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Terça-feira, Maio 11, 2021

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“Massa estendida e folhada”, por Armando Fernandes

Diz-se da massa estendida com o auxílio de um rolo sobre uma mesa ou pedra (de mármore) enfarinhada com a finalidade de lhe dar a espessura que é necessária ao destino a que se destina, por exemplo: pastéis, tartes, folhados, fundos de empadas, ou guarnições.

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Também o corte de uma fatia de bolo pode sofrer o epíteto de estender a massa.

Se em culinária e no caso específico da pastelaria a massa estendida é prenúncio de agradabilidades comestíveis a afagarem o palato, aveludadas, no jargão do quotidiano robusto de metáforas e subentendidos «estender a massa» é sinónimo de conversa fiada, de mistura com a massa folhada do enfeite através de florões fantasiosos, corolários dessa mesma massa folhada ter sido muito bem torcida, recebido manteiga em abundância em cada volta, pelo menos oito, concedendo-lhe extraordinária finura e maleabilidade que os apreciadores de empadas reconhecem logo que os dentes as rompem.

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Vivemos em tempos de massas alimentícias de cores variadas e de esquisita digestão. Cuidado!

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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