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Domingo, Agosto 1, 2021

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“Mário Centeno ceifou-se e ceifou toda a esquerda”, por Duarte Marques

O debate sobre o programa do Governo “geringonça” que decorre desde ontem na Assembleia da República permitiu, desde já, acabar com alguns mitos que os partidos de esquerda, e de extrema esquerda, propagandearam na campanha eleitoral e ao longo dos últimos 4 anos. Ontem, de uma assentada apenas, Mário Centeno ceifou todo um discurso que alimentou o PS, BE e PCP sobre o papel do Estado na regulação do setor financeiro.

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Numa resposta dada a Mariana Mortágua, Centeno, o novo Ministro das Finanças, disse apenas aquilo que as pessoas de bom senso disseram ao longo do último ano: cabe ao Banco de Portugal e ao BCE intervir na gestão dos bancos privados, não cabe ao governo. Ao seu lado, Pedro Nuno Santos, António Costa, Augusto Santos Silva e Carlos César engoliram em seco. Afinal a nova estrela do seu governo tinha acabado de enterrar toda a argumentação da esquerda, que havia criticado a não intervenção do Governo PSD/CDS no BES, ao longo dos últimos anos. Engoliram em seco e nem pestanejaram.

Um pouco antes já António Costa tinha rejeitado, numa resposta à sua nova colega Catarina Martins, todo o discurso da esquerda, PS incluído, de eliminar todos os falsos recibos verdes. Todos sabemos que tal é impossível, mas em campanha vale tudo. Costa apenas assumiu um maior empenho no combate aos falsos recibos verdes. E bem.

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Mas Centeno também se ceifou, ceifou as suas mais antigas convicções, ceifou as suas teses como académico e foi ceifado na sua proposta de programa inicial. Centeno ceifou e foi ceifado porque os seus colegas do PS, do BE e do PCP ceifaram todas as suas propostas do programa de governo do PS, eliminaram as novidades, as verdadeiras inovações e o que havia de liberal, no fundo, tudo o que havia de Centeno.

Mesmo assim aceitou a sua “cadeira de sonho”.

Quando confrontado com as teses académicas que publicou, que alertavam para os perigos da subida do salário mínimo e com caras consequências no aumento do desemprego, Mário Centeno responde com a pérola do dia: “é errado trazer para a atividade política e tentar verter para a legislação o que está nos meus artigos científicos.” Pergunto eu, quer isto dizer que a sua obra científica não tem valor na realidade, não se aplica? Então qual a diferença entre a sua obra científica e um romance? Sobre rigor científico estamos falados, sobre romances já estamos habituados, só desejo que o país não se transforme numa tragicomédia.

Mas a cereja em cima do bolo, e talvez o mais revoltante, foi a desvalorização da saída limpa de Portugal, da saída da Troika e do fim da bancarrota. Apetece perguntar ao novo governo: prefere o PS governar agora, sem Troika, sem memorando, com a economia a crescer, com o desemprego a baixar? Ou preferia governar como estávamos em 2011?

Pois.

 

Duarte Marques, 39 anos, é natural de Mação. Fez o liceu em Castelo Branco e tirou Relações Internacionais no Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, com especialização em Estratégia Internacional de Empresa. É fellow do German Marshall Fund desde 2013. Trabalhou com Nuno Morais Sarmento no Governo de Durão Barroso ao longo de dois anos. Esteve seis anos em Bruxelas na chefia do gabinete português do PPE no Parlamento Europeu, onde trabalhou com Vasco Graça Moura, José Silva Peneda, João de Deus Pinheiro, Assunção Esteves, Graça Carvalho, Carlos Coelho, Paulo Rangel, entre outros.
Foi Presidente da JSD e deputado na última legislatura, onde desempenhou as funções Vice Coordenador do PSD na Comissão de Educação, Ciência e Cultura e integrou a Comissão de Inquérito ao caso BES, a Comissão de Assuntos Europeus e a Comissão de Negócios Estrangeiros e Cooperação. O Deputado Duarte Marques, eleito nas listas do PSD pelo círculo de Santarém, foi eleito em janeiro de 2016 um dos novos representantes portugueses na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, com sede em Estrasburgo. É ainda membro da Assembleia Municipal de Mação.
Sócio de uma empresa de criatividade e publicidade com sede em Lisboa, é também administrador do Instituto Francisco Sá Carneiro, director Adjunto da Universidade de Verão do PSD, cronista do Expresso online, do Médio Tejo digital e membro do painel permanente do programa Frente a Frente da SIC Notícias.

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1 COMENTÁRIO

  1. Portugal em 2011 estava bem melhor do que actualmente. Tivessemos nessa altura as actuais condições da economia internacional: BCE a desempenhar o seu papel, petróleo ao preço da chuva e um euro competitivo, e uma oposição responsável, e não estariamos agora com os cordelinhos das empresas estratégicas entregues a chineses e angolanos, os bancos falidos, uma parte considerável da população jovem, qualificada e fértil noutras paragens e a dívida pública 60 mil milhões acima do que estava. Acho a cassete da bancarrota uma simplificação grosseira e uma figura de retórica chocha.

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