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Quinta-feira, Agosto 5, 2021

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“Mais uma vez, de outra maneira”, por Sérgio Ribeiro

A tarefa de ser um dos delegados da concelhia de Ourém na Assembleia Regional de 29 de Maio, do Partido por que tomei partido há uns 60 anos, e de ser eu a ler uma intervenção de 5 minutos (à volta de 3.000 caracteres), desenrolou, para a elaboração do texto a propor, um novelo de referências (deveria escrever recordações?) curiosas no meu quase-diário.

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No leque de temas a abordar, desde logo exclui os que mais esperados seriam de mim, dadas as habilitações profissionais e as conotações que carrego quase como anátema: economista igual a números e, pior ainda, a quantidades monetarizadas. Ou seja, não só território em quilómetros quadrados, demografia em habitantes, níveis etários, emigrantes, resultados eleitorais, números aparentemente, também percentagens, comparações no tempo, rendimentos monetarizados (e os que não o são?) das gentes, remessas de emigrantes, depósitos bancários, resultados das empresas, impostos e onde pagos. Tudo em números certos, certinhos até à unidade e centésimo, até ao euro e cêntimo (porque não centavo?!), e quanto mais aparentemente exactos mais longe do que deveriam representar e mais instrumentos de manipulação.

(o défice orçamental teria sido de 2,7% do PIB em 2015, de acordo com cálculos avalizados por quem impôs as estratégias, e justificava deste encómios e o certificado de “saída limpa” após aplicação de medidas ultra-zelosamente cumpridas, esses tais 2,7% tão certinhos ainda não se sabe a quantas décimas acima dos 3% irá parar… e por culpa de quem’, a pretextar sanções ao que parece só adiadas por causa de eventuais engulhos em Espanha e no Reino Unido?)

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Mas não quero escrever sobre números. Nem mesmo sobre cálculos que previam, para o concelho de Ourém, uma população de cinquenta e alguns milhares, onde somos hoje uns tantos milhares a menos dos cinquenta, e por isso temos de pagar mais cara a água ao concessionário, agora chinês depois de outras nacionalidades.

Não quero!, além do mais porque não sabia como faze-lo em 3.000 caracteres, a não ser em números sintéticos frutos de engenharias (ou arquitecturas) financeiras redutoras, e não me chegaria um semestre bem preenchido quanto mais 5 minutos…

Quero, isso sim e – talvez… – aproveitar para a colaboração (irregular, mea culpa…) com o MédioTejo.net, abundar em uma recorrente e básica reflexão: de que terra sou? (mal vão as coisas quando se diz de alguém que não sabe de que terra é!…)

É o Tejo estruturante?, nele se inclui este Médio-Tejo, o deste jornal digital. Mas também o será para Ourém?, onde  o centro hospitalar parece centrifugar Ourém do Tejo, para o qual tínhamos “pontes” em Tomar e Torres Novas. E tantos exemplos…

Acabados os distritos, apesar de continuarmos a eleger os deputados por distritos que deixaram de ser, será a nossa “região” o Ribatejo?, a que tanto nos liga e parece que mais se quer que nos desligue, a fazer de conta que constitui a extensão da margem norte do rio Tejo em (des)equilíbrio com réstea da parte norte do Além-Tejo?

E lembrar-me eu que desde o IIIº Plano de Fomento (1968-73) e, sobretudo, desde a Constituição da República (1976) o nosso ordenamento territorial exige a existência de regiões, que o defunto “arco da governação” (sempre em ânsias de ressurreição) impediu que se concretizasse.

Corrijo-me: sei de onde somos, parece que não sabem é onde nos pôr mais à terra de onde somos. E não é por acaso. A destruição de tanta coisa que foi conquistada como direito dos cidadãos e obrigação do Estado faz parte da recuperação e extensão de interesses privados, de grupos.

Doutor em Economia e ex-membro do Comité Central do PCP, é membro da Assembleia Municipal de Ourém. Foi deputado à Assembleia da República em 1986 e de 1989 a 1990. Foi também consultor Chefe de Missão BIT/OIT em Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique, Director Geral do Emprego e deputado ao Parlamento Europeu desde 1990 a 1999, onde integrou várias Comissões do Parlamento Europeu e do Inter-Grupo do PE para as Questões de Timor-Leste.
Escreve mensalmente no mediotejo.net.

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