata, material didático para a biblioteca do liceu e de apoio pedagógico aos professores”. “A roupa deu para ajudar as crianças do centro e da comunidade”.

As contribuições foram muitas e vieram de todo lado. “Foram muitas pessoas de várias maneiras: apoiando e participando nas atividades que desenvolvemos”. “As nossas familias dinamizaram a campanha, tivemos apoio de farmácias, professores, pessoas que estiveram em missão, pessoas ligadas à Consolata, a Arca da Aliança enviou 40 caixas com material, por exemplo…as nossas paróquias mobilizaram-se para apoiar, os párocos…foram muitas pessoas (…) gente que nem conhecemos colaborou…amigos, amigo dos amigos, vizinhos…sei lá,muita gente”, confessou. As jovens foram também mediadoras do projeto Estuda Lá, dos Leigos Missionários da Consolata, que apadrinha cerca de 40 crianças em Empada.

A mesma reflexão é realizada por Tânia, também atrapalhada na azáfama do regresso. “Foi uma experiência muito positiva. Muito bonita”, confessou. “Foi difícil, pois é um mundo completamente diferente. Para mim que foi a primeira vez que sai de casa e ainda por cima por um ano. Não conseguir comunicar com a família regularmente não foi fácil”.

Tânia salienta também o impacto do contexto económico e social, numa zona onde “não há luz nem água”. “Mas são um povo que embora pobres partilham o pouco que têm entre eles. Se alguém fica sem casa, por algum motivo, não vai viver na rua, alguém da familia ou mesmo um desconhecido o vai acolher na sua casa. Se alguém chega na tabanca e se tem sede ou fome, é acolhido e a taça do arroz dá para mais uma mão. Sabem e vivem a partilha de forma muito genuina. O mais difícil foi conseguir acolher a cultura e tentar entender”, lembra.

Tânia é do Bairro, freguesia de Fátima, e Maura, embora trabalhe em Fátima, é de Valverde (Alcanede). Em Empada tiveram a oportunidade de realizar um curso de crioulo, com palestras sobre a saúde, educação, legislação e cultura do país. Quando partiram, a zona estava próxima da epidemia de ébola, mas a doença foi entretanto controlada.

Para a posteridade ficam as fotografias, um quadro intenso e inspirador de uma missão em África.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome