Terça-feira, Março 2, 2021
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Maioria dos jovens que participaram em estudo acha legítima a violência no namoro

Quase sete em cada dez jovens que participaram num estudo sobre violência no namoro acha legítimo o controlo ou a perseguição na relação e quase 60% admitiu já ter sido vítima de comportamentos violentos. A PSP recebeu mais de 2.000 queixas no ano passado sobre violência no namoro, a maioria denúncias de ex-namorados, o que representou uma diminuição de 5% face às queixas recebidas em 2019, divulgou hoje aquela força policial.

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Os dados são de um estudo da UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta, apresentados durante um ‘webinar’ sobre prevenção e combate à violência no namoro, promovido pela Comissão para a Igualdade de Género (CIG), no âmbito de um programa (Arthemis+) de prevenção primária de violência de género, que envolveu 4.598 jovens de escolas de todos os distritos do continente e ilhas, dos 7.º ao 12.º anos de escolaridade.

De acordo com o estudo, cujos dados são relativos a 2020, 67% dos jovens consideram legítima a violência no namoro, dos quais 26% acham legítimo o controlo, 23% a perseguição, 19% a violência sexual, 15% a violência psicológica, 14% a violência através das redes sociais e 5% a violência física.

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Entre estes quase cinco mil jovens, cuja média de idades é de 15 anos, 25% acham aceitável insultar durante uma discussão, outros 35% que é aceitável entrar nas redes sociais sem autorização, 29% que se pode pressionar para beijar e 6% entendem mesmo que podem empurrar/esbofetear sem deixar marcas.

No que diz respeito às diferenças por género, é sempre por parte dos rapazes que a legitimação é maior, com destaque para o comportamento “pressionar para ter relações sexuais”, em que a legitimação entre os rapazes (16%) é quatro vezes superior à das raparigas (4%).

Por outro lado, no que diz respeito aos indicadores de vitimação, o estudo da UMAR mostra que 58% dos jovens inquiridos admitiram já ter sofrido de violência no namoro, havendo 20% que admitiram ter sofrido violência psicológica, 17% terem sido vítimas de perseguição ou ainda 8% que foram vítimas de violência sexual.

Os indicadores de vitimação mais frequentes são insultar durante uma discussão (30%), proibir de estar ou falar com os amigos (23%) ou incomodar/procurar insistentemente (17%).

Também na vitimação há uma diferença de género, com uma prevalência de vítimas entre as raparigas, sobretudo na violência psicológica (22%), perseguição (19%) ou controlo (15%).

Durante o ‘webinar’ foram também apresentados dados do Observatório da Violência no Namoro, da associação Plano i, que em 2020 recebeu 69 denúncias, sobretudo por parte de ex-vítimas (53,6%) e testemunhas (37,7%), com uma média de idades de 26 anos, uma vez que este é um projeto dirigido sobretudo à população universitária.

De acordo com os dados apresentados, as vítimas são predominantemente mulheres, de nacionalidade portuguesa, estudantes e com uma orientação sexual heterossexual, enquanto as pessoas agressoras são maioritariamente do sexo masculino, com uma média de idades de 24 anos, maioritariamente namorados atuais das vítimas.

Os crimes reportados aconteceram sobretudo nos distritos de Lisboa, Porto e Braga, sendo as agressões verbais e emocionais as formas mais prevalecentes de violência no namoro.

“Em cerca de 26% dos casos, as vítimas foram sujeitas a ameaças de morte e/ou tentativa de homicídio”, refere o observatório.

Em mais de 75% dos casos as vítimas não apresentaram queixa do agressor e as causas mais frequentes para explicar a prática da violência são os ciúmes e os problemas mentais das pessoas agressoras.

De 2017 a 2020, este observatório já recebeu 338 denúncias informais, sendo que “na maioria dos casos não houve apresentação de queixa às autoridades policiais”.

Violência no namoro de jovens motiva mais de 2.000 queixas à PSP em 2020

A PSP recebeu mais de 2.000 queixas no ano passado sobre violência no namoro, a maioria denúncias de ex-namorados, o que representou uma diminuição de 5% face às queixas recebidas em 2019, divulgou hoje aquela força policial.

Em 2020 foram registadas 2.006 denúncias pela PSP, das quais 1.116 relativas a violência no namoro entre ex-namorados e 890 a relações de namoro ainda em curso, “transversais a todas as faixas etárias”, anunciou hoje, Dia dos Namorados, a PSP em comunicado, ressalvando que os dados não são ainda definitivos pois estão “em consolidação”.

Face aos números, a PSP diz constatar ter havido um decréscimo de cerca de 5% das denúncias, em comparação com o ano de 2019, anos em que registou 2.100 denúncias.

“Estamos em crer que para este decréscimo contribui também o trabalho de proatividade da PSP, nomeadamente através das ações de sensibilização junto da comunidade escolar”, afirma no documento, concluindo que, apesar da diminuição no número de ações no último ano letivo, devido à pandemia e ao ensino ‘online’, “a PSP conseguiu passar a mensagem” sobre esta problemática.

A intervenção precoce, explica a PSP, é um dos princípios de atuação consagrado na legislação de menores em Portugal, reconhecendo os efeitos negativos na formação da personalidade das crianças quando expostas à violência em ambiente familiar.

“A replicação desse comportamento em qualquer vínculo afetivo e, em concreto, nas relações de namoro, são um indício da necessidade de intervenção especializada”, afirma, lembrando que a violência não é tolerável, nem desculpável, mas “quem agride precisa de ser ajudado”.

A violência nas relações de namoro pode ser física, psicológica ou emocional, social, sexual e económica, e injuriar, ameaçar, ofender, agredir, humilhar, perseguir ou devassar a intimidade são formas dessa violência.

“Cerca de 85% dos relatos de violência no namoro apresentados à PSP em 2020 envolvem violência psicológica”, adianta, concluindo que a violência física está presente em 70% das denúncias e que, aproximadamente 50% desses casos, ocorrem no interior das residências, e apenas 27% na via pública.

Durante o ano letivo de 2019/2020, no âmbito do Programa Escola Segura, a PSP diz ter feito 1.346 ações de sensibilização sobre o tema, envolvendo 28.573 alunos a nível nacional.

“Este trabalho de proatividade junto da comunidade escolar contribuiu para que, anualmente, 40% das denúncias de violência no namoro cheguem à PSP através do Programa Escola Segura”, diz ainda, apelando à denúncia da violência, seja ou não no no namoro.

Um estudo da UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta a quase cinco mil jovens, apresentado na sexta-feira, conclui que quase sete em cada dez jovens, inquiridos, acha legítimo o controlo ou a perseguição na relação de namoro e quase 60% admitiu já ter sido vítima de comportamentos violentos.

Os dados do estudo, de 2020, concluem que 67% dos jovens consideram legítima a violência no namoro, dos quais 26% acham legítimo o controlo, 23% a perseguição, 19% a violência sexual, 15% a violência psicológica, 14% a violência através das redes sociais e 5% a violência física.

Entre estes quase cinco mil jovens, cuja média de idades é de 15 anos, 25% acham aceitável insultar durante uma discussão, outros 35% consideram aceitável entrar nas redes sociais sem autorização, 29% que se pode pressionar para beijar e 6% entendem mesmo que podem empurrar/esbofetear sem deixar marcas.

No que diz respeito às diferenças por género, é sempre por parte dos rapazes que a legitimação é maior, com destaque para o comportamento “pressionar para ter relações sexuais”, em que a legitimação entre os rapazes (16%) é quatro vezes superior à das raparigas (4%).

Agência de Notícias de Portugal

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