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“Manobras sub-reptícias”, por Nuno Pedro

Não sei se é característica própria dos portugueses, se é transversal a outros povos, mas o desenrascanço, traduzido nesta ou naquela forma de dar a volta a uma situação, mais ou menos inconveniente, faz doutrina cá no burgo. Ou seja, há quem não olhe a meios para atingir os fins pretendidos. Chamemos-lhes “chicos-espertos”, para ser simpático. Esquecem-se é que há também os inteligentes, não os burros, mas que têm o discernimento e capacidade de raciocínio necessários para pôr cobro a eventuais estratagemas mal-intencionados e que não são mais do que práticas altamente condenáveis, cujos autores não percebem que as mesmas podem produzir um efeito boomerang. E quando chega à nossa casa, aqui D’el Rei, que são todos uns bandidos, sejam dirigentes, treinadores ou encarregados de educação, Tudo gente sem escrúpulos.

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Vem isto a propósito do novo regulamento de transferências de jogadores dos escalões de formação, o qual entrou em vigor no início da presente época e que alguma celeuma veio causar na “Família do Futebol”, nomeadamente no que diz respeito à obrigatoriedade do pagamento da denominada taxa progressiva pelo clube recetor ao clube do qual o jogador era proveniente e cujo valor é calculado com base no coeficiente respectivo, tratando-se da 3º, 4º, 5º e por aí adiante, transferência para um mesmo clube, já que a 1ª e 2ª transferência estão abrangidas pelo regime anterior, ou seja, estão apenas sujeitas ao pagamento dos 37,50€ por parte do clube no qual o jogador é inscrito.

Nada de transcendente resultaria daqui não fosse o caso de verificarem-se autênticas debandadas de jogadores de um clube para outro, colocando, em alguns casos, a própria existência de equipas em determinado escalão nos clubes. As razões para que isso aconteça não importam para aqui, ou talvez até importassem, mas os dirigentes, pais e treinadores, são maiores e vacinados, logo, só têm é que assumir responsabilidades e entenderem-se. Se não quiserem ou não conseguirem, existe um regulamento próprio para aplicar. E esse chama-se “Aplicação de Coeficientes de Transferências nos Escalões de Juniores, Juvenis, Iniciados e Infantis – Campeonatos Distritais e Nacionais”.

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Infelizmente e de forma a contornar o referido regulamento, passaram alguns dirigentes, não os clubes, refira-se, pois esses ficam e os dirigentes passam, a recorrer a clubes, quais, barrigas de aluguer, utilizando-os para concretizar transferências sem o pagamento da taxa progressiva, para depois e assente no acordo previsto, serem novamente transferidos para os clubes que realmente desejavam representar, já que, como está estipulado, a 1ª e 2ª transferência para um mesmo clube não contemplam o pagamento da taxa progressiva.

Explicando, o Manuel e o Joaquim jogaram na época 16/17 no clube A, mas querem ir jogar na época seguinte no clube B. Acontece que o António e o João, que também jogavam com o Manuel e o Joaquim no clube A já se transferiram para o clube B. Como foram a 1ª e 2ª transferência pagaram a taxa normal. Assim, o Manuel e o Joaquim, ou melhor, o clube B, já terá que pagar os valores respeitantes aos coeficientes previstos regulamentarmente ao clube A, os quais importam em algumas centenas de euros. Não há problema, o dirigente do clube B, que até é amigo do dirigente do clube C, solicita para que este inscreva o Manuel e o Joaquim no seu clube, como 1ª e 2ª transferência, só paga o valor residual para, de seguida, serem dispensados ao clube B. Não sei se me fiz entender, mas não me parece difícil. Esta malta da bola pensa em tudo.

E foi para acabar com esta fraude, o nome é mesmo esse, que a Federação Portuguesa de Futebol acaba de anunciar uma nova orientação sobre esta matéria, que passo a referir: 1 – Sempre que na mesma época desportiva um praticante seja inscrito num determinado Clube e, posteriormente, ainda na mesma época desportiva, noutro Clube de destino, deve ser sempre considerado para efeito de aplicação da Taxa Progressiva, o Clube de origem na época anterior e o Clube final de destino; 2 – Na situação referida no ponto anterior, deve ser aplicado a Taxa Progressiva e a Associação distrital ou regional respetiva, deve proceder ao débito do valor em causa na conta corrente do Clube final de destino (segunda ou terceira inscrição na mesma época), e ao crédito na conta corrente do Clube de origem na época anterior desse mesmo praticante; 3 – Deve ainda a Associação distrital ou regional respetiva, informar os dois Clubes envolvidos (Clube de origem e Clube de destino final), do procedimento efetuado. Finalmente, deve ainda informar o Clube de destino final e o Clube colaborante na tentativa deliberada de contornar a implementação da Taxa Progressiva, de que serão efetuadas as comunicações aos conselhos de disciplina, com vista à aplicação de sanções do foro disciplinar.”

Fui claro, ou é preciso fazer um desenho.

Com uma vida ligada ao futebol, particularmente enquanto dirigente, Nuno Pedro, abrantino, 46 anos, integra desde 2008 o quadro de Delegados da Liga Portuguesa de Futebol Profissional e mais recentemente a direcção da Associação de Futebol de Lisboa mas, acima de tudo, tem uma enorme paixão pela modalidade. Escreve no mediotejo.net de forma regular.

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