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Quarta-feira, Julho 28, 2021

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Mação | Nova espécie de animal fóssil com 455 milhões de anos descoberta em Chão de Lopes

Foi em Mação que os investigadores descobriram em 2011 uma nova espécie de animal fóssil com 455 milhões de anos, as trilobites, um achado que foi classificado como “histórico”, anunciou na ocasião a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real.

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O fóssil trilobite, cuja existência era desconhecida, foi encontrado em rochas da Formação Cabeço do Peão, no concelho de Mação, na região do Médio Tejo, e foi oferecido para as coleções paleontológicas do Museu de Geologia Fernando Real, da UTAD.

A nova espécie de trilobites “gigantes” foi encontrada em Chão de Lopes, Mação, no dia 21 de julho de 2011, uma descoberta cientifica de relevância internacional com 445 milhões de anos, anunciou na ocasião um dos responsáveis pelo achado arqueológico.

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Uma réplica de trilobite “gigante” integra a exposição ‘ O mundo dos insectos’, patente no Parque Tejo, em Rossio ao Sul do Tejo, até dia 31 de maio.

Na altura, o professor Artur Sá, do Departamento de Geologia da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) não escondeu a sua euforia ao revelar a descoberta de uma “espécie nova” de trilobites – “uma trilobite gigante para este género da espécie panderiae” -, com um tamanho “cinco vezes superior às até hoje conhecidas cientificamente” a nível mundial.

“Apesar dos seus cinco centímetros, esta é uma espécie gigante para o género de trilobites, que são milimétricas, quando muito atingem o centímetro”, afirmou, assegurando que a equipa que coordena fez o achado a “um nível fossilífero único” na Península Ibérica.

“Mação é o melhor sítio em Portugal para o estudo da grande glaciação ocorrida na Terra há cerca de 445 milhões de anos e que foi responsável pelo desaparecimento de mais de 90 por cento das espécies então existentes”, observou, então, em declarações à Lusa.

“A riqueza fossilífera das rochas do concelho”, continuou, “onde pontificam restos e marcas de seres vivos como trilobites, braquiópodes, bivalves e equinodermes, entre outros, com cerca de 450 milhões de anos, são únicos no país e a qualidade e diversidade dos fósseis de Mação são reconhecidas internacionalmente”, vincou, sendo que ali foram descobertas e definidas, entre outros, as trilobites Eoharpes macaoensis (dedicada a Mação) e Actinopeltis tejoensis (dedicada ao vale do Tejo).

“Além disso”, reforçou, “a qualidade dos afloramentos geológicos do concelho justificou a recente inventariação do ‘Corte Geológico de Chão de Lopes Pequeno’ como o mais importante em Portugal para o estudo da grande glaciação como o atestam as duas importantes descobertas hoje ocorridas”, no âmbito do Período Ordovícico, disse o especialista, no dia da descoberta.

Composta por jovens integrados no programa Ciência Viva e por alunas de doutoramento de duas universidades espanholas, a equipa de Artur Sá recolheu na ocasião, e ao longo de uma semana, cerca de dois mil fósseis, que este considerou serem um espólio “do mais alto valor patrimonial e de alta relevância para o mundo e para a ciência”.

Segundo referiu, as trilobites foram encontradas incrustadas em rochas que, à altura, fariam parte de uma enorme cadeia montanhosa e que estariam no fundo do mar, onde as trilobites viveriam.

“O que é hoje Mação era, há 445 milhões de anos, mar profundo. E era o que existia, sendo que Mação e o mar estavam então quase no pólo sul”, observou.

Segundo deu conta na ocasião a academia transmontana, a identificação foi feita no âmbito dos trabalhos de doutoramento de Sofia Pereira, aluna da Universidade de Lisboa (UL), orientada por Artur Sá, docente e investigador da UTAD e Carlos Marques da Silva, docente e investigador da UL.

“A descoberta é considerada histórica já que muda toda a perspetiva e conhecimento de um género cuja origem ocorreu num território que, 450 milhões de anos depois, viria a ser Portugal”, salientou a doutoranda Sofia Pereira.

Até agora, o registo mais antigo do género “Radnoria” documentado, que estava localizado no sul da China.

As trilobites são uma classe extinta de artrópodes marinhos que viveram durante quase 300 milhões de anos e dominaram amplamente os ambientes marinhos do período Paleozoico.

A designação “trilobite” diz respeito à divisão transversal da sua carapaça mineralizada em três lóbulos (tri-lobite): a ráquis (ao centro) e as pleuras (lateralmente).

Longitudinalmente apresentam uma constituição corporal semelhante à de outros artrópodes: o cefalão (cabeça), o tórax e o pigídio (cauda).

“Este fóssil foi encontrado pelo paleontólogo não profissional Pierre-Marie Guy, que contactou a equipa do Centro de Geociências para a sua identificação. Depois de observado concluiu-se tratar de uma espécie nova de trilobite, um animal já extinto que existiu muito antes dos primeiros dinossauros”, afirmou o investigador Artur Sá.

À trilobite foi atribuído o nome “Radnoria guyi”, em homenagem ao descobridor, que ofereceu o fóssil às coleções paleontológicas do Museu de Geologia da UTAD e indicou o local do achado onde, posteriormente, foram recolhidos mais exemplares para o estudo agora efetuado.

“Esta descoberta traz nova luz acerca da distribuição temporal e geográfica do género Radnoria, sugerindo a possibilidade de se ter originado em altas latitudes antárticas, local onde se formaram as referidas rochas nas margens do continente Gondwana, há muito desaparecido”, acrescentou o investigador da UTAD.

A descoberta foi descrita e caracterizada num trabalho publicado no “Bulletin of Geosciences”, uma das revistas de referência em Paleontologia, com autoria de Sofia Pereira, doutoranda da UL e colaboradora do Centro de Geociências, Carlos Marques da Silva, da Faculdade de Ciências da UL, Miguel Pires, paleontólogo não profissional e Artur Sá do Departamento de Geologia da UTAD.

*C/LUSA

*Artigo publicado em dezembro de 2015, republicado a 17 de fevereiro de 2018

 

 

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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1 COMENTÁRIO

  1. TRILOBITE

    Quando caiu parte da falésia a sul da Praia das Bicas, MECO, encontrei um pequeno, suposto, TRILOBITE como a foto o mostra que não consigo aqui deixar.
    Andei à procura de eventuais notícias sobre a existência, por aqui, deste raro fóssil e nada encontrei.
    Podemos estar perante um achado importante (Ente 280 a 500 milhões de anos).
    Fica a fotografia e a curta notícia.
    Entretanto resolvi e já o fiz, entregar à Câmara Municipal de Sesimbra o dito achado pois pode ser muito importante para datar aquela Zona da Praia das Bicas onde a encontrei.
    Rogério Martins Simões

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