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“Manga”, por Armando Fernandes

Há dias ouvi um ruído cascalhado e indaguei a razão da estridência, a mesma provinha de estar a ser elaborado um batido de manga. Sim, daquela espécie que só após a segunda globalização passou a estar disponível nos mercados portugueses vindas do Brasil, da Venezuela, Costa do Marfim, Alto Volta, Moçambique e todos os países onde prospera, ela que é originária da Malásia.

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Na primeira globalização, século XVI, foi introduzida em África e na América Latina pelos «colonialistas», porém não me alargo nesta matéria porque o revisionismo acerca da nossa História está a lacerar memórias da nossa memória colectiva onde o vesguismo e sectarismo estão a prosperar.

Muito rica em ferro e vitaminas C e B, a manga, ainda verde, entra em composições culinárias em várias cozinhas asiáticas, madura é requestada no domínio das guarnições de peixes e carnes quando na categoria de grelhados e grelhadas, saladas coloridas e perfumadas (as numerosas variedades exibem múltiplas tonalidades), bem como nas áreas das compotas, pastelaria, gelados e sorvetes.

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Nos tempos correntes a manga faz parte do nosso rol de frutas correntes a significar aculturações de várias latitudes e longitudes.

A manga na altura da compra deve apresentar-se firme (amadurece rapidamente) e, muito bons gourmets prodigalizam-lhe afeições no tocante a batidos com leite e chocolate.

Os leitores têm na manga um fruto polpudo, doce e adequado a, neste período de recolhimento, possibilitar-lhe incursões no âmago da nona arte – a gastronomia – experimentações capazes de lhe trazerem elogios da família nuclear, pois a parentela e os amigos só podem ser contactados a prudente distância pois o vírus não perdoa.

Não podemos esquecer as estrídulas declarações da Senhora Marta Temido que ainda está a tentar perceber o sucedido na sequência da quadra natalícia. Talvez descubra o mistério bebendo dois cálices de licor de manga!

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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