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Sábado, Outubro 23, 2021

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Mação | “Voltámos a viver no nosso abrigo de cinzas”, diz Saldanha Rocha (C/Vídeo)

“Voltámos a viver no nosso abrigo de cinzas”, disse, desolado, José Manuel Saldanha Rocha, presidente da Assembleia Municipal de Mação e presidente da Câmara entre 2001 e 2013. Em declarações ao mediotejo.net o autarca recordou o incêndio que fustigou gravemente o concelho em 2003.

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“Tínhamos pensado que não iríamos sofrer de novo este pesadelo. Mas, com efeito, estamos a viver uma situação idêntica, quiçá mais violenta ainda, porque, na realidade, foram muitos mais centros urbanos e populações afetados dada a rapidez deste incêndio”, constatou o autarca.

Em relação à área ardida, Saldanha Rocha diz que Mação “está praticamente a bater os valores” de 2003. “Era impensável no meu espírito que nós pudéssemos vivenciar de novo uma situação idêntica”, afirmou.

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Após o incêndio de 2003, o concelho de Mação desenvolveu um projeto piloto, de excelência, ao nível das boas práticas de ordenamento do território e das florestas, mas nunca foi colocado em prática. Questionado pelo mediotejo.net sobre as razões da não concretização, Saldanha Rocha avança:

“Acho que houve uma manifesta falta de coragem política para concretizar o que nós sempre defendemos, que é uma nova gestão e ordenamento do território. Sem isso, nada feito. O projeto foi apresentado a centenas de políticos, a dezenas de ministros e secretários de Estado, foi reconhecido internacionalmente. Nunca foi um projecto a pensar só em nós, mas a pensar num todo nacional, nomeadamente nestas regiões que são sempre muito martirizadas por este tipo de acontecimentos. Foi uma década perdida e, provavelmente, daqui a uma década estamos a viver o mesmo cenário dantesco”, lamenta o autarca.

O incêndio que está neste momento a fustigar Mação entrou na vila no domingo à noite, tendo-se iniciado nesse dia à tarde na Sertã. Uma das maiores dificuldades no combate às chamas tem sido o vento.

Saldanha Rocha compara com os dias vividos agora com os que testemunhou como presidente da autarquia: “Em 2003 também era assim. O vento faz saltitar as frentes de fogo. Os homens andam num constante vai-vem com o deslocamento destes grupos de trabalho.”

Visivelmente consternado com o ambiente que se vive em Mação, Saldanha Rocha diz que “esta é uma situação que nos traz pobreza. Isto faz com que o concelho seja cada vez mais abandonado por pessoas que fazem investimentos aqui. Veja-se a praia fluvial do Carvoeiro, um investimento que se fez com grande sacrifício do município, uma praia com Bandeira Azul, que trazia já centenas de pessoas durante o verão. E agora voltámos a viver no nosso abrigo de cinzas”, constata com tristeza.

E daqui para a frente? “Eu acho que vai haver coragem, mas isto desencanta e faz baixar um bocadinhos os braços. Muita da auto-estima das pessoas é posta em causa. O dia de hoje é um dia de tragédia. Mas a nossa tragédia não é hoje. Começou hoje para demorar 30 anos a ser corrigida”, concluiu.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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