Sexta-feira, Fevereiro 26, 2021
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Mação: Vila é centro coordenador de projetos internacionais

Questões relacionadas com as fronteiras e migrações vistas de um ponto de vista da arqueologia e a temática da propriedade dos bens arqueológicos e do seu tráfico ilegal estiveram em debate esta terça-feira, dia 8, durante o colóquio internacional que decorreu no Museu de Arte Pré-Histórica de Mação.

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“Arqueologia e Património face às mudanças globais” foi o ponto de partida para um dia inteiro de trabalhos que reuniu em Mação especialistas brasileiros, espanhóis, italianos e portugueses no âmbito do colóquio ibero-americano.

“Esta é a 12ª edição de umas jornadas que começaram no Brasil em 2007 e que têm vindo a decorrer todos os anos, às vezes duas vezes por ano, cá e no Brasil”, explicou o professor Luiz Oosterbeek, da comissão organizadora do evento que este ano teve a novidade de ter realizado duas sessões nos ambientes académicos de Lisboa e Tomar.

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“Este ano temos dois grandes temas que são, por um lado, a temática da propriedade dos bens arqueológicos e da sua inserção na economia de mercado que é proibida mas que, na realidade, é acompanhada de um enorme tráfico ilegal de antiguidades; o outro tema que é muito importante e que vamos discutir aqui em Mação são as fronteiras e migrações, olhados do ponto de vista da arqueologia”, referiu Luiz Oosterbeek.

Na sessão de abertura do colóquio ibero-americano em Mação, Luiz Oosterbeek salientou que Mação é o centro coordenador de um conjunto de projetos internacionais e destacou o papel que a autarquia local tem tido ao apoiar este projeto de cultura e educação.

Vasco Estrela, presidente da Câmara Municipal de Mação, que também esteve na sessão de abertura do colóquio ibero-americano, salientou que “se Mação hoje é uma referência que é seguida por diversas entidades, deve-se ao antigo presidente da autarquia, Saldanha Rocha, por ter acreditado no projeto e no professor Luiz Oosterbeek”.

Fazendo referência ao Plano Estratégico de Mação, Vasco Estrela salientou que a autarquia tem feito uma grande aposta na Educação, Cultura e no Social e que conta com o apoio do Museu de Mação para o desenvolvimento do concelho.

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(da esq. para dir.) Luiz Oosterbeek, pró-presidente do IPT, André Soares, professor da Universidade Federal de Santa Catarina, Vasco Estrela, presidente da Câmara Municipal de Mação, e José António Almeida, vice-presidente do ITM (Foto: mediotejo.net)

Por sua vez, André Soares, professor da Universidade Federal de Santa Maria (Brasil), notou que “Mação já não é uma vila portuguesa, é do mundo, não tem fronteiras”, referindo-se à presença de estudiosos vindos de todas as partes do mundo em Mação para debater os temas relacionados com a arqueologia.

Para além do tema das fronteiras e migrações, que contou com diversas intervenções de especialistas brasileiros e portugueses, o colóquio ibero-americano debateu as questões relacionadas com as coleções de arqueologia privadas. Neste âmbito, uma das intervenções no colóquio prendeu-se com a apresentação de uma proposta de um novo quadro jurídico por Henrique Mourão, doutorando da Universidade de Córdoba (Espanha).

“Nesta área, temos leis muito boas que ninguém cumpre, não é que os objetivos da lei estejam errados, não é que não haja um problema sério se as coleções não estiverem ao acesso público, é essa a grande questão porque elas devem de estar, mas se a forma como a lei está feita é impossível de fiscalizar, é a mesma coisa que não ter uma lei”, defendeu Luiz Oosterbeck que referiu ainda que o Instituto Terra e Memória está, em colaboração com o Instituto de Direito do Brasil e a Faculdade de Direito de Lisboa, “a desenvolver esta reflexão com o objetivo claro de vir a propor leis novas”.

Desinvestimento na ciência é prejudicial

A este propósito dos bens arqueológicos que são alvo de tráfico, Luiz Oosterbeek refere que “em Portugal ninguém é condenado, as pessoas que são apanhadas nem são 10% do que se estima” e dá o exemplo de Itália em que se estima que, só no ano passado, o Estado deixou de receber cerca de 6 mil milhões de euros devido ao roubo e comércio ilegal de bens arqueológicos.

Apresentação da professora Maria Medianeira Padoin, da Universidade Federal de Santa Maria (Brasil) durante o colóquio ibero-americano em Mação (Foto: mediotejo.net)
Apresentação da professora Maria Medianeira Padoin, da Universidade Federal de Santa Maria (Brasil) durante o colóquio ibero-americano em Mação (Foto: mediotejo.net)

Este colóquio está inserido no Ano Internacional do Entendimento Global. Segundo Luiz Oosterbeek, membro coordenador da iniciativa, “o Ano Internacional tem um grande objetivo: explicar às pessoas como é que os processos locais estão ligados aos processos globais e qual é o papel da ciência e do conhecimento neste processo. As Jornadas que hoje se realizam em Mação produzem conhecimento que é importante para a sociedade, não se vai poder enfrentar certas realidades do nosso quotidiano hoje se também não se colher a experiência de outros momentos da história em que houve situações parecidas”.

“Este Ano Internacional do Entendimento Global junta as pessoas da física, da química e da matemática e as nossas sociedades e governos no mundo inteiro estão a deixar de investir em ciência e a população não tem essa noção porque todos os dias vê notícias de novas descobertas, mas as descobertas estão a acontecer na tecnologia e cada vez menos na ciência e é importante dizer que não há tecnologia sem ciência só que a ciência precede a tecnologia em cerca de 15 anos, nós hoje estamos a descobrir coisas em função dos avanços científicos de há 15/20 anos atrás. Hoje há uma queda abrupta nos últimos 5/6 anos de investimento em ciência, tudo o que é chamada a ciência fundamental perdeu investimento porque todos querem resultados imediatos, em 2/3 anos e isso não existe em física e química”, conclui Luiz Oosterbeek.

Entrou no mundo do jornalismo há cerca de 13 anos pelo gosto de informar o público sobre o que acontece e dar a conhecer histórias e projetos interessantes. Acredita numa sociedade informada e com valores. Tem 35 anos, já plantou uma árvore e tem três filhos. Só lhe falta escrever um livro.

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